Somos Apenas Números
Por Reginaldo Rodrigues
03/02/2010
Aniversário de 12 anos da minha afilhada, demorei vários minutos até fazer
as contas e falar com exatidão a idade dela, fomos eu minha filha no
Hipermercado para comprar o presente. Tudo ia muito bem até chegarmos ao
caixa. Tirei o cartão do bolso, entreguei a sorridente menina que me
atendia, até que ela me disse: "Digite sua senha senhor..." Olhei pra ela
com aquela cara de ingênuo e fiz a pergunta mais idiota que poderia fazer:
"Minha senha?" E ela balançou afirmativamente a cabeça. Olhei o teclado, a
fisionomia ansiosa da minha interlocutora, o rosto gordinho da minha filha
que já queria abrir o pacote de balas que acabei permitindo que passasse
junto com o presente... e nada. Os números não vieram à mente.
Definitivamente não acertei a senha. Depois de duas desastrosas tentativas,
não quis arriscar a terceira, sob pena de ter o cartão bloqueado.
Reparou como somos pressionados o tempo todo pelos números? Na rua o que
mais temos ouvido: Quanto é o prêmio para que ganhar "A Fazenda 2"? São
quantos participantes do Big Brother? Quanto levará o vencedor? Ou então,
quanto a mega sena ta pagando? Quanto foi desviado no mensalão do
Democratas? Quantos morreram em mais uma tragédia? Esse ano o carnaval vai
dar quando? SÓ NÚMEROS. Confesso que não sei de cor o número da minha
identidade ou do CPF. Nem da carteira de motorista. Muito menos do título de
eleitor. Que ano mesmo fiz o exército? Não sei. Quando entrei na primeira
série, ou concluí a oitava, o segundo grau? Sei não. Quando comecei a
faculdade? E a formatura foi em que ano? Éramos quantos? "Isso realmente
importa?" Essa semana pediram o número do RENAVAN do meu carro. "Ah, vou
precisar também da numeração do chassi." O quê? Não sei nem a placa! Já
tenho que saber o número da minha residência, chegando lá preciso do número
do apartamento e de vez enquando alguém ainda me pede o CEP da rua que tem
oito dígitos. Desse jeito como é que vou guardar os números dos meus dois
celulares e do telefone fixo da minha casa e do escritório? Falando em
empresa, tem o endereço de lá, o CNPJ... mais números? E as datas... ah...
as datas! Aniversário de namoro, de casamento, de nascimentos... ufa!
Aniversário de esposa, filhos, amigos, irmãos... fala a verdade, você
consegue? Os números das contas nos bancos... as senhas de cada cartão... e
nas agências fique de olho na senha do atendimento senão você "baila". Há
senha pra entrar nos computadores, depois para acessar e-mails...
brincadeira.
Sou um dos que tem o péssimo hábito de dizer que isso é memória seletiva. Só
me lembro daquilo que é realmente necessário, o restante, se for
conveniente, anoto. Brincadeiras à parte, uma amiga me indicou um livro, na
verdade um curso de memorização. Se valer depois eu indico. Querem saber
como paguei a conta no supermercado? Depois de algum constrangimento o
tradicional chequinho me salvou de vexame maior. Isso depois do documento
ter passado na mão de três pessoas superiores à moça do caixa, que já não
estava mais tão simpática. Pelo menos preenchi corretamente os números no
cheque. Ganhei até uns dias no pagamento! Apliquei o famoso "Bom Para".
Quanto ao cartão, fui ao banco e mudei a senha. Vamos aguardar a próxima
compra, mas na dúvida, vou anotar no papelzinho.
Reginaldo Rodrigues é Graduado em Comunicação Social com Pós em Gestão
Estratégica em Marketing - Palestrante e Consultor - Blog:
reginaldorodrigues100.blogspot.com - Twitter: twitter.com/reginaldorod -
Site: www.rcem.com.br