O Silêncio dos Adolescentes
Por Andrea G Umbuzeiro
07/05/2010
Os pais desejam falar com os seus
filhos adolescentes e saber o que pensam, sente e fazem, mas os jovens não
falam... Isto é normal?
“Às vezes sinto que falar com uma parede é mais fácil do que arrancar uma
palavra ao meu filho”, diz uma mãe, que logo acrescenta: “quando responde com
monossílabos sinto que tivemos uma grande conversa”.
Claramente, esta é a fase do silêncio. A nova forma de comunicar-se é o silêncio
ou, no melhor dos casos, as frases entrecortadas. Alguns livram-se de cair nesta
etapa, mas são muito poucos. Por isso, é normal encontrar tantos pais
desesperados com a indolência dos seus filhos. Tomar consciência do que se trata
e de porque acontece é uma boa ajuda, pois assim é possível aprender o lado
positivo, que neste caso, não é pequeno.
Durante a infância as crianças estão completamente viradas para o mundo
exterior, comunicam e recebem ordens sem problemas. Mas na puberdade, e fazendo
isso parte de um processo absolutamente normal, começam a ter uma maior
preocupação por outros aspectos de si mesmos.
No início, isto toma a forma de introversão passiva, para ir progressivamente
tornando-se ativa. Desligar-se de tudo o que é exterior para melhor conhecer a
sua interioridade e se encontrar com a sua intimidade. Precisam de um certo
isolamento para pensarem e refletirem acerca de quem são, da suas novas
experiências e formas de sentir o mundo. Há uma espécie de retiro e um
abandonar-se a não fazer nada; podem passar um dia inteiro fechados.
Quando crescem um pouco mais, o silêncio mantém-se, mas é acompanhado de uma
procura de modelos com os quais se identificam para criarem um ideal de si
mesmos.
O que é mais normal com esta atitude é que os pais percam a paciência. Mas é
importante que eles tomem consciência de que se trata de um processo de
conhecimento. Assim, tendo em conta certos pontos, e sabendo quais são as
conseqüências positivas, será mais fácil compreender os anos de introversão.
Atualmente, as pessoas tornaram-se mais intolerantes perante os silêncios
individuais. Tornamos-nos muito barulhentos à medida que não escutamos mais a
nós mesmos e perdemos a capacidade de contemplação e meditação. Talvez seja um
ponto de reflexão quando falamos em adolescência tardia, pensarmos nesse
recolhimento contemplativo. A adolescência é o principio de um crescimento
qualitativo, onde nasce a consciência da própria intimidade que é fundamental
para a revelação como pessoa.
Vivemos num ambiente acelerado, tudo se fala, tudo se diz e não se respeitam os
momentos de silêncio, que são fundamentais para o desenvolvimento da intimidade.
O silêncio é o estado normal e estar calado é também uma forma de comunicação.
As informações também são passadas através do silêncio, por isso, os
adolescentes estão nos dizendo alguma coisa. Nós, os pais, devemos desenvolver a
habilidade de decifrar o que está acontecendo.
O silêncio normal nesta idade tem haver com a procura da intimidade, é uma
reflexão que se exprime com tendência ao isolamento. Este silêncio, porém, é
diferente do silêncio que é acompanhado de hostilidade, ou de problemas de
relacionamento com os pais, ou de baixo rendimento escolar. Neste caso é um
problema que tem de ser solucionado. Quanto mais áreas este silêncio comprometa,
mais preocupante é. Se o silêncio é excessivo já é negativo.
É importante dizer que compreender o silêncio é a melhor forma de comunicação.
Temos que evitar cair na tentação, de que, como não me fala deixo-o sozinho.
Saber esperar. A paciência vale ouro, respeitando o silêncio, evitando zangar-se
por não haver resposta. Uma criança que sente que a respeitam, finalmente, no
fim da sua adolescência, será, sem dúvida, capaz de exprimir os seus pensamentos
e combinar muito bem as duas perspectivas humanas: a intimidade e a capacidade
de agrupar-se com os outros.
Respeitar o silêncio dos adolescentes e permitir-lhes que desenvolvam um mundo
próprio, com limites, é uma iniciativa que deve ser devidamente estabelecida.
Andrea G Umbuzeiro é comunicóloga com MBA Gestão de Pessoas, habilitada no
Instrumento MBTI® I e II, Practitioner em PNL – Programação Neuro Lingüística,
Emotóloga e Terapeuta - CRT 21.473.