Outdoor Training: A Diferença Competitiva
Por Antomar Marins e Silva
12/02/2009
Hoje em dia, mais do que em outras épocas em nosso país, o êxito das
organizações está na sua capacidade de diferenciar-se competitivamente.
Isto significa deixar que os talentos, a criatividade, a inteligência,
os talentos individuais e coletivos incentivados da empresa sejam
valorizados. As empresas que estão atentas a isso estão conseguindo
responder com agilidade às mudanças do mundo moderno.
Por outro lado, preocupar-se com estes fatores é demonstrar inteligência
empresarial, pois, como dissemos em artigo anterior, está provado
cientificamente aprendemos 20% do que escutamos; 30% do que vemos e 70%
do que fazemos (experimentamos).
Isto vem comprovar que a experiência vivencial dos colaboradores, antes
de implementarem efetivamente nas organizações, são muito mais
enriquecedoras e efetivas para as empresas do que realizar testes e
experiências no dia-a-dia. Quer dizer que através do outdoor training a
equipe pode testar, experimentar e, até mesmo, cometer erros, enganos e
omissões com a oportunidade de corrigi-los antes de apresentá-los ao
mercado. É aí que a organização deve valorizar a formação de sua equipe
através do outdoor training.
Origens do Outdoor Training
O Outdoor training é uma ferramenta alternativa originada após a segunda
Guerra Mundial na Inglaterra e nos Estados Unidos. Nessa época foi
utilizado nas escolas com o objetivo de aplicarem os conceitos militares
às empresas com o objetivo de disseminarem estratégias que fomentas sem
a relação entre os executivos e os colabora-dores da empresa. Tal
prática objetivava, primeiramente, a melhoria da produtividade devido à
importância que abrangia o Capital Social. Posteriormente foi estendido
a todos os níveis da organização, devido aos benefícios que
proporcionava, principalmente na melhoria de relacionamentos intra e
inter pessoais. Além disso, foi utilizado como forte ferramenta para
identificar e solucionar problemas, fortalecer os laços de comunicação e
melhorar os conflitos e o desempenho das equipes da empresa.
O Construtivismo e o Outdoor Training
O outdoor training é uma ferramenta de apoio ao processo de
aprendizagem, fundamentada no construtivismo. Como o próprio termo
sugere: construir, onde cada indivíduo participa com o seu conhecimento,
para a elaboração de algo, através de um processo de aprendizagem.
Para o construtivismo, o conhecimento não é algo fixo e objetivo, é uma
elaboração individual relativa e mutante.
O pressuposto fundamental do construtivismo é que os seres humanos
constroem, através da experiência, seus próprios conhecimentos e não
simplesmente recebem a informação processada para compreendê-la e usá-la
de imediato; é preciso ser criado modelos mentais que podem ser
trocados, ampliados, reconstruídos e acomodados a novas situações.
Sob esta ótica, aprender através do outdoor training se converte na
bússola de sentidos na construção de significados. É um sistema formado
pelas etapas de atenção, compreensão, aceitação, retenção, transformação
e ação.
É a forma de vivência simbólica da realidade, onde se desencadeiam
questões que confrontam o homem com situações limites, em relação aos
aspectos tanto subjetivos (psicológicos) quanto objetivos (realidade
pessoal e profissional).
Em síntese, o outdoor training é realizado de forma integralmente
dinâmico e visa acelerar o processo de aprendizagem, utilizando-se da
teoria construtivista, objetivando o desenvolvimento pessoal, em equipe
e o aprimoramento de habilidades gerenciais ou específicas para
enfrentarem os desafios em suas áreas de atuação.
Durante a simulação, são tomadas decisões relacionadas com a formulação
e execução de ações globais relacionadas as principais áreas da
organização ou de determinado departamento, por exemplo, assim como a
análise das conseqüências de suas decisões.
