Ruim não é trabalhar para enriquecer os outros, mas empobrecer junto.
Por Ivan Postigo
23/05/2010
Teses sobre sucesso profissional e pessoal afirmam que se você não está
trabalhando para você, está trabalhando para alguém.
Ora, se está trabalhando para outra pessoa está se dedicando ao enriquecimento
desta e não do seu próprio patrimônio.
Vamos dar a essa tese um pouco de crédito, contudo alguns aspectos devem ser
observados.
Não são todas as pessoas que têm perfil empreendedor e se sentem bem como
empresários. Muitos têm aversão ao risco, fator inerente a quem explora qualquer
segmento de negócios.
A obsolescência, neste momento, atinge todas as áreas no mundo, de produtos a
conceitos.
Hoje, não demoramos muito para aceitar que a “terra é redonda” e nem enviamos
para a fogueira quem tem idéias extravagantes. Ao contrário, estas têm produzido
fortunas.
Basta ver as redes sociais na internet e o comércio eletrônico.
Profissionais em áreas que exigem extrema especialização podem receber
rendimentos maiores do que conseguiriam em qualquer ramo de negócio que pudessem
explorar. A tese do “Você S.A.” é cada vez mais válida.
Uma pequena mudança de conceito de trabalho pode fazer enorme diferença na sua
vida.
Quando você não “se emprega”, mas “emprega o seu trabalho” sua valorização
costuma ser muito maior.
Claro, isso cobra um determinado preço e mobilidade, nesse caso, pode ser
fundamental.
A oportunidade pode não estar na sua cidade e mudança de residência pode ser
necessária, porém se a sua área de especialização está distante é para lá que
terá que levá-la. Caso queira ter sucesso.
É pouco provável que seja bem sucedido como engenheiro naval vivendo nas
montanhas, a não ser que consiga desenvolver uma forma de oferecer seu trabalho.
Nasci e cresci numa agradável cidade do interior, mas a área que escolhi para
estudar me levou para uma região distante.
Formado, as oportunidades me afastaram ainda mais do meu local de nascimento, me
trouxeram de volta, pouco tempo depois me levava embora novamente.
Sou uma pessoa disposta a correr risco. É verdade que já perdi noites de sono.
Todas valeram à pena, me ajudaram a encontrar boas soluções, ainda que para
problemas bastante sérios.
Já fui executivo, com carteira assinada, hoje tenho minha empresa.
Como executivo comprei, vendi e fechei empresas. Fechá-las é uma experiência
dolorosa.
Aprendemos muito com isso, mais sobre as pessoas do que sobre técnicas, mas
ninguém sai sem cicatrizes.
Como consultores, atividade a que me dedico, somos desatadores de nós. Muitos
criados pela incompetência, descaso e negligência de empreendedores e gestores.
Verdadeiros “Nós Górdios”!
Brasileiros, temos a cultura da gestão da dor. Assim, nos receitam fartas doses
de esperança, acreditando que esse medicamento não tem contra-indicação. Ledo
engano!
Você faz check-up todos os anos para saber como está sua saúde?
Muitos dirão: - Para que, não sinto nada?
Pronto, quando doer você procurará um médico certo?
Certo, entendi seu raciocínio, mas você, como empresário ou gestor contratado,
como avalia a dor da sua empresa?
Às vezes é muito difícil constatá-la, pois está mascarada pelo analgésico do
excesso de crédito.
Vejo, com grande freqüência, empresas com o futuro cada vez mais comprometido e
seus gestores afetados por um processo de letargia.Não há sinais de reversão das
perdas e indícios de melhoria da situação econômica e financeira. Assim
permanecem.
O medo do risco de novos desafios também impede os gestores contratados de
buscarem oportunidades e ficam a espera de um milagre.
Observe que a sua determinação em não aceitar um futuro medíocre poderia,
inclusive, mudar os rumos da empresa na qual trabalha.
Frente a uma situação como essa cabe uma reflexão:
Ruim não é trabalhar para enriquecer os outros, mas empobrecer junto.
Assim como fez Alexandre “O Grande” a decisão quanto a desatar esse “nó” cabe
apenas a você!
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
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