Tudo o que você precisa saber para construir um plano de comunicação eficaz
Por Nori Lucio Jr.
18/06/2009
Estratégia de comunicação tem por objetivo
comunicar de forma clara e compreensiva a proposta
de valor da empresa, ou seja, “o que” a empresa, por
meio de seus produtos e serviços, tem para oferecer
ao seu público-alvo (clientes).
A estratégia de comunicação também deve telegrafar o
posicionamento da empresa. Uma combinação entre: a)
a identidade da empresa; b) imagem que a empresa tem
perante o mercado; e c) proposta de valor
materializada por meio de seus produtos e serviços.
Muita calma nesta hora! Este é “O MOMENTO” de
investir uma boa parte da sua verba destinada a
marketing e comunicação.
É fundamental obter o máximo de indicações formais
de que a empresa está realmente pronta para
“vocalizar” sua essência para seus clientes sem
causar “dissonância cognitiva”. Em bom português:
evitar uma reação negativa ou, pior ainda, uma
reação de descrédito quando a mensagem chegar aos
ouvidos dos clientes.
Compreender o “arsenal” das ferramentas de
comunicação disponível, ou, tecnicamente falando, o
“mix de comunicação” disponível é o primeiro passo
antes de colocá-lo em uso.
“Cada ferramenta de comunicação atua como um
‘amplificador’ que entrega a mensagem ‘da Empresa’
aos ouvidos do público-alvo com maior ou menor
intensidade e com mais ou menos ruído.”
CONSTRUINDO UM PLANO DE COMUNICAÇÃO EFICAZ
Seguindo a metáfora do “amplificador” para explicar
novos conceitos... Existem também interferências, ou
seja, várias empresas utilizando-se do mesmo
“amplificador” (share of voice), o que significa que
a voz “da Empresa” ou sua forma de expressão tem que
ser transmitida alta e claramente (stopping power)
para sobressair (breakthrough the clutter) a dos
concorrentes, que muitas vezes estão investindo mais
dinheiro (share of investment) e acabam por chegar a
um número maior de clientes (reach) e também com
maior freqüência (frequency).
Conhecer bem o público-alvo nesta fase é fundamental
para que o volume de investimento possa impactá-los
de forma eficiente, ou seja, você pode comprar um
“amplificador” só para você (roadblock), o que custa
caro, mas definitivamente será mais eficiente.
Um plano de comunicação eficiente deve cercar,
“orbitar” o público-alvo, ou seja, devem-se mapear
com maior precisão possível os “pontos de contato”
com este público para GARANTIR AFINIDADE e priorizar
os investimentos no mix de comunicação EVITANDO
DISPERSÃO.
Focar em táticas que tenham maior afinidade com o
público-alvo e menor dispersão é fundamental para
eficiência do plano.
O próximo passo é definir o conjunto de atividades
que serão destinadas de forma equilibrada a cada um
dos três pilares: “construção da marca”, “geração de
demanda” e “desenvolvimento dos canais de vendas”, e
assim decidir quanto investir em cada um destes três
pilares conforme as prioridades da empresa.
A integração completa entre programas de marketing e
vendas que têm objetivo de construir sua marca,
gerar demanda e desenvolver seu canal de vendas.
PROPAGANDA - não jogue dinheiro no lixo!
Sua empresa pode, rapidamente, jogar 80% da verba de
marketing e comunicação no lixo!
Nunca se deve usar qualquer tipo de propaganda fora
do contexto de uma campanha que comunique de forma
compreensível e multimídia a promessa que sua
empresa pretende fazer a seus clientes. É um erro
grave investir em propaganda com o objetivo de
explicar, ou pior, "evangelizar", uma determinada
experiência proporcionada por um produto ou marca
desconhecida.
Propaganda é uma ferramenta poderosa para recuperar
e organizar o que já está na cabeça de seu cliente
sobre sua empresa. É uma ferramenta de mão única
ainda muito usada pela pré-histórica escola de
comunicação que resiste ao mundo digital. Existe um
ditado que diz que "metade do dinheiro investido em
propaganda vai para o lixo, só não se sabe qual
metade". Não arrisque - pergunte antes a um
especialista sobre como usá-la de forma eficaz.
* PROPAGANDA COOPERADA
Empreste, ou pegue emprestado, o poder da marca do
seu parceiro de negócio. Propaganda cooperada tem
duas funções:
1. Emprestar sua poderosa marca para um parceiro
estratégico que não tem o mesmo peso ou
reconhecimento.
2. Associar sua marca, pegar uma carona nos
atributos de uma marca de grande reconhecimento. A
propaganda cooperada nunca deve ser executada
sozinha, ou seja, é uma extensão de uma campanha
central.