Benefícios para a Organização
Além dos benefícios já apresentados, outros estão relacionados ao
fortalecimento das habilidades interpessoais próprias da Inteligência
Emocional, que devem estar pré-sentes nas empresas, como as seguintes:
* Estimular a confiança e desenvolver (potencializar) a liderança e o
espírito de trabalho em equipe;
* Estimular a cooperação e tomada de decisão;
* Potencializar a capacidade de delegar responsabilidades;
* Motivar o compromisso no ambiente de trabalho;
* Fomentar a comunicação e a integração entre áreas e membros de uma
organização;
* Eliminar ou diminuir o stress nos ambientes profissional e pessoal;
* Melhorar a reação ante as situações antagônicas, pressão e de mudança;
* Aumentar a confiança intergrupal;
* Criar foco no negócio.
Como benefício para a organização pode-se citar a pesquisa realizada na
Universidade de Harvard em conjunto com outras duas, com o objetivo de
comparar-se o outdoor training com outros métodos de aprendizagem. Eles
realizaram, no primeiro semestre de 2003, um encontro entre os alunos
participantes de um programa de jogos de negócios. Os pesquisadores
desejavam conhecer as preferências do simulador em relação a outros
métodos de aprendizagem, como por exemplo: estudos de casos, leitura,
audiovisuais etc.
Em relação com o estudo de casos os resultados demonstraram a aceitação
do outdoor training de 60% dos que responderam a pesquisa. Com respeito
aos outros métodos, a preferência pela simulação foi de cerca de 80%.
Os resultados encontrados indicaram um maior nível de aceitação do
outdoor training comparados com outros métodos de aprendizagem por parte
dos alunos que participaram da simulação de negócios. Entre as razões
que explicam a preferência pelo método encontra-se: o conhecer os
resultados das decisões tomadas; a troca de experiência com outras
equipes; a interação entre os membros das equipes; a produção de
competências coletivas, entre outras.
O Outdoor Training e o Admirável Cérebro Nosso
Como escreve P. F Del Campo: o celebro humano tende sempre a adaptação
ao meio como forma de sobrevivência, de maneira que nosso organismo
biológico trata sempre de “fixar” as rotinas neurológicas e
automatizadas para conseguir um máximo de entropia, ou seja, de
conservação de energia.
Quando nos movemos sempre nos mesmos círculos físicos, verbais,
lingüísticos, emocionais, profissionais etc., nosso celebro vai
construindo seu “mapa mental” por qual circula. Quando detecta que este
será um mapa habitual, mesmo que seja difícil e duro, todo nosso
organismo realizará um magnífico trabalho de readaptação ao meio,
assimilando os novos hábitos, as novas atitudes, adaptando novas
crenças, para acabar automatizando tudo e conservando, assim, energia.
Quando tudo isso foi fixado, deixa de ser algo “mental” e consciente
para converter-se em algo “físico” e inconsciente. O problema surge
quando as atividades empresariais ou vitais nos obrigam a mudar de forma
rápida, obrigando-nos evoluir constantemente. Quando o organismo não
está acostumado a isto nos desmotivará do intento de permanecer “fixo”
enquanto nossas responsabilidades “brigarão” para desenvolver a nova
atividade, se produz uma dissonância entre o mental e o físico, criando
stress e um profundo desgaste que acabará por desembocar num esgotamento
crônico, a síndrome do Burn-Out (síndrome de estar queimado).
Esta é a principal razão do benefício do outdoor training: criar uma
brecha em nosso mapa mental habitual que por ele que acostumamos
movermos, chegar ao trabalho, onde estão nossas rotinas que consomem
todas nossa atenção diária, impedindo uma regeneração da própria energia
e biologia; criar um espaço que permita a reflexão; escutar outras vozes
e conceitos; permitir que o nosso celebro e o organismo tenham um
parêntesis que propicie sua adaptação a nova mudança...
Qualquer atleta sabe que realizar sempre a mesma rotina de exercícios,
leva a um desenvolvimento limitado do músculo, sendo recomendado à
mudança de exercícios para impedir a adaptação para que o corpo consiga
uma evolução constante, como, por exemplo, gerar massa muscular
continuamente.
Este é o verdadeiro objetivo do outdoor training!
