Um Bando de Bravos, Um Grupo de Tolos
Por Ivan Postigo
07/10/2010
Na vida, é difícil dizer quando devemos ser sensatos ou quando podemos ser
heróis. Conhecimento, cultura, adição de competências, debates podem nos
auxiliar na formação de opiniões, mas nem sempre asseguram a assertividade.
Grandes homens, titãs reconhecemos nos grandes conflitos e nas resistências,
assim que fazem história. Servem como exemplos e alertas. E as derrotas?
Bom, essas muitas vezes são esquecidas e os esforços sequer lembrados. A poeira
do tempo, que apaga traços do passado e os reais feitos, deixa espaço também
para que a imaginação crie lendas que instigarão as mentes dos gênios.
A mente de um homem imaginou Ícaro, este jamais voou. Não sabemos, também, que
não tenha tentado.
Insensatos, inconstantes, inconformados, irresponsáveis, quaisquer que sejam as
designações, pessoas descontentes com o equilíbrio e a ordem natural provocam o
desconforto.
Desconforto que traz desconfiança, medo, crítica e revolução quando se torna
óbvio. O obvio é invisível às mentes e olhos despreparados, por isso recurso dos
mágicos. Criadores das ilusões, alimentadores das fantasias tão negligenciadas e
necessárias.
O incauto com um pouco de gás, calor e tecidos subiu aos céus. Um cilindro com
ar o levou às profundezas dos oceanos. Com sutileza desafiou as leis da física
com hélices e motores a jato.
Não só rompeu fronteiras como as eliminou. Uns porque muito sabem, outros porque
totalmente desconhecem.
O mundo está globalizado.
Enquanto alguns vêem coisas que existem e perguntam por que, eu sonho com coisas
que não existem e pergunto por que não? - dizia George Bernard Shaw.
A roda, a luz elétrica, o moinho, o pilão, o sabão, o clip, a cadeira, o talher,
pequenas e grandes invenções são resultados de horas de trabalho e reflexões
para acomodar o incômodo. Conta a lenda que o fecho eclair ou zíper, como
conhecemos, foi imaginado quando a preguiça de amarrar as botas, todos os dias,
levou o homem a buscar uma saída mais prática.
Verdade ou mentira, não faltam exemplos nesse sentido.
Estranho, o progresso está no desequilíbrio?
Uma questão interessante para o administrador que busca exatamente dar ordem e
equilíbrio às empresas, criando modelos de gestão.
A revolução do pensamento está na capacidade de questionar a coerência, a
unidade, provocando a diversidade?
É possível programar a desordem, investir na inconstância, contratar incoerentes
e irresponsáveis?
Não, gestão é um processo racional. Sejamos coerentes!
Hum, e se forem gênios e tiverem projetos inovadores permitindo às nossas
empresas obter a tão desejada diferenciação e vantagem competitiva?
Que loucura, como apoiar pessoas como essas? Seria um ato de incoerência!
Nesse caso, as idéias e os projetos dando certo e gerando resultados seremos um
bando de bravos, ocorrendo o contrário seremos um grupo de tolos.
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
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