1950 – a Chegada do “Modelo Americano” de Gestão Empresarial
Por Julio Cesar S. Santos
12/03/2011
O Que Caracterizou o Modelo Americano de Gestão? Quais Foram as
Principais Contribuições Americanas ao Estudo da Gestão Empresarial?
No início da década de 1950 os mestres-de-obras europeus passaram a ter
novamente um cronômetro em suas mãos, conforme havia sido ensinado por Frederick
Taylor anos antes. Nas fábricas foi instalado um escritório com os tempos
elementares de cada produto a ser fabricado, bem como uma comissão de
funcionários para avaliar a produtividade da empresa.
A viagem para a Europa – então denominada a "Meca da Gestão Empresarial" –
tornou-se quase obrigatória para os executivos americanos e, de acordo com o
Plano Marshall de recuperação da Europa, milhares de patrões voaram para lá a
fim de absorverem conhecimentos sobre Gestão Empresarial.
Entre as descobertas européias estão a formação dos operários com a instrução
adequada para cada função, as relações de trabalho mais amenas, a simplificação
das tarefas e a segurança no local de trabalho. Os chefes de pessoal – muitas
vezes antigos militares europeus que serviram na 2ª Guerra – se encarregavam de
organizar tudo nesse aspecto.
Porém, essas "missões de produtividade" (como eram conhecidas nos EUA) acabaram
se transformando numa ótima oportunidade para alguns americanos introduzirem uma
nova cultura de Gestão, feita à base de pesquisa, de venda e de controle
gerencial. E, essa nova forma de Gestão Empresarial se ensina até hoje nas
escolas de Administração Americana.
Na verdade, é na área privada que o modelo americano invadiu primeiro a Europa,
pois algumas ricas famílias européias tiveram seu lar invadido pelo "living-room",
pelos frigoríficos e pelas máquinas. No entanto, foi no início deste período que
chegou da América uma lição diferente:
Em 1954 Peter Drucker – através do seu livro Gerenciamento na Prática –permitiu
às pessoas aprenderem a dirigir algo que somente aos gênios era possível e que
não se conseguia reproduzir (o gerenciamento). Este livro é um marco na história
da Gestão Empresarial, não só pelas idéias que fornece como pelo papel central
no século XX que atribui à disciplina.
Numa das frases mais memoráveis da literatura desta área, Drucker afirma: "Só há
uma definição válida do objetivo de um negócio: criar um cliente". Dessa forma,
Peter Drucker acabou criando uma nova disciplina no aprendizado – o
"management".
A partir de então, todos os gurus do planeta encontraram sua inspiração
empresarial neste idoso consultor de empresas, cujos conceitos são clássicos até
hoje como a gestão por objetivos – por exemplo – que só seria difundida 10 anos
depois de lançada.
Dessa forma, inúmeras empresas americanas passaram a fixar objetivos específicos
às pessoas, as quais deveriam agora prestar contas do seu desempenho no fim de
um período. Mesmo princípio ao nível dos departamentos, das divisões, dos
setores, etc. A gestão por objetivos – explicava Drucker – garante o rendimento
e transforma necessidades objetivas em ambições pessoais. Esta é a verdadeira
liberdade. Uma liberdade com lei – dizia Drucker.
Foi uma década rica na literatura de negócios americana, a qual ficou marcada
pela "Escola das Relações Humanas" fundada anos antes. Nesse período o psicólogo
Abraham Maslow fazia sucesso com seu livro "Motivação e Personalidade",
conhecido por uma contribuição fundamental para a compreensão da natureza e da
psicologia humana nas organizações – a hierarquia das necessidades – conceito
que Maslow lançara em 1943. Segundo ele, existia uma escala ascendente de
necessidades que devem ser satisfeitas, sob pena de as pessoas não se motivarem.
Em 1959 Frederick Herzberg lançou seu livro – A Motivação no Trabalho –
perguntando a 200 engenheiros e contabilistas o que lhes agradava e desagradava
no seu trabalho. Desse inquérito nasceu a famosa distinção entre fatores
higiênicos e motivacionais, provando que os fatores que nos dão satisfação não
são necessariamente iguais aos que conduzem à insatisfação.
Fechando a década, em 1960 Douglas McGregor apresentou duas descrições do
pensamento dos gestores empresariais: a teoria X (os trabalhadores são, por
natureza, preguiçosos) e a teoria Y, no outro extremo, baseada na premissa de
que as pessoas querem e precisam trabalhar.
O Movimento Pelas Relações Humanas no Trabalho
Esse movimento surgiu como uma reação ao mecanicismo que imperava nas
organizações à época. A elevação das pessoas à preocupação fundamental dos
gerentes passou a ser um marco na história da Gestão Empresarial. Tudo começou
com a pesquisa empreendida por Elton Mayo, entre 1927 e 1932 na fábrica da
Western Electric, em Hawthorne, Chicago.
Estudando as atitudes e os comportamentos dos seus trabalhadores, Mayo descobriu
que a produção melhorava quando os trabalhadores acreditavam que os gestores se
preocupavam com o seu bem-estar. Apaixonado pelos estudos, Elton Mayo defendia
que a auto-estima era vital para o bom desempenho dos funcionários. Ele alertou
para a necessidade de existirem "canais de comunicação" entre os trabalhadores e
a direção, para que os indivíduos e os grupos se identificassem com os objetivos
da empresa.
No entanto, o melhor desses estudos só viria a ser aproveitado nos anos 50,
quando surgiu nos Estados Unidos um grupo de pensadores — mais tarde chamado
"Escola de Relações Humanas" — cujas figuras centrais são Douglas McGregor,
Abraham Maslow e Frederick Herzberg.
Ao psicólogo social Douglas McGregor deve-se uma das maiores contribuições para
o estudo dos fatores de motivação, a teoria X e Y. A teoria X defendia que os
trabalhadores eram por natureza preguiçosos, necessitando por isso ser
supervisionados e motivados, pois para eles, o trabalho era um mal necessário.
Por outro lado, a teoria Y defendia que as pessoas queriam e precisavam
trabalhar.
Quando morreu, em 1964, McGregor trabalhava na formulação da teoria Z, que
visava fazer o encontro entre as aspirações individuais e da empresa. Já Abraham
Maslow trabalhava na pirâmide da hierarquia das necessidades, que tem como base
as fisiológicas (abrigo, alimentação, calor) e como cume as de auto-realização.
Assim que uma necessidade está satisfeita, ela deixa imediatamente de ser um
motivador. E o psicólogo Frederick Herzberg identificava depois os fatores
higiênicos (ou de motivação), tais como as necessidades econômicas básicas, se
opondo aos fatores motivacionais, os quais são dirigidos a aspirações mais
profundas. Bons fatores higiênicos são necessários, mas não suficientes, para
motivar as pessoas.
Julio Cesar S. Santos é Professor, Consultor, Palestrante e Co-Autor do Livro: "Trabalho e Vida Pessoal - 50 Contos Selecionados". Elaborou o curso de “Gestão Empresarial” e atualmente ministra Palestras e Treinamentos Sobre Marketing, Administração, Técnicas de Atendimento ao Cliente, Secretariado e Recursos Humanos. Contatos: jcss_sc@yahoo.com.br (21) 2233-1762 / (21) 9423-9433 / www.profigestao.blogspot.com