Os Sentidos no Merchandising
Por Camila Nogueira
08/06/2009
Inicialmente o merchandising se resumia a dar destaque aos produtos no
ponto-de-venda, hoje, ele acompanha todo o ciclo de vida do produto, desde sua
criação até a pós-venda. Sempre se preocupando em criar uma imagem positiva do
produto no ponto-de-venda, imagem essa que vá motivar e influenciar a decisão
final de compra do consumidor.
O merchandising tem como objetivo: atrair, seduzir, fidelizar o cliente, criando
uma relação com ele, sempre trabalhando os sentidos e sensações e ambientando o
produto no ponto-de-venda. Na propaganda ou na publicidade a preocupação é levar
o consumidor ao produto, já no merchandising o objetivo é influenciar, o fazendo
lembrar do produto ou apresentando-o ao consumidor e assim, finalmente,
conseguir concretizar a venda. O cliente tem tendência a generalizar, associar
os nomes, aceitar com mais facilidade algo já visto em algum lugar, por isso a
importância de uma estratégia de divulgação unificada, para que quando ele veja
o merchandising no ponto-de-venda ele reconheça, mesmo que ele não lembre de
onde.
A peça publicitária deve atrair a atenção com algo de compreensão e memorização
fácil, como por exemplo, uma cor característica da marca, ou um slogan bem
criativo com forte apelo emocional, sempre se preocupando em colocar no máximo
três ou quatro detalhes motivacionais, para não dispersar a atenção do
consumidor nesta.
È muito importante à criação de uma identidade visual da loja, sempre
posicionando corretamente os produtos e atuando junto aos clientes, pois é no
ponto-de-venda, que todos os elementos que compõem a venda se encontram: o
cliente, o produto e o dinheiro. Consolidar produtos e serviços, construindo uma
imagem positiva da marca e assim fidelizar seus clientes com essa identidade é a
única chance de sobreviver nos dias de hoje. Com a crise, o processo de compra
passou a ser mais racional e menos emocional, pois o cliente com pouco dinheiro
fica mais exigente. A pulverização do varejo também é um fator importante, pois
não existe mais a necessidade do consumidor sair de casa pra comprar, ele pode
comprar por telefone, pela internet, etc. Logo a experiência de compra tem que
ser relaxante e prazerosa, tem que ter algo que justifique a ida do consumidor
até o ponto-de-venda, para isso se utiliza o conceito de retailtainment, que
significa colocar entretenimento no varejo. Lojas atraentes, organizadas,
exposição dos produtos e comunicação com o público-alvo de forma correta, preços
adequados, serviços bem feitos e profissionais bem treinados fazem toda a
diferença.
Para se diferenciar nesse mercado tão competitivo é necessário explorar os cinco
sentidos do consumidor, pois segundo estudos, nossas percepções são realizadas:
1,0% pelo paladar, 1,5% pelo tato, 3,5% pelo olfato, 11,0% pela audição e 83,0%
pela visão.
A visão é o primeiro estímulo em um processo de compra, pois é ela que manda um
aviso para o cérebro fazendo a pessoa reagir na direção do produto no
ponto-de-venda. E é nesse momento que o merchandising entra, tentando prolongar
esse contato e criando um maior interesse da pessoa pelo produto. Um jogo de luz
bem elaborado pode inspirar simpatia, curiosidade, animosidade pelo produto,
conseguindo direcionar o olhar e quem sabe até seus movimentos na direção da
prateleira. Segundo Regina Blessa, a luz é responsável por clarear o ambiente e
destacar mercadorias, decorar ambientes, transmitir sensações agradáveis,
atraindo o consumidor ou desagradáveis e repelindo-o. Pode também mudar o humor
e o comportamento das pessoas. As cores servem para atrair o público-alvo e
destacar produtos específicos. Para cada público deve se usar uma cor
característica: os adolescentes gostam de cores fortes e quentes, as crianças
são mais receptivas as cores primárias (vermelho, azul, amarelo e verde). Também
servem para a sinalização no ambiente com a cor da moda, ou indicação de
direção, entre outras.
O som cria um envolvimento no ambiente da venda, podendo alegrar ou entristecer
um ambiente, acelerar ou desacelerar o fluxo de clientes, possibilitando assim,
o controle do tráfego da loja. As músicas devem ser mais leves e lentas,
tornando o ambiente mais agradável e prolongando o prazer da compra. Só devendo
acelerá-las em momentos determinantes, como à hora do rush em que o fluxo é
grande e as pessoas estão com pressa, para tentar evitar as filas.
Depois da visão, que é a forma como temos o primeiro contato com o produto, o
olfato é a forma que mais provoca emoções nos clientes, os fazendo relembrarem
algo que provoca sentimentos, como o cheiro de pipoca na seção de pipoca, o
perfume na parte de perfumaria, etc. Mas o cheiro também pode repelir os
clientes, como o cheiro de peixe ou de lixo, demonstrando falta de higiene e
conservação dos produtos.
Portanto se for criada uma atmosfera de compra que explore os sentidos,
utilizando todas as técnicas de estímulo da percepção; o comportamento de compra
será influenciado e estimulado de uma forma positiva para o estabelecimento
comercial, "pois a visibilidade cria vendas".
REFERÊNCIAS
BLESSA, Regina. Merchandising no ponto-de-venda.São Paulo: Atlas, 2007.