Pode ser você o problema da empresa
Por Antomar Marins e Silva
09/06/2009
Introdução
Por incrível que possa parecer, muitos executivos – proprietários,
diretores e gerentes – ainda continuam gerindo suas organizações
exatamente como faziam no passado: como verdadeiros guardiões, impedindo
que novos modelos de gestão e até mesmo novas idéias sejam
implementadas.
Theodore Levitt em um de seus artigos comenta: Gerenciar uma organização
é muito mais difícil do que a maioria dos homens que gerenciam percebe.
Na verdade, poucos são gerentes. De algum modo suas organizações vão
progredindo num ritmo aceitável, mas normalmente porque seus
concorrentes não lhe são superiores
Será que este é um problema somente do nosso País? Neste artigo veremos
que não, apesar de ser grande o número de executivos que reagem às novas
metodologias.
Será apresentado também um modelo para melhoria do desempenho desses
executivos.
Falando de pesquisa
Pesquisa realizada nos Estados Unidos com um universo de dois mil
executivos pertencentes a organizações de grandes portes, e
posteriormente divulgada pela revista Management’s News Magazine,
revelam que a grande maioria deles ignorava as mais recentes técnicas de
gestão.
A pesquisa também demonstra que, cerca de 80% dos entrevistados estavam
valendo-se de “ferramentas” de gestão totalmente ultrapassadas.
Apesar de não possuir uma pesquisa atualizada sobre o assunto, posso
afirmar que no Brasil o quadro não é muito diferente. Pelo menos é o que
tenho encontrado em um número representativo de empresas. Esta
constatação é tão séria, o que me levou a abordar o assunto num artigo
aqui publicado. Nele mostrei como executivos que vivem das glórias do
passado podem levar a organização a bancarrota.
Um exemplo de sucesso
Um bom exemplo de busca de novos caminhos é o da Sears, Roebuck and
Company. Seus executivos, ao longo dos últimos cinco anos, mudaram
radicalmente o modo de fazer negócio e os resultados disso se fez sentir
rapidamente no caixa da empresa. Mas a transformação da Sears foi mais
do que uma mudança na estratégia de marketing. Foi uma mudança de
comportamento das pessoas, na lógica e na cultura dos negócios.
Escrevem os autores: Na verdade, o processo de alterar a lógica é que
mudou a cultura. Liderados (muitas vezes empurrados) pelo seu executivo
principal, Arthur Martinez, um grupo de 100 executivos da alta gerência
gastaram cerca de três anos reconstruindo a empresa a partir dos desejos
e expectativas dos clientes. Durante o processo de análise do que a
Sears era e no queria se tornar, estes gerentes desenvolveram um modelo
de negócio da organização que deixou um rastro de sucesso um rastro de
sucesso através do comportamento da gerência e atitudes empregadas,
todas voltadas para satisfação das necessidades e expectativas dos
clientes e para o desempenho financeiro. Paralelo ao seu sistema de
avaliação, eles desenvolveram o modelo de Benefício Empregado-Cliente,
rigoroso o suficiente para funcionar como parte integrante do sistema de
informação e como uma ferramenta que cada funcionário da empresa pode
usar para promover melhorias pessoais e do seu trabalho.
A criação de um modelo e suas medidas de desempenho, fez com que todos
os gerentes envolvidos mudassem o modo de pensar e se comportar. Esta
mudança cultural é agora difundida por todos os níveis da Sears.
Provavelmente, o leitor estaria agora perguntando: como posso melhorar a
gestão da minha organização?
Como melhorar a gestão
Embora possa parecer óbvio, muita gente ignora que os passos iniciais
para qualquer processo de melhoria são: ter vontade política para
melhorar e estar aberto para novas idéias.
Apesar de existirem outros métodos para se efetuar melhorias, eu ainda
prefiro adequar ao momento atual as quatro medidas apontadas por R. O.
Loen na década de 80: fixação de objetivos, ouvindo a voz da equipe,
trabalhando em equipe e implementando e medindo o desempenho.
Fixando objetivos
O autor diz que os esforços de melhoria serão mais significativos se
objetivos forem traçados. Dentre estes objetivos deverá estar o de
buscar novos modelos para gestão; os que melhores se adeqüem às
necessidades de sua organização.
