Quanto Vale o Seu Emocional?
Por Evaldo Costa
11/12/2009
O sistema de treinamento dos consultores de vendas, quase sempre, busca
desenvolver as técnicas de vendas, apresentação pessoal, dicas de
atendimento, habilidade para negociar, conhecimento dos produtos e serviços,
abordagem, levantamento de necessidades, demonstração, prospecção e
fidelização. Poucos são os que se preocupam para valer com o lado emocional
deles, embora seja sabido que o quesito psicológico costuma contar mais do
que as técnicas.
O que muitos comentam, mas poucos conhecem é quão estressante é a profissão
de vendas. Imagine-se com um monte de contas para vencer, a exemplo, do
aluguel, colégio das crianças, supermercado, água, luz, telefone, assinatura
de televisão, cartão de crédito, prestação do carro, seguro, plano de saúde
e, também, o supermercado.
O mês está apenas começando e não há nenhuma garantia de que você ganhará o
suficiente para honrar esses compromissos. Como você acha que o profissional
se sente? Preocupado, não é mesmo? Se ele estiver no início de carreira, a
pressão psicologia será ainda maior.
Quando eu visito as empresas a fim de oferecer desenvolvimento intelectual
para os vendedores, quase sempre, ouço algo do tipo: “Vamos deixar para
depois. Este ano já fizemos muitos treinamentos”. Daí, dou uma volta pela
loja, converso com os consultores e percebo que eles tentam demonstrar
conhecimento do produto, de atendimento etc. Porém, emocionalmente, não é
difícil perceber que estão devendo.
Então, eu pergunto: ao invés de se preocupar quase que única e
exclusivamente com a parte técnica e física do treinamento, não seria
razoável prepará-los, também, para serem equilibrados, estáveis e
conscientes? Afinal de contas, para que serve a auto-estima elevada? Para
ajudá-los a lidar com situações indesejáveis, com as incertezas das finanças
pessoais, ajudar a construir relacionamento maduro etc.
Percebo que muitos profissionais de vendas na expectativa de cumprir com o
papel de provedor da família, “muda-se” literalmente para o trabalho e passa
a “visitar a família”. O resultado é quase sempre um desastre total, pois se
perde o elo familiar, o pouco de equilíbrio psicológico que resta, a própria
família e, não demora muito, o próprio emprego. Daí, fica no pior dos
mundos, achando-se o ser mais injustiçado do planeta.
Isso posto, eu volto a perguntar: até que ponto a empresa tem
responsabilidade nisso? O problema é que muitos gestores estão tão ocupados
com o lucro do negócio, que não percebem que o bom resultado é fruto de
trabalho certo e não de trabalho árduo. Afinal de contas, do que adianta
“produzir” profissionais intelectualmente instigantes, naturalmente audazes,
se emocionalmente estão despreparados?
Mas, se ainda assim houver argumento de que trabalhar acima do limite humano
é o caminho para enriquecer, cabe perguntar: do que adianta poder comprar
uma casa se não se pode construir um lar? Do que adiante poder comprar uma
cama e não ter sono? Do que adianta poder frequentar os melhores
restaurantes e não ter apetite? Do que adianta ter dinheiro para comprar um
carro novo se não é possível ser feliz com ele? Do que adianta produzir
riquezas e não ter com quem compartilhá-las?
Evaldo Costa é Escritor, Consultor, Conferencista e Professor. Autor dos livros:
“Alavancando resultados através da gestão da qualidade”, “Como Garantir Três
Vendas Extras Por Dia” e co-autor do livro “Gigantes das Vendas”