A Organização da Organização (V)
Por Wagner Herrera
21/12/2006
“É através do processo de agrupar
as unidades que é estabelecido o sistema de autoridade formal e é composta a
hierarquia da organização. O organograma é a representação pictórica dessa
hierarquia” (pág 53). Assim, Mintzberg (1995) define o delineamento da estrutura
organizacional.
O cluster* resultante dos estudos dos arquitetos organizacionais é o
organograma, “...dado o total de necessidades organizacionais - metas a serem
alcançadas, missões a serem cumpridas, bem como o sistema técnico destinada a os
executar – o projetista delineia todas as tarefas ... e combina essas tarefas em
posições de acordo com o grau de especialização desejado...”.
Michael Porter, renomado professor de gestão de empresas da Universidade de
Harvard e promotor do conceito de clusters, afirmou em entrevista à revista
Update, da Câmara Americana de Comércio de São Paulo (Amcham): "As cidades devem
fazer o melhor uso possível de suas potencialidades, investindo na
especialização". Emprestando o conceito de Porter para as cidades que nada mais
são que gigantescas organizações, vemos uma convergência dos conceitos desses
dois “gurus” da administração!
E o que se vê? A grande maioria das organizações estruturadas conforme um
organograma padrão! Como se a diversidade de seus sistemas técnicos, culturas,
missões, competências, histórias, mercados, portfólios, estratégias...pudessem
ser abrigados sob um mesmo “guarda-chuva”!
Para tanto, precisa-se concernir as individualidades, pois “...agrupar é o meio
fundamental de coordenar o trabalho na organização” e almejar a produtividade
pela utilização comum dos recursos, melhorar desempenhos e ganhar eficácia e
efetividade.
Mintzberg define seis bases para agrupar:
1. Por competências (conhecimento e habilidades). Como num hospital com seus
vários departamentos (pediatria, geriatria, radiologia, pronto-socorro..);
2. Por processo: como numa fábrica agrupam-se os processos de fundição,
estamparia, soldagem, montagem...;
3. Por tempo: como no caso dos turnos de trabalho;
4. Por resultado: formatação em função dos produtos disponibilizados, como um
banco que vende seguros, aplicações financeiras, financiamento... ou uma
montadora que vende automóveis, caminhos, tratores...;
5. Por cliente: como num hospital que atende aos convênios e ao serviço público
ou num banco, as divisões de pessoas física e jurídicas...;
6. Por local (região): Empresas que agrupam unidades ou departamentos para
atender as várias regiões do país, estado ou cidade; os órgão governamentais que
tem seus agrupamentos por estado, por exemplo - a Receita Federal.
Existe uma certa ambigüidade em alguns agrupamentos, pois eles podem ser
percebidos de formas diferentes: No item 1 pode ver pediatria e geriatria como
agrupamentos por clientes e radiologia e pronto socorro como processos; no caso
4, idem. Enfim teremos sempre dois enfoques que resumem as segmentações:
1. O agrupamento por mercados (resultados, clientes, local) e funções
(competências e processos)
2. Ou pelos fins (o mercado) e pelos meios (processos, competências).
* Emprestamos o conceito que originalmente foi utilizado em TI, onde dois ou
mais computadores compartilham funções objetivando a segurança e o desempenho,
sendo o resultado transparente para o usuário. Outro conceito é dado às empresas
que se cooperam regionalmente criando sinergia à um determinado segmento. Uma
cidade pode contém vários clusters que de acordo com suas excelências
constituem-se em lugares procurados por suas festas, culinária, artes, qualidade
de vida, pontos turísticos, negócios, clima, patrimônio ou pelo conjunto de dois
ou mais handicapes
Leia todos os capítulos da série, aqui:
Organização da Organização (I)
Organização da Organização (II)
Organização da Organização (III)
Organização da Organização (IV)
Organização da Organização (V)
Wagner Herrera é Graduado em Ciência da Computação e Engenharia de Producao na Universidade Mackenzie (SP) e pós-graduação em Administração Estratégica no IESC- Instituto de Ensino Superior Camões (Ctba-PR)