O silêncio de cada um de nós
Por Ivan Postigo
12/10/2009
Em casa, no trabalho, nas ruas, ouvimos sempre pessoas dizendo que gostam do
silêncio e outras que não o suportam. Vamos tratar o silêncio como ausência de
ruídos.
Quem tem filhos pequenos tem uma visão clara do que é isso, não?
Juntos riem, brincam, gritam, brigam, nos enlouquecem, mas passe um dia sem
eles. Que falta fazem aqueles pequenos furacões!
O silêncio é precioso, mas quando o temos como nosso aliado.
Você já pensou como ele é valioso para uma boa conversa.
Permite que você ouça os interlocutores, possa refletir, sem que ruídos
atrapalhem o perfeito entendimento.
Música! Você gosta de música? Profissionalmente ou de forma amadora toca algum
instrumento?
Dá para imaginar como o silêncio o ajuda no entendimento das peças, das notas,
dos efeitos sonoros?
Para o estudo, reflexão, que companheiro fantástico!
Tenho muitos amigos que só estudam e trabalham ouvindo música e dizem:- Assim me
sinto menos só!
Bom, o estudo e o trabalho já são excelentes companhias, mas nesses casos
podemos considerar que a música cria o silêncio necessário de forma que os
ruídos das máquinas, da rua, das pessoas, do cachorro do vizinho, não lhes roube
a atenção.
Há algum tempo implantei um sistema em uma empresa que havia liberado o uso de
rádios.
Existiam três, um na contabilidade, outra na tesouraria, e um com a equipe de
custos.
Cada grupo gostava de um tipo de música, e os deixavam como som muito alto para
superar o ruído que vinha do setor ao lado.
Para resolver essa questão as pessoas foram reunidas e como não ouve
entendimento eles mesmos decidiram aposentar os rádios. Estava criado um novo
momento de silêncio.
Durante um tempo morei em frente a uma academia de ginástica, o casal vizinho
eram os sócios.
Para meu desespero a mesma música bate-estaca que tocava na academia também
tocava no apartamento, o dia todo.
Quantas vezes não me peguei digitando no ritmo da música!
Para mim aquilo era um incomodo, para eles retirava os ruídos e os colocava em
estado de maior conforto, pois como diziam se sentiam menos sós.
Depois de um dia e trabalho intenso é muito bom chegar em casa, dar uma
relaxada, ficar alguns momentos sozinho, quem sabe até ouvir uma boa música,
tomando uma cervejinha!
Não, isso não é para todo mundo. Tem gente que gosta de chegar e contar o dia.
Minha irmã, quando morávamos todos juntos, tinha essa rotina!
Todos os dias repassava com minha mãe os eventos da semana.
Eu já conhecia as historias, e dizia:- A mãe já sabe de tudo isso, você já
contou várias vezes, até eu já as conheço de cor.
Ela imediatamente retrucava: -A mãe gosta de ouvir. E seguia repetindo a mesma
história, com uma incrível precisão.
Nesses encontros elas criavam seus momentos de silêncio.
Eu, garoto, muitas vezes ficava “antenado” na conversa para ver se haveria algum
detalhe diferente, para que, de alguma forma, pudesse provocar minha irmã. Nunca
tive essa chance.
Quando a encontro sempre comento: - Que precisão você tinha nas suas histórias,
heim? Ela só ri...
Hoje, já não moram mais juntas, minha irmã tem sua família, mas não deixa de
telefonar para nossa mãe, todos os dias, para que possam ter seus momentos de
silêncio.
Hoje, nossa paciente mãe, já não tem a mesma capacidade auditiva, então as
histórias tem que ser contadas algumas oitavas mais altas e com alguma
repetição, sem contudo que isso as atrapalhe.
Esse é um aspecto interessante, você já notou que muitas vezes há um grupo
conversando animadamente, de repente alguém grita: - Dá para vocês falarem mais
baixo, eu não consigo ouvir o que estão me dizendo aqui?
Os demais, já tendo atingido o estado de silencio, continuam a conversar e rir,
sem sequer se dar conta do pedido que lhes foi feito.
Nessa balburdia é possível encontrar pessoas entretidas com alguma leitura.
Meu amigo Fernando, já não o encontro há muito tempo, tem essa capacidade.
Uma vez que se concentre só um chacoalhão o tira desse estágio.
Meu melhor momento de silêncio é escrevendo, não chego a ter a concentração do
Fernando, mas poucas coisas me incomodam quando estou desenvolvendo alguma
idéia.
Outra forma de criar os momentos de silêncio, quando considero necessário, é nas
estradas, ao volante!
Dirigir nos caminhos da serra da Mantiqueira sempre me leva a um ponto
excepcional de relaxamento, reflexão!
Caminhar na praia é excepcional, em pouco tempo os sons das ondas integram nosso
silêncio.
Como as pessoas têm percepções diferentes só a sabedoria vai nos permitir
entender e respeitar o silencio de cada um de nós, criando ambientes agradáveis
e produtivos.
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
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