Email Marketing: O que muda na era das redes sociais?
Por Veruska Reina
23/09/2010
O mercado brasileiro é o país com maior tempo médio de navegação residencial por
internauta. Os brasileiros passam, mensalmente, 23h30 minutos na web. Os EUA
ficam, em média, 19 horas navegando na rede, ocupando o segundo lugar depois do
Brasil (fonte: pesquisa publicada na Época Negócios).
Não é à toa que os gastos com publicidade online e em redes sociais, segundo
pesquisa da Nielsen, cresceram 119% por lá, somente no mês de agosto desse ano,
em relação ao mesmo período de 2008.
Ainda falando dos americanos, 66% dos anunciantes usaram os canais de mídia
social em 2008, contra 20% no ano anterior, de acordo com estudo conduzido pela
Association of National Advertisers, BtoB Magazine e a prestadora de serviços de
marketing Mktg. O levantamento aponta que 55% dos entrevistados transferiram
recursos da mídia tradicional para campanhas realizadas em redes sociais.
No Brasil? Infelizmente não há muitos números sobre o uso desses canais de
contato. Aqui, por enquanto, tive acesso apenas aos investimentos em publicidade
digital, que cresceram 22,8% no primeiro semestre de 2009, pelo relatório
Inter-Meios.
Rumo às mudanças
O cenário é mais do que prova da necessidade urgente de mudanças que devem
ocorrer na visão de nosso mercado em relação às redes sociais, ou melhor, na
visão das empresas. Os usuários estão a mil. Dos 55 milhões de participantes do
Orkut, 54% (29,7 milhões) são brasileiros. Isso mesmo, mais da metade. Porém, os
maiores investidores nessa relação social estão fora daqui. Motivos? Diversos.
Publicações dizem que tememos exposição, nos preocupamos com a reputação e com o
fato dela ser ameaçada em um contato inédito e aberto com uma infinidade de
pessoas.
Reticente às mudanças, ainda continua sendo preferível, para a maioria das
companhias, comandar a oferta e fazer com que a demanda seja adequada ao que
propõe. É claro que o panorama vai mudar, aliás, já está mudando, porque é mais
do que perceptível que o investimento em mídias sociais é um caminho sem volta.
Felizmente, mais rápido para alguns que acabam saindo na frente.
Procuro inspirar meu modelo de negócios na capacidade inesgotável de inovação da
Amazon.com. Em recente entrevista para o portal HSM, Andreas Weigend,
ex-cientista-chefe da Amazon e especialista em comportamento do consumidor
online, discorre sobre o poder das mídias sociais para evolução das marcas. Ele
aponta que o crescente desejo das pessoas de compartilhar suas opiniões,
experiências e aspirações, dá às empresas uma oportunidade de ouro para captar,
medir e conectar dados e, depois, utilizá-los no desenvolvimento do novo
marketing das redes sociais.
A Amazon não analisa e mensura apenas as transações feitas pelos e-consumidores,
mas dá a eles a oportunidade de interagirem até mesmo com feedbacks sobre o
tempo de carregamento entre uma página e outra, indicações para a correção de
possíveis erros de conteúdo, além de outras inúmeras possibilidades que são
exploradas ao máximo para melhoria contínua de seus serviços. Weigend afirma que
experimentos e pesquisas mostram que o marketing social costuma ser de cinco a
dez vezes mais eficaz do que outras formas de marketing.
Email marketing x Redes Sociais
É nesse ponto que quero chegar. Sabemos que o email marketing é uma ferramenta
extremamente mensurável, quando falamos em medir o ROI. Você produz a campanha,
define a lista para disparos do email – sempre a uma base opt-in -, envia a
ação, mede o número de cliques e consegue ver quem interagiu com sua marca. Mais
acesso ao perfil comportamental que isso, apenas…nas redes sociais.
Diferentemente do email marketing, a coleta de informações sobre o que pensam de
sua empresa, produto e serviço é reativa. Você não emite, você recebe, desde que
esteja disposto a abrir um canal onde o fluxo de informações seja transparente.
Se as mídias sociais são oportunidades de ouro para as empresas saberem o que
fazer para seguir os rumos atentas ao que seu consumidor anseia, a integração
delas com o email marketing é o diamante para uma campanha. Isso porque o email
marketing já fornece possibilidades fantásticas para atender ao mercado como ele
deseja. Haja vista as ações que podem ser aplicadas para realizar a “segmentação
da segmentação”.
Já tive a oportunidade de clicar em um produto de meu interesse veiculado em uma
campanha de email marketing e, em poucos instantes, receber uma infinidade de
temas relacionados ao meu perfil de consumo. Isso é marketing transacional
possibilitado pelas diversas funcionalidades que a tecnologia proporciona em um
sistema para envio e gestão de ações de marketing por email.
Integrar suas ações de email marketing ao twitter, por exemplo, já é possível.
Poder acompanhar a geração e projeção de sua campanha através dessa integração
pelos seguidores, é fantástico. As mídias sociais oferecem inúmeros recursos e
cabe a nós saber como aproveitá-los.
Os chamados dados sociais – o que você coleta, ou deveria coletar, de informação
na era da web 2.0 – servem de subsídios também para estruturação de uma
campanha. O trabalho é detalhado, mas compensador. Uma equipe dedicada ao
monitoramento digital social é investimento e não centro de custo. As agências
de publicidade e propaganda já estão formando áreas exclusivamente dedicadas
para esse processo.
Com a pesquisa em mãos, pode-se descobrir opiniões e sugestões altamente
relevantes para uma ação digital, seja ela qual for. E, quando for uma ação por
email marketing, você pode direcioná-la para um grupo formador de uma mesma
opinião – que identificou naquele trabalho minucioso feito nas redes sociais -,
mensura, analisa a receptividade, descobre a proveniência dos cliques e, ainda,
vai ao encontro do que esse destinatário expôs em rede pública. Ponto positivo!
Mais uma vez, mediu a eficiência de sua ação e, ainda, aumentou e muito a
probabilidade de fidelizá-lo. O efeito é cíclico, se ele gostar – e olha que as
chances disso acontecer quando se segue esse caminho são bem maiores – novamente
é possível ganhar, só que agora, na viralização.
A conquista de seu público, mais uma vez, só depende de você. Fazê-lo proliferar
a marca, o produto ou o serviço é consequência de sua ação inicial. Claro que o
marketing viral na era social não depende mais de você, mas com certeza pode ser
potencializado pelas etapas anteriores. E não se esqueça da lição de casa. Mesmo
indo ao encontro do que ele precisa, não se pensará nisso se deixar de cuidar da
visualização da campanha, do layout, do HTML e do conteúdo, porque nós,
brasileiros, temos uma leve tendência à crítica e se isso acontecer, todo o seu
trabalho foi por água abaixo. Um post negativo no twitter pode dar muito mais
repercussão que o positivo.
Por último e não menos importante, se sua empresa não abriu ainda um canal de
comunicação público ao mercado, se não investiu na construção de um blog ou
participa ativamente de comunidades virtuais/sociais, sinto dizer, mas parece
que está bem atrás do mais importante: a vantagem (digital) competitiva.
*Veruska Reina é CMO da VIRID Interatividade Digital, Proprietária das
plataformas Virtual Target e Zartana - veruska@virid.com.br