O Atendimento como Prestação de um Serviço
Por Julio Cesar S. Santos
05/07/2011
O Que Diz Tom Peters Sobre Lealdade às Marcas e Empresas? Por Que
Empresas Perdem Participação de Mercados?
Estudos recentes comprovam que o índice de satisfação dos consumidores se eleva
significativamente na medida em que suas reivindicações são atendidas pronta e
imediatamente. Eis um bom exemplo: _ Três pessoas compraram três televisões da
mesma marca, modelo, tamanho, na mesma loja e sob as mesmas condições de
financiamento. Passados seis meses o aparelho de uma das pessoas apresentou
defeito que impedia seu funcionamento e, diante disso, o consumidor levou-o à
assistência técnica.
Imediatamente e sem discussão a empresa emprestou ao cliente um novo aparelho do
mesmo modelo, enquanto consertava o outro. Meses depois os três consumidores –
que eram amigos e moravam próximos uns dos outros – foram entrevistados pelo SAC
do revendedor, o qual constatou que o consumidor que havia tido problema com sua
TV tinha um índice de satisfação bem mais elevado do que outros dois, cujos
aparelhos não apresentaram problema algum.
Esse exemplo evidencia o pensamento de Tom Peters no seu livro Prosperando no
Caos: “Um Problema Bem Resolvido Normalmente Gera Mais Lealdade Que Aquele
Anterior ao Incidente Negativo”. Ou seja, o consumidor depositou sua confiança
no serviço do revendedor e foi correspondido com um atendimento pós-venda que
resolveu o seu problema e, certamente, essa rápida providência de trocar os
televisores gerará lealdade à empresa e à marca.
Por outro lado, Peters afirma que construir uma boa reputação junto aos
consumidores não é tão fácil assim, pois além de tempo e dinheiro também se
exige uma profunda mudança na cultura da organização. Um problema não resolvido
ou um acordo não cumprido pode macular rápida e profundamente a imagem de uma
empresa.
O melhor exemplo disso é a empresa B2W – fusão dos Sites Americanas.com,
Submarino.com e Shoptime – a qual, fundada em 2007, acabou se tornando uma
referência no setor de comércio eletrônico brasileiro. Com capacidade para
despachar mais de um milhão de encomendas por mês, a B2W monopolizou o segmento
de comércio eletrônico e passou a responder por mais da metade de todo varejo
online do Brasil (Revista Exame – 05 / 2011).
Porém, no Natal de 2010 sua imagem ficou bem desgastada por conta do atraso de
suas entregas. Tudo o que seus consumidores esperavam era que suas compras
eletrônicas chegassem às suas residências da forma certa, no prazo correto e
pelo preço combinado. Essa expectativa foi rompida quando grande parte das
entregas natalinas só foi concretizada em fevereiro de 2011.
A reação dos consumidores foi imediata: _a B2W foi a empresa que mais recebeu
reclamações por problemas relacionados à entrega de produtos e serviços no
PROCON (SP). Pesquisa realizada pela Revista Exame constatou que o desempenho da
empresa foi pior do que o das operadoras de telefonia como a Telefônica e a TIM
– tradicionais campeãs desse tipo de ranking.
O preço das ações da B2W caiu 32%, seu valor de mercado despencou para menos da
metade do registrado no ano da sua criação e sua participação de mercado caiu
para 30,4 %. Atualmente, a 2ª colocada, a Nova Pontocom (que reúne as operações
online do Extra, Casas Bahia e Ponto Frio) já possui mais de 18% de participação
de mercado.
Acordos não cumpridos podem prejudicar consideravelmente a imagem de uma empresa
e, para piorar, a Internet – particularmente as redes sociais – se tornou uma
poderosa caixa de ressonância no relacionamento entre cliente e empresa. O
fabricante de bolsas e sapatos Arezzo – por exemplo – enfrentou protestos nas
redes sociais e decidiu recolher sua coleção produzida com peles verdadeiras de
raposa. Nessa época, a Arezzo virou líder de citações negativas no Twitter.
A web não perdoa mesmo quando o problema de um consumidor é resolvido, pois a
péssima publicidade para a marca fica registrada para sempre. Esse é o caso da
marca Brastemp que, quando digitada no Youtube, imediatamente aparece o vídeo de
um consumidor relatando sua penúria para conseguir trocar a geladeira com
problemas. Embora ele tenha recebido um novo aparelho, sua reclamação foi vista
mais de 800 mil vezes. Além disso, o pedido de desculpas da empresa (postado no
seu site e no Twitter) só obteve 20 mil visualizações.
Mas, a pesquisa da Revista Exame também constatou uma sensível melhora no
ranking de algumas empresas, um sinal visível da melhoria no relacionamento com
consumidores. O Citibank é uma dessas empresas, pois ele passou de 48° para 10°
lugar este ano.
Em 2010 ele criou uma equipe especializada em rastrear as reclamações que
chegavam das suas agências e dos call center’s. Após esse mapeamento, os
funcionários das agências passaram a receber bônus baseado no índice de solução
de problemas e satisfação do cliente e não mais penalizados apenas pela
quantidade de queixas.
O banco aumentou em 41% sua carteira de clientes, passando para quase meio
milhão de contas – o melhor desempenho dos últimos anos. Isso foi um sinal de
que, reconhecer quando as coisas não vão bem e corrigir rapidamente, é quase tão
importante quanto entregar ao cliente o que foi combinado.
Julio Cesar S. Santos é Professor, Consultor, Palestrante e Co-Autor do Livro: "Trabalho e Vida Pessoal - 50 Contos Selecionados". Elaborou o curso de “Gestão Empresarial” e atualmente ministra Palestras e Treinamentos Sobre Marketing, Administração, Técnicas de Atendimento ao Cliente, Secretariado e Recursos Humanos. Contatos: jcss_sc@yahoo.com.br (21) 2233-1762 / (21) 9423-9433 / www.profigestao.blogspot.com