A psique tem sua contrapartida orgânica e atua similarmente tratando
sempre de adaptar-se para criar um sistema de mínimo esforço, evoluindo
unicamente quando se obriga a isto.
Com o outdoor training “rompemos” os círculos que estamos habituados,
proporcionando-nos a possibilidade de iniciar um processo de “ampliação
de nossos mapas” por tornar-se estreito antes dos novos que temos que
enfrentar, eliminando os fatores que roubam nossa atenção diária, a qual
podemos dirigir para assimilar esta mudança, ou para enfocá-la
diretamente em nós mesmos, eliminando, assim, fatores que estão criando
sofrimento e desgaste.
Dizia Einstein: “nunca encontrarás a solução a teu problema no mesmo
nível mental que o criaste”.
Este seria o segundo objetivo fundamental das atividades de outdoor
training, ou seja, primeiramente nos alijarmos do círculo ou marco
habitual onde reside o problema e onde não se encontra a solução, para
depois, na distância e dissociado dele, desintoxicar e regenerar nossas
energias para poder entrar em outro nível mental, onde se encontra as
respostas e soluções buscadas, eliminando assim os fatores de tensão e
sofrimento, que são surdos ladrões de nossa atenção e eficácia.
Conclusão
As exigências de hoje nos diferentes contextos onde se manejam processos
de aprendizagem de adultos, giram em torno da busca de elementos que
facilitem a aprendizagem no menor tempo possível, que seja de fácil
aplicação nas organizações e instituições, que tenham alto impacto e
recordação, que buscam romper paradigmas e estruturas e que permitam as
pessoas serem mais competentes.
Tudo isto pode ser reunido numa metodologia o outdoor training que cabe
em três verbos: Ser, Pensar e Fazer.
Partindo da premissa que nada muda nada, as grandes mudanças de
paradigmas e modelos mentais partem do âmago das pessoas. O modelo Ser,
Pensar, Fazer responde a este processo.
Muitos processos de treinamento partem do fazer, isto é, desenvolver
habilidades. Geralmente os processos de mudança sob este enfoque são
curtos em tempo e as pessoas regressam a seus antigos hábitos de
comportamento.
Outros processos partem deste pensar e buscam criar novos modelos de
pensamento e buscam estabelecer novas formas de ver as coisas que
permitem que a aprendizagem seja mais duradoura e efetiva, mas não
contundente.
Sem dúvida, um processo de transformação integral necessita adicionar
outros elementos mais profundos, como:
* Aprender a Conhecer – Compreende a interpretação do mundo, a
curiosidade intelectual, o sentido crítico e o aporte na solução de
problemas que vive na sociedade.
* Aprender a Fazer – Se aplica ao conceito de Competência Profissional.
Será imprescindível conjugar a qualificação profissional de uma pessoa e
as suas habilidades adquiridas durante sua formação, sem esquecer seu
comportamento social, aptidão para trabalhar em equipe, iniciativa,
capacidade de assumir riscos e responsabilidades na empresa.
* Aprender a Conviver com os Demais – É um ambiente de cooperação e
participação frente às atividades da sociedade e suas congêneres.
* Aprender a Ser – Implica no desenvolvimento da pessoa, o
autodescobrimento, ativar e incrementar suas capacidades criativas e sua
iniciativa.
Pense nisso ao contratar seu próximo ou primeiro outdoor training.
Antomar Marins e Silva é Escritor e Consultor de melhoria de resultados
de negócios das organizações e especialista em gestão estratégica,
professor e facilitadores de treinamentos para os níveis tático e
estratégico das empresas. Autor dos livros Sonhar é para Estrategistas;
Gestão Estratégica de Negócios: Pensamentos e Reflexões; Qualidade: O
Desafio da Secretária; Desperdício: Como Eliminá-lo Através dos 5S´s,
Lições Aprendidas; Empreendedorismo Empresarial; Motivação e Artigus,
além de mais 500 artigos técnicos publicados no Brasil e no exterior.
Detentor de inúmeros prêmios profissionais, além de honrarias nacionais
e internacionais. email: antomar.marins@gmail.com