Consistência da Marca
Por Nori Lucio Jr.
01/05/2011
Coerência, NÃO
conveniência, garante a clareza do posicionamento.
Não raro os executivos seniores das empresas julgam de forma precipitada que
têm pleno conhecimento sobre os anseios mais profundos de seus clientes e
também sobre a dinâmica do mercado em que atuam.
Este tipo de atitude, normalmente observada em executivos antigos, cheios de
paradigmas e vícios, acaba por “engessar” a operação da empresa,
comprometendo o desempenho atual, a higiene do grupo e definitivamente
impacta de forma negativa o crescimento futuro.
Quem já não ouviu ou falou: “Eu trabalho neste mercado há 30 anos, quem é
você pra me falar sobre.... blá, blá, blá?”.
A realidade não perdoa e é sempre ratificada pelas evidências. Para muitas
empresas décadas se passaram e elas continuam com a mesma cara, mesmo
portfólio de produtos, os mesmos clientes, o mesmo logo... enquanto o
mercado muda na velocidade da luz.
Outro equívoco comum, ainda na tentativa de compreender o mercado por meio
de “palpites isolados”, é perguntar para o vendedor da própria empresa se os
clientes estão satisfeitos com os produtos e serviços.
Você conhece algum vendedor que falaria para o presidente da empresa que seu
produto é realmente ruim, ou que sua empresa não tem qualidades percebidas
pelo mercado? Imagine qual seria a resposta do Presidente...
“O posicionamento da empresa só será coerente quando: sua imagem,
identidade, proposta de valor e estratégias estiverem compatibilizados.
Antes disso a recomendação é não gastar nenhum dinheiro em marketing pois
corre-se o risco de jogar todo o investimento no lixo”.
A ferramenta correta, a mais eficaz, para explorar todos os aspectos ligados
ao relacionamento da empresa com seu “ecossistema” (formados por clientes,
parceiros e fornecedores), é fazer uma “pesquisa de mercado formal”.
A pesquisa deve ser elaborada e conduzida por um profissional experiente
que, por meio da manipulação de variáveis e estímulos consegue extrair a
verdadeira essência sobre o que está acontecendo com a empresa perante o
cliente e, aí sim, produzir a partir de um feedback de qualidade. O
resultado da pesquisa deve ser considerado a ponto de ser transformado num
conjunto de ações emergenciais que devem ser executadas com obsessão.
Consistência na Comunicação
Com os elementos relacionados à marca corretamente calibrados, ou seja,
imagem, identidade, proposta de valor e estratégias articulados
coerentemente, a empresa pode investir num plano de marketing e comunicação
consistente. A empresa estará pronta para “vocalizar alto e claro seu real
valor” para seus clientes, representantes de vendas e fornecedores.
Esse é o momento em que entra em ação o mix de comunicação formado pelo
conjunto de ações que serão as responsáveis por transmitir os atributos da
marca, ativar a marca, na prática, reforçando seu posicionamento, gerando
demanda dos produtos e serviços e construindo um canal de vendas sólido.
É importante também observar os elementos gráficos que representam a marca
visualmente. Estes elementos exigem consistência! São eles: tom, estilo,
logotipo, cores, fotografia, slogan, etc. Todos devem seguir um manual, o
“Guia de Estilo”, que orienta as agências de publicidade e propaganda sobre
a correta utilização da marca.
O “Guia de Estilo” é um patrimônio da empresa e deve ser mantido com rigor
por um executivo sênior. Qualquer material promocional que saia da empresa
deve estar em conformidade com o guia.
A criatividade de agências de propaganda e de “marketeiros por mandato” deve
estar absolutamente confinada ao mecanismo criativo dos programas de
marketