A Organização da Organização (IV)
Por Wagner Herrera
14/12/2006
Uma ação objetiva um resultado que
pode ser produtivo - quando agrega algo (no senso de melhorar), inócuo - não
agrega (indiferente) ou destrutivo (desagregador).
Como exemplo de ação produtiva, podemos pensar em jogar uma pedra num animal
bravo para afugentá-lo, uma ação com resultado indiferente seria jogar uma pedra
num lago para observar as ondas que se formam e, uma ação destrutiva seria jogar
a pedra numa vidraça para estilhaçá-la.
Na organização as pessoas são contratadas e treinadas para realizar ações
produtivas, que geram resultados positivos, cujo conjunto denominamos – tarefa.
Toda tarefa exige uma especialização que vai desde a simplicidade de pregar um
prego à complexidade de uma incisão cirúrgica.
A especialização é fruto da habilidade, treinamento e prática. A quantidade, a
dificuldade, o contexto, a qualidade, a habilidade, o comportamento na execução
das tarefas sugerem um delineamento diferenciado na divisão e coordenação do
trabalho. Neste artigo trataremos de três parâmetros para o delineamento das
posições individuais na organização, quais sejam:
1. A especialização da tarefa
Se dá em duas dimensões:
a) amplitude – a especialização horizontal - é a quantidade de tarefas distintas
e necessárias para se exercer uma função. Exemplificando: imaginemos a
quantidade e diversidade de tarefas executados por um mecânico de manutenção
industrial contra as de um operador de equipamento de raio X. Esta dimensão é
predominante nas atividades do tipo linha de montagem por três razões: aumento
de destreza pela repetição, economia de tempo em trocar tarefas e a maior
possibilidade de padronização pelo emprego de métodos e equipamentos demandando
a atenção de um coordenador.
b) profundidade – a especialização vertical – o nível de execução e controle das
tarefas. Aqui vamos imaginar o trabalho de um operário de uma linha de montagem
contra o de um cirurgião médico, que ao lado das tarefas executadas (cirurgia),
analisa seus resultados e toma medidas corretivas, dispensando coordenação.
2. Formalização do comportamento
O modo pela qual uma organização define o procedimento dos colaboradores,
regulamentando seus formas de atuação com a finalidade de predizer e controlar,
assegurar clareza aos clientes e a congruência com a mecanização:
a) pela função: onde o conjunto de tarefas é previsível e circunscrito
facultando a definição de atribuições e responsabilidades, como no caso de uma
recepcionista cuja posição pré define seu trabalho;
b) pelo fluxo de trabalho: impõem aos colaboradores a execução de tarefas
segundo o processo formado pelas mesmas, como no caso dos bombeiros que precisam
saber a priori as tarefas que lhes cabem quando solicitados à ação;
c) por regras: especificações emitidas para o geral, como o uso de uniformes,
atitudes...
3 Treinamento e doutrinação
O treinamento atua no sentido de adaptar, reforçar e condicionar os
conhecimentos requeridos para a posição, que podem ser adquirido dentro da
organização por meio de programas orientados ou fora, nas escolas técnicas ou
superiores.
A doutrinação utiliza a socialização dos membros de uma coletividade para
ensinar o sistemas de valores, crenças, normas e padrões de comportamento
exigidos. Essa doutrinação ocorre dentro da organização, como é sabido ao que
são submetidos noviços nos seminários, os militares em quartéis, integrantes de
uma escola de samba...; e fora da organização, como com médicos, que ao saírem
das faculdades têm seus comportamentos doutrinados para atuar acima de
interesses pessoais (juramento de Hipócrates).
Leia todos os capítulos da série, aqui:
Organização da Organização (I)
Organização da Organização (II)
Organização da Organização (III)
Organização da Organização (IV)
Organização da Organização (V)
Wagner Herrera é Graduado em Ciência da Computação e Engenharia de Producao na Universidade Mackenzie (SP) e pós-graduação em Administração Estratégica no IESC- Instituto de Ensino Superior Camões (Ctba-PR)