* PROPAGANDA COM TESTEMUNHAL E ESTUDO DE CASO
Credibilidade com aplicabilidade. É uma tática
simples e rápida de comunicar o benefício de um
produto ou serviço. Combina dois elementos
poderosos: a "voz do cliente" relatando sobre o
"benefício real" que ele teve ao adquirir o produto
da sua empresa.
Esse tipo de propaganda deve ser utilizada em
conjunto com uma ação de assessoria de imprensa. As
duas juntas têm grande afinidade e amplificam eficaz
e exponencialmente a credibilidade da mensagem.
ASSESSORIA DE IMPRENSA
Construindo a marca com credibilidade e neutralidade
do jornalismo. A forma mais eficiente de explorar ao
máximo esta excepcional ferramenta é alinhá-la com
os objetivos da empresa. A partir daí, deve-se
mapear e conhecer as publicações e editores com
maior afinidade. Como métrica de sucesso, torne sua
empresa uma fonte confiável de informações, na qual
o editor pode colher o que precisa para suas
publicações.
São pouquíssimas as empresas que sabem usar
assessoria corretamente. Normalmente confundem
assessoria de imprensa com propaganda gratuita e não
conseguem mais do que notinhas de rodapé na sessão
de miscelâneas e, claro, a antipatia dos editores.
MANUAL DE IDENTIDADE VISUAL
Não sai de casa sem ele!
O manual da marca confina através das suas regras
bem definidas a exaltação do ego criativo de
agências que pensam apenas em ganhar prêmios.
Confina também o mau gosto de indivíduos internos da
empresa que acreditam profundamente que podem
construir campanhas eficazes. Use o manual de
identidade visual como um amuleto contra estas duas
forças perversas. Mantenha-o sobre o poder de um
diretor sênior ou presidente que não se deixe levar
por entusiasmo nem mau gosto. O manual de identidade
visual é O caminho para construção consistente e
coerente da marca ao longo do tempo.
MATERIAL INSTITUCIONAL: OBRIGATÓRIO E INDISPENSÁVEL
Não culpe o cliente por não entender seu
posicionamento. Sua empresa é quem está promovendo o
caos!
* O FILME
Muito usado em festinhas, feiras e convenções. Um
verdadeiro desperdício de dinheiro do acionista! O
filme institucional tem uma função nobre,
fundamental para a compreensão do posicionamento da
empresa. É uma ferramenta obrigatória para o time de
campo que fala com os clientes. NÃO, você não quer o
time de campo apresentando a empresa com suas
próprias palavras! Tenha absoluta certeza que sua
marca não estará sendo violada a cada contato.
* O FOLDER INSTITUCIONAL
Companheiro inseparável do FILME INSTITUCIONAL.
Juntos, têm a função de em 15 minutos de conversa
com o cliente posicionar de forma compreensível sua
empresa, seus produtos e serviços. Pedem permissão
para que a extensão da reunião seja suave a favor da
sua empresa. Torne obrigatória a utilização destas
duas ferramentas para qualquer indivíduo que tenha
relacionamento com o cliente. Ou então, confie o
destino da sua marca a capacidade de articulação e
dicção de seus representantes. Receita infalível
para o fracasso na construção da marca!
EVENTOS
Mostre a cara!
A presença física e o toque são fundamentais para a
materialização da empresa e seus produtos. A atitude
na forma dos valores da empresa só é transmitida com
eficiência com a presença física. Existem vários
tipos de eventos que podem ser elaborados de acordo
com a estratégia a ser perseguida:
* MESA REDONDA
Evento qualitativo. Convida-se nominalmente um grupo
seleto dos principais clientes. Para este tipo de
evento deve-se buscar uma mescla saudável entre
malho de vendas e algo que promova o relacionamento.
É muito comum uma degustação. Busque memorabilidade!
* SHOW CASE
Neste tipo de evento a empresa mostra pra seus
clientes tudo o que tem. Expõe seus produtos e
serviços para "degustação" e permite ao cliente,
através do representante de vendas, manipular o
produto ou explorar o potencial de um determinado
serviço. Busque a degustação do que se está
promovendo.
* ROAD SHOW
Leve a experiência para o cliente em sua cidade.
Combinar o roadshow com show case é uma técnica
eficaz para promover um excelente encontro entre
empresa e cliente. No roadshow seja generoso. Busque
horários alternativos, sessões repetidas e hotéis de
qualidade.
* FEIRAS E EXPOSIÇÕES
Tematize sua presença na feira. Seu stand é sua cara
e seu posicionamento!
Aproveite para combinar sua presença na feira com
assessoria de imprensa, já que é um hot topic em
destaque. Aproveite também para realizar eventos
paralelos. Seu público muitas vezes viaja de todos
os lugares para visitar a feira. Por isso, jantares,
festas, cafés da manhã, coquetéis etc. são uma ótima
oportunidade ao redor destes eventos.
