A Organização da Organização (III) - Burocracia
Por Wagner Herrera
07/12/2006

Esta palavra caiu injustamente em desgraça no léxico popular por sinonimizar processos administrativos morosos, intrincados, custosos, vagarosos decorrente da falta de eficiência, etc.

A etimologia do vocábulo tem origem na associação do termo francês - bureau e do grego - kratia, kratie.:
• Bureau : local de trabalho de quem desenvolve atividade profissional em mesas, escritório, administração;
• Kratía/kratos: poder, autoridade, lei, força, domínio, poderio.
Criado por Jean-Claude Marie Vincent, Seigneur de Gournay (1712-1759, economista francês) para indicar a influência crescente dos escritórios e da administração na atividade humana (Houaiss), tradução literal – ter autoridade no trabalho.

O termo se popularizou com o Max Weber que o utilizou para definir um tipo particular de estrutura organizacional e caracterizou esse tipo “puro” de estrutura, como segue:
1. Pelo princípio de áreas estabelecidas e juridicamente oficializadas, reguladas por normas (leis, regulamentos administrativos);
a)As necessidades da estrutura burocrática regula as atividades de forma distribuída como deveres oficiais;
b)A autoridade necessária para o cumprimento dos deveres é distribuída de maneira estável e estritamente limitada por regras relacionadas a meios coercitivos postos à disposição dos dirigentes;
c)Medidas metódicas são tomadas para o cumprimento regular e contínuo dos deveres, as quais são regulamentadas no intento de garantir os privilégios correspondentes às pessoas com qualificação,.
2.O sistema de hierarquia de cargos e níveis de autoridade dão origem a um sistema firmemente ordenado pela coordenação;
3.Manuais de métodos dos processos determinam as ações administrativas;
4.A gestão do processo administrativo pressupõe treinamento completo de especializado;
5.As ações administrativas seguem regra estáveis que podem ser regulamentadas segundo a aprendizagem técnica que os administradores recebem em sua formação acadêmica ou prática (Mintzberg apud Gert & Mills, 1958)

Os processos administrativos nas organizações - sejam à qual setor pertençam: ao primeiro setor ou seja – o Estado, ao segundo setor ou seja - o privado, com fins lucrativos ou ao terceiro setor - as ONG´s, excluindo o quarto setor - a economia informal - têm características defensivas provocadas pela padronização, metodização e regulação em suas tarefas.

Isso se dá, principalmente nas organizações estatais, pelo interesse em diluir responsabilidades e aumentar a formalização, além de possíveis interesses escusos que não vêem ao caso aqui. Isso já foi tema amplamente debatido, vide a criação do Ministério da Desburacratização com o Ministro Hélio Beltrão no governo Saney (vide http: //clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=182742). Outro artigo pertinente está no website http://www.planejamento.gov.br/gestao/conteudo/publicacoes/plano_diretor/portugues/breve_historico.htm. Por exemplo: O Brasil ocupa as mais altas posições do ranking da gestão burocracia dentre os paises industrializados ou emergentes, visto que o prazo para se abrir uma empresa aqui é muito superior à maioria de outros países....

Nas organizações privadas, a burocracia ocorre pela alta padronização das tarefas visando a produtividade e não permitindo espaços à improvisação, viabilizando a utilização de um nível da mão de obra modesta. Sobremaneira, a burocracia torna previsível e pré-determinado o trabalho pela padronização visando o controle.

MINTZBERG, Henry - Criando Organizações Eficazes; tradução de Cyro Bernardes. – São Paulo: Atlas, 1995
Em artigo vindouro daremos seguimento sobre as formas de burocracia nas organizações.

Wagner Herrera é Graduado em Ciência da Computação e Engenharia de Producao na Universidade Mackenzie (SP) e pós-graduação em Administração Estratégica no IESC- Instituto de Ensino Superior Camões (Ctba-PR)