A seguir, eu recomendo, que seja eleito um “projeto campeão” ou seja, um
problema que exija solução mais premente e determine objetivos para
efetuar ou propor soluções dentro de prazos específicos. Não se deve
esquecer de buscar “novas ferramentas” para isso, e esta é uma grande
oportunidade de testá-las.
Ouvindo a voz da equipe
Você sabe como sua equipe é impactada por aquilo que você e outros
executivos fazem dentro da organização? Muitos gerentes ignoram esse
aspecto por não saber – ou não interessar saber – que as pessoas da
equipe além de suas fornecedoras são suas clientes.
Da mesma forma que você precisa ouvir a voz de seus clientes para
entender suas necessidades e expectativas, eles necessitam de feedback
para saber o que você necessita e qual sua expectativa quanto aos
insumos que irá receber. Isto é que transforma fornecedores em
parceiros.
O estabelecimento dessa parceria é que leva a participação de todos e na
formação de um ambiente propício a aprimoramentos contínuos e melhorias.
Trabalhando em times
Existe uma tendência para a próxima década (ou deveria dizer início do
novo milênio?) que é a gestão por processos e times. Esta tendência vem
acabar de vez com o sistema taylorista ainda usado em inúmeras empresas
brasileiras. Esta nova tendência é baseada no sistema sócio-técnico
defendido por E. Trist. Neste sistema ele mostrava que se fossem
formados Times de Trabalho que tivessem a inteira responsabilidade pelo
processo como um todo, pela interface entre as pessoas (sistema sócio) e
suas ferramentas (sistema técnico), níveis de produtividade maiores
seriam alcançados.
Nos anos 60, a Procter & Gambler, nos Estados Unidos, implementou essas
idéias em várias plantas industriais, obtendo estrondoso sucesso. Os
trabalhadores da Procter & Gamble tomavam parte nas decisões de o que e
como fazer.
Ora, se inúmeras organizações de sucesso adotaram a nova filosofia do
“planeja quem faz”, por que não adotá-la? Isso só é possível, se os
subordinados tiverem, além da responsabilidade, a autoridade para agir.
É sempre bom lembrar que administrar é obter resultados através das
pessoas.
Implementando e medindo o desempenho
Devido à pressão das atividades do dia-a-dia, você certamente será
tentado a procrastinar os projetos de melhoria de gestão. A
procrastinação é apenas um dos inimigos das melhorias nas organizações.
O segundo, chama-se paradigmas. Todos nós criamos nossos modelos e
reagimos negativamente quando deles temos que nos afastar. Estes dois
aspectos é que levam a obsolescência das pessoas e, por conseqüência,
das organizações sob sua gestão.
Muito bem, essa etapa foi superada. A melhoria está sendo implementada
no “projeto campeão”. E agora, como saber que se está no caminho certo?
É necessário o estabelecimento de indicadores que permitam o controle
durante todo o processo. Não existe receita de bolo, eles têm que ser
estabelecidos caso-a-caso. Especialistas apontam quatro
procedimentos-chave, abaixo relacionados, para medir o desempenho.
Entretanto, como mencionado, ele também não é único.
1. Processos relacionados com a interação de clientes internos;
2. Processos relativos a procedimentos operacionais;
3. Processos que buscam a satisfação dos clientes; e,
4. Processos que assegurem desempenho financeiro superior.
Conclusão
Este artigo não é conclusivo. Meu objetivo é chamar atenção das pessoas
envolvidas em processos de gestão para o assunto. Ele está diretamente
relacionado com algo de muito sério – a sobrevivência de sua
organização. Para isso, não tenha medo de tornar melhor os processos, as
pessoas e os produtos de sua empresa. Não tenha medo de também tornar-se
melhor, afinal, pode ser você o maior problema de sua empresa...
Antomar Marins e Silva é Escritor e Consultor de melhoria de resultados
de negócios das organizações e especialista em gestão estratégica,
professor e facilitadores de treinamentos para os níveis tático e
estratégico das empresas. Autor dos livros Sonhar é para Estrategistas;
Gestão Estratégica de Negócios: Pensamentos e Reflexões; Qualidade: O
Desafio da Secretária; Desperdício: Como Eliminá-lo Através dos 5S´s,
Lições Aprendidas; Empreendedorismo Empresarial; Motivação e Artigus,
além de mais 500 artigos técnicos publicados no Brasil e no exterior.
Detentor de inúmeros prêmios profissionais, além de honrarias nacionais
e internacionais. email: antomar.marins@gmail.com