* CONVENÇÕES
Treine, capacite, mas principalmente celebre!
Uma convenção é um evento que deve acontecer ao
menos uma vez por ano. É um momento de compartilhar
as estratégias para o ano seguinte. Apresentar novos
produtos e serviços não somente para os
representantes e colaboradores, mas também para os
clientes que transacionaram com a empresa ao longo
de um ano. Não use todo o tempo apenas para assuntos
relacionados ao dia-a-dia do trabalho. Celebre,
distribua reconhecimento por desempenho, distribua
prêmios, apresente novos desafios e programas de
vendas e marketing.
CUSTOM PUBLISHING
Toda empresa tem um catálogo de produtos. Uma opção
é misturar seu catálogo de produtos com um editorial
e transformá-lo em uma revista que organiza a
exposição de seus produtos de forma contextualizada.
A tática de construir revistas customizadas ao
negócio vem crescendo muito. É uma forma de
organizar a experiência do produto ora mostrando
features, ora deixando experts e iluminados da
indústria dar seus testemunhos sobre tendências,
expectativas de mercado, aplicabilidade etc. Não use
on-line. Mesmo que mais caro, imprima e entregue um
exemplar físico. Outra boa tática é encartar com a
publicação mais importante do setor que sua empresa
está inserida.
INTERNET
O conceito a ser perseguido é que o público alvo
deve estar a um click do que está buscando.
* INTERNET VIA HOT SITE
É uma área de aterrissagem específica para um
programa de vendas específico ou para um produto que
acabou de ser lançado.
É, definitivamente, uma boa ferramenta para
consolidar todas as informações que orbitam um
produto ou promoção. O hot site deve ser simples,
direto ao ponto e oferecer exatamente o que o
cliente busca. Portanto, neste caso, menos é mais!
* SITE INSTITUCIONAL EQUIPADO COM E-Commerce
Desative seu site monolítico, chato e inútil. - Use
a internet como portal de relacionamento com seus
clientes.
Existem várias funções que habilitam seu site a
tornar-se um portal de relacionamento interativo com
o cliente ou grupos de clientes específicos. Popule
o site com conteúdo relevante, estimule o retorno,
reforce a utilização do conteúdo via newsletters
periódicas.
Permita downloads, aponte para links afins, publique
pequenos filmes, monte um blog, estimule chat,
publique vídeo treinamento sobre especificações de
produtos, disponibilize material de divulgação,
E-Commerce etc.
O PLANO DE COMUNICAÇÃO
Só chame ou fale com seu cliente quando estiver
seguro do seu posicionamento e mensagem. Se não tem
nada pra falar, o melhor mesmo é ficar quieto.
Não se aventure por este caminho sem ajuda de um
especialista. Um plano de mídia eficiente deve ser
integrado, cross-mídia e que tenha capacidade de
cobrir diversos pontos de contato com o cliente, ou
seja, desde seu despertar até a hora de dormir,
passando pelo trabalho, casa, trânsito, lazer etc.
Cada ferramenta de comunicação tem uma função bem
definida. Usou errado, verba de marketing foi para o
lixo e sua empresa continua no anonimato!
Conheça os elementos do MIX DE COMUNICAÇÃO antes de
decidir sobre o Investimento:
* TV
Só deve ser usada no caso de produtos que precisam
aparecer para grandes massas. Mesmo assim, deve-se
observar o mínimo de freqüência para que a empresa
apareça minimamente. Não se compra TV por unidade de
anúncios, mas por índices de cobertura e freqüência.
Esta ferramenta é uma grande comedora de verba de
marketing e de eficiência cada vez mais questionável
por sua característica unilateral. Prefira TV a
cabo! Se tiver duvidas do porque, tente assistir TV
aberta por mais de 5 minutos e responda,
honestamente, se associaria sua marca a algum destes
programas.
* MERCHADISING
Ótima forma de associar sua marca em uma situação
real. Extremamente caro já que normalmente entra no
contexto de uma novela, por exemplo, e o cliente não
tem nenhum controle sobre a exposição já que o autor
é quem decide como será inserido o produto e por
quanto tempo. Se sua empresa não está entre aquelas
que têm mais dinheiro de marketing que idéias, não
use!
* RÁDIO
Difícil utilização! é comum ouvirmos propagandas
toscas no rádio. O erro mais freqüente é tentar
simular uma experiência proporcionada por um produto
sem imagem. Rádio precisa de muita freqüência para
que sua empresa apareça minimamente. Nunca use
isoladamente, procure patrocinar programas
específicos que têm afinidade com sua marca ou
produto.
* JORNAL
Baixíssima retenção. Compra-se, lê-se e na mesma
noite vai para o quintal para o cachorro fazer xixi
sobre ele. Não use para construção de marca. Use
para ações pontuais de geração de demanda em
programas de vendas específicos com períodos bem
definidos.
* REVISTA
Ótimo meio de comunicação. Principalmente as
verticalizadas ou especializadas em um determinado
tipo de indústria. Prefira sempre páginas duplas, ou
melhor, ainda, use formatos impactantes como z-fold
ou gate-fold. Uma boa estratégia é utilizar formatos
mais impactantes, mais caros, para o lançamento de
uma campanha e depois sustentá-los com páginas
duplas. Se você só tem dinheiro para páginas
simples, use seu dinheiro em outra ferramenta de
comunicação.
* BANNERS
Não têm muita eficiência e devem ser trocados com
freqüência, já que viram parte da paisagem
rapidamente. Alternativas como compras de palavras
chave via Google ou otimização dos sites de busca
com SEO são alternativas com melhor custo beneficio.
Em hipótese alguma use pop-ups.
* PROMOÇÕES VIA INTERNET - Email marketing é muito
frágil!
Esta ferramenta de custo muito baixo se popularizou
através dos SPAMs que a transformou em vilã,
aniquilando sua promessa de eficiência, custo baixo
e performance. No entanto, para quem sabe utilizar,
é uma ferramenta muito eficaz. Use sempre
acompanhada pelo televendas proativo. As promoções
de cross selling e upselling devem ser entregues por
email marketing e reforçadas, imediatamente após o
disparo, pelo televendas de forma proativa.
* INFORME PUBLICITÁRIO
Excelente ferramenta para lançamento de campanhas.
Seu uso deve ser muito pragmático e bem formatado
para facilitar a vida dos que decidirem ler. Cuidado
para não colocar um informe numa revista de baixa
afinidade com seu público-alvo. A chance de alguém
ler é exatamente nenhuma.
* MOBILIÁRIO URBANO
Cidade limpa deveria ser um programa obrigatório em
todas as cidades para evitar a poluição visual. Se
em sua cidade, a propaganda de rua é livre, não use
esta FERRAMENTA para não misturar a imagem da sua
marca ao chiqueiro urbano. No entanto, existem
ótimas oportunidades de fazer diferença em lugares
específicos com aplicações bem elaboradas. Usar
dentro e fora do domínio de um aeroporto, por
exemplo, pode ser muito eficaz. Existem, por
exemplo, TVs internas, backlights, carrinhos,
promoções dentro do avião, revista de bordo,
outdoors etc. Definitivamente aeroporto é um bom
território a ser dominado!

IMPORTANTE
Considerações sobre “reach e frequency”: metodologia criada nos anos 70. Os
meios de comunicação de hoje, como a Internet, e a TV digital, não existiam
naquela época. Portanto, este método, se seguido, deve sê-lo com muita cautela.
Não é uma regra que garante o sucesso do plano, muito pelo contrário, é uma
regra que pode “queimar” literalmente seus investimentos extremamente rápido. As
agências tradicionais, que seguem o modelo ultrapassado de montar um plano de
mídia, gostam desta regra porque conseguem alocar maior volume de dinheiro em
ações tradicionais “above the line”, em que se cria um filme de TV, por exemplo,
e se gasta a maioria do investimento do cliente com o mínimo esforço. Já o
“below the line” dá trabalho, é menos rentável e muito mais difícil de
implementar. Na maioria das vezes, quando um plano de comunicação não gera
nenhum efeito é porque esta observação importante foi negligenciada.
“Um plano de comunicação efetivo também deve mapear os hábitos dos clientes para
impactá-los durante seu dia-a-dia.”
Exemplo: Público-alvo é aqui representado pelo ‘Pedrinho’
1. Acorda pela manhã e liga o rádio na estação de notícias;
2. Dirige até o trabalho ouvindo rádio, numa via com muitos outdoors;
3. Chega ao trabalho e acessa o site de Notícias e Saúde;
4. Lê seu jornal preferido;
5. Dá uma olhada na sua revista semanal e mensal que carrega na sua pasta;
6. Checa seu e-mail pessoal;
7. Abre sua correspondência com várias malas diretas de várias empresas;
8. Volta do trabalho pela mesma via com outdoors, só que agora ouve música;
9. Chega em casa, liga TV para ver o jornal e assistir novela;
10. Depois da novela, vai ao cinema.
Nori Lucio Jr. é
fundador da brandMe, consultoria especializada em planejamento estratégico. - 20
anos de experiência na indústria de tecnologia, com passagens pela gerência de
marketing e comunicação na Intel® e Microsoft®. Formado em marketing, com
especializações no Brasil e exterior, respondeu pelo desenvolvimento de vários
projetos relacionados a construção de marca, marketing & comunicação e
desenvolvimento de canais de venda no Brasil, América Latina e Estados Unidos.