Por que os Hotéis utilizam tão mal a Internet?
Por Conrado Adolpho
14/06/2008
É impressionante como a humanidade produz enigmas indecifráveis a cada
momento. É o mistério das pirâmides do Egito, o Triângulo das Bermudas e
o péssimo marketing de relacionamento que os hotéis fazem com seus
hóspedes.
A situação não é nova. Em minha última palestra preenchi a mesma ficha
que preencho pelo menos uma vez por semana nos hotéis que me hospedo nas
minhas viagens dando palestras pelo Brasil. Nessa ficha eles me
perguntam tudo - meu nome, meu e-mail, se a minha viagem foi a negócios
ou a lazer, meu endereço, meu telefone, de onde vim e mais uma série de
perguntas que respondo automaticamente. Já pensei até em imprimir várias
cópias de uma ficha dessas, já preenchida, e só entregar no hotel - ou
levar os dados em um pen-drive.
A grande questão não é o preenchimento, mas o que o hotel faz com esses
dados depois. Em termos de relacionamento com o cliente, absolutamente
nada. No máximo um programa de fidelidade do tipo cartão de plástico
para colcocar na carteira. Tenho tantos cartões desses que um dia vou
carregar uma carteira só para eles. É cartão da Saraiva, da Fnac, do
Grupo Accor e alguns outros que nem me lembro.
Se fui a uma cidade, existe uma boa chance e voltar lá, principalmente
se for a trabalho. Nunca recebi um e-mail sequer dos muitos hotéis que
já fiquei. Um e-mail com promoção para um feriadão, ou com dicas
turísticas da cidade ou qualquer outra informação que me faça voltar na
cidade.
O mais engraçado é que eles têm todos os meus dados e poderiam fazer um
ótimo marketing de relacionamento online comigo, mas desperdiçam o meu
tempo de preenchimento daquela fichinha padrão, provavelmente, dentro de
uma gaveta.
Um outro ponto que percebo na indústria hoteleira é a má utilização dos
mecanismos de busca. Uma boa parte dos hotéis confunde site com folder.
Colocam no ar aquelas páginas em flash com música, animação e várias
outras parafernalhas tecnológicas que, sinceramente, não me interessam
na hora de escolher um hotel para fazer a reserva ou mesmo escolher a
cidade para a qual vou viajar.
Antes de fazer o seu site, se você for o proprietário de um hotel,
estude bem o seu público-alvo (resgate aquelas pilhas de finhinhas da
gaveta e analise-as separado-as por segmentos). Não adianta mandar dicas
turísticas se a sua cidade é praticamente uma cidade dormitório em que
não nada além de uma estrada importante cortando ela. Cada cidade, cada
hotel, cada estrutura tem o seu próprio ponto forte que deve ser
explorado - esse é o início do tal planejamento estratégico.
Os bancos já descobriram que a Internet é uma tremenda ferramenta para
se trabalhar, os hotéis, ainda não. E como pode isso? Geralmente as
pessoas que estão procurando hotéis não estão na cidade do próprio
hotel, logo, não só o hotel tem que se tornar visível por meio de um
mecanismo de busca para que as pessoas o encontrem, como também tem que
aproveitar quem já se hospedou por lá e gostou.
Sobreviver só de novos hóspedes é perder o imenso potencial de gente que
simplesmente mandou um e-mail pedindo um orçamento. Aproveitar só esses
contatos que já foram feitos é desperdiçar o imenso potencial do Google
- o segundo site mais visitado do país.
Nem vou falar da qualidade do site, mas o início do processo de aumento
de taxa de ocupação de hotéis é fazer um bom trabalho junto a mecanismos
de buscas, fazendo o seu site aprecer nas primeiras posições do Google
em palavras pertinentes à sua cidade (como “hotel curitiba”, “hotel
fazenda minas” e outras) e então aproveitar todos esses visitantes com
um eficiente marketing de relacionamento online.
Abraços.
Conrado Adolpho é empresário, publicitário, escritor e palestrante. Sua formação vem de faculdades de excelência como ITA e Unicamp. Trabalha com tecnologia, Internet e marketing. É especialista em marketing on-line, presta consultoria e ministra palestras em marketing na Internet, e-business, estratégias de marketing on-line, otimização de sites para mecanismos de busca e outros assuntos ligados à Internet e marketing. É autor do Livro Google Marketing - O Guia Definitivo do Marketing Digital.