Como Segmentar o Mercado Infantil
Por Julio Cesar S. Santos
12/03/2011
O Que é Uma Marca Para as Crianças? Como Segmentar Esse Público-Alvo? A
Idade Influencia Sua Relação Com a Marca?
Sob o ponto de vista de uma marca a população infantil é bastante heterogênea e,
para as empresas, não existe uma criança, mas uma multidão de crianças que se
constituem num mercado em franco desenvolvimento, o qual é digno de toda
atenção. Porém, uma das maiores dificuldades encontradas pelos profissionais de
Marketing em relação a esse mercado é saber como diferenciar esse público-alvo,
a fim de encontrar as necessidades que poderão ser satisfeitas com seus produtos
ou suas marcas.
A segmentação desse mercado é muito importante porque mais do que qualquer outro
consumidor, a criança tem necessidade de uma comunicação adaptada para ela.
Dessa forma, essa tarefa permitiria simplificar essa realidade tão complexa,
repartindo essa população em subpartes mais homogêneas.
A fim de estabelecer um critério que sirva de base à segmentação desse
importante mercado, é necessário considerar aquilo que é mais fácil de
identificar por qualquer observador e o que explica melhor o relacionamento
entre a criança e a merca. Ou seja, a idade. Entre todos os envolvidos pra
descrever acriança, a idade é – sem dúvida – a mais preponderante e mais fácil
de identificar. Ela delimita as capacidades psíquicas da criança, seu nível de
desenvolvimento fisiológico e sua capacidade cognitiva e intelectual.
Dessa forma, pode-se afirmar que a idade da criança influenciará sua relação com
as marcas através do desenvolvimento das suas capacidades cognitivas. Os modos
de representação da marca e as competências da criança ao tratar a informação
que a marca lhe envia têm considerável importância sobre o nível de conhecimento
das marcas. Sendo assim, analisaremos três (3) níveis de idade procurando
observar a maneira como a criança avalia a marca ou o produto.
A) Entre zero a 2 anos: O egocentrismo da criança a impede de representar
qualquer objeto sob diferentes ângulos. O produto não é entendido conforme seus
atributos físicos, mas a partir das experiências sensoriais da criança. A
criança observa aquilo que o objeto faz e ela entenderá o produto se puder
tocá-lo, manipulá-lo e se tiver um relacionamento sensorial com ele.
B) Entre 2 a 7 anos: Até os quatro anos o aprendizado da marca e do produto se
processa de forma sensorial (aquilo que ela vê ou troca) e na base de atributos
físicos. Os produtos – ou as representações por imagens das marcas – são
entendidos através das suas formas (redondas, angulosas, etc.), cores e textura
(liso, áspero, etc.). Para comparar dois produtos, a criança não considera mais
de um critério por vez e, partir dos cinco anos, a comparação entre vários
produtos se processa por atributos mais abstratos (gosto) ou funcionais (o uso
que ela faz do produto).
Mas, pelos 4 ou 5 anos, as crianças já são capazes de identificar um nome de
marca a partir de seus elementos figurados como o logotipo, a forma geral da
palavra ou a presença de uma determinada letra conhecida que permitirá à criança
reconstruir o nome da marca (o “M” de McDonald’s é um bom exemplo).
A partir dos seis (6) anos as crianças são capazes de citar pelo menos um nome
de marca por cada categoria de produto. O valor semântico ou simbólico ligado ao
nome lhe escapam freqüentemente, seja porque a criança ainda não sabe ler
corretamente ou porque o sentido apresentado pela marca faz apelo a conceitos
ainda não dominados.
C) A faixa dos sete (7) anos: Estudos demonstram ( ) que nessa faixa etária a
criança tem um bom conhecimento sobre as marcas e entende sua finalidade
comercial. Entre os 7 e 8 anos elas estabelecem as categorias nas quais
geralmente uma só marca constitui a sua representante ideal. Para elas existe a
marca e “o resto”; ou seja, as marcas delas e as dos adultos.
A seus olhos, as marcas passam a gozar de uma confiança real em matéria de
qualidade e essa confiança deverá ser retribuída por verdadeira satisfação, pois
caso contrário a marca será excluída de seu sistema de marcas. Nessa faixa, as
crianças não apenas conhecem o conjunto de sinais constitutivos da marca como
são capazes de decodificá-los e hierarquizá-los. Elas identificam os sinais que
legitimam e dão credibilidade qualquer marca.
D) Entre os 7 e os 11 anos: Acima dos sete anos com o domínio da reflexão, o
raciocínio toma conta e a criança se torna capaz de hierarquizar, sintetizar e
conceitualizar as aparências. Ela não apenas toma conhecimento do produto ou da
marca sob as aparências externas, mas é capaz de formular julgamento que integra
dimensões mais abstratas. Além disso, as primeiras experiências de consumo
permitem à criança enriquecer sua percepção dos produtos e das marcas.
Julio Cesar S. Santos é Professor, Consultor, Palestrante e Co-Autor do Livro: "Trabalho e Vida Pessoal - 50 Contos Selecionados". Elaborou o curso de “Gestão Empresarial” e atualmente ministra Palestras e Treinamentos Sobre Marketing, Administração, Técnicas de Atendimento ao Cliente, Secretariado e Recursos Humanos. Contatos: jcss_sc@yahoo.com.br (21) 2233-1762 / (21) 9423-9433 / www.profigestao.blogspot.com