A Conquista de Mercados se faz com Indústrias e não com Empresas
Por Ivan Postigo
08/08/2011
O mercado brasileiro será cada vez mais abordado por empresas estrangeiras para
colocação de seus produtos, ainda que não tenham raízes industriais aqui. Basta
ver a crescente presença destas nas feiras em nosso país.
Hoje, comercialmente, com a acirrada competição, quem não conquista será
conquistado.
Sempre foi assim? Não com a atual contundência e em um mundo sem fronteiras.
Concorrentes e competidores estão fora do alcance dos nossos olhos e ouvidos,
não apenas por distâncias geográficas, mas com costumes e línguas. A internet
encurtou distâncias, facilitou os contatos, espalhou informações e
conhecimentos, mas as ameaças passaram de dezenas a milhares.
Essa análise é importante para que possamos nos dar conta de que não falamos
mais de representação de empresas, mas de indústrias. Vale à pena reforçar que
não se trata de indústria no conceito fábrica, mas desta como segmento
industrial, cadeia produtiva. A exposição e oferta englobam desde
matérias-primas, passando pelos equipamentos para transformação, chegando aos
produtos acabados.
Ali temos um país representado, o poder de uma região ou cidades, para depois
chegarmos às empresas.
É importante observar que não se trata de ações isoladas de um empreendedor, com
seus produtos e marcas, mas da criação e propagação do poderio de um conceito.
As barreiras não são derrubadas com mercantilismo isolado, mas com cooperação
que dá a cadeia produtora força de entrada e base de sustentação.
Quando a indústria se mostra presente em um mercado, ainda que uma empresa
cometa erros, outras serão acionadas e promoverão a sustentação.
O aprendizado e poder de multiplicação da indústria são substancialmente
superiores ao da empresa, bem como seu poder de transformação. Dentro da cadeia
produtiva que forma a indústria podemos ter centenas de empresas e milhares de
gestores pensando, questionando e agindo.
As empresas cooperarão, enquanto integrantes do segmento industrial, para
conquistar mercado, e competirão para conquistar clientes. Não é necessário
muito esforço para entender a importância dessa aliança que forma a coopetição –
cooperação com competição.
Onde falhamos, perdendo mercado para indústrias globalizadas dentro e fora de
nossas fronteiras?
Nossa individualidade dificulta o estabelecimento de alianças para formar
cadeias produtivas fortes que permitam superar a concorrência externa.
Amabilidade e simpatia – estar ao lado - não estabelecem esforços cooperativos,
pois são frágeis frente à individualidade. Para isso é necessário empatia –
colocar-se no lugar de.
Precisamos mudar nosso modo de pensar a agir. O pensamento estratégico precisa
anteceder as ações, para não sermos apenas reativos e repetitivos.
A reflexão e o debate são necessários para promover a mudança de mentalidade,
pois as barreiras estão exatamente nas portas psicológicas. E estas só abrem por
dentro.
Os juros altos e os impostos sufocam as empresas neste país, mas as gestões
amadoras também têm peso considerável. Sempre que tenho oportunidade lembro os
gestores do alto custo da administração barata.
Dos trabalhos operacionais como abordagem de vendas, programação de produção,
solicitação de empréstimos, aos pleitos de proteção à indústria é necessário
fundamentação. Principalmente os pleitos precisam de bases sólidas de
argumentação e profissionais preparados para defendê-los e sustentá-los, sempre.
Há brutal diferença entre reivindicação, tendo com fonte um projeto, e
manifestação lamentosa. A segunda não oferece contrapartida e só é exercitada
nos momentos de desvantagem. Isto não convence e não é matéria para criação do
futuro. Como nunca foi a reserva de mercado.
A indústria para se sustentar precisa de representação e esta tem quer ser
profissional.
As notícias tratam da falta de qualificação operacional, mas se olharmos
cuidadosamente as luzes gerenciais cada dia se mostram mais fracas.
Os bons resultados que as empresas vêm experimentando impedem que esse ponto
seja observado, contudo o preço a ser pago no futuro poderá ser substancial.
Não tratamos nesse caso de perda de um cliente ou outro, mas de uma maciça troca
de fornecedores, em vários pontos da cadeia produtiva, por empresas
estrangeiras.
Diretamente ligado aos conceitos do segmento está o que pensam e como reagem as
entidades de classe.
Temos que nos lembrar todos os dias que quem não conquista é conquistado, e a
conquista de mercados não se faz com empresas, mas com indústria.
Resumo
Precisamos mudar nosso modo de pensar a agir. O pensamento estratégico precisa
anteceder as ações, para não sermos apenas reativos e repetitivos.
A reflexão e o debate são necessários para promover a mudança de mentalidade,
pois as barreiras estão exatamente nas portas psicológicas. E estas só abrem por
dentro.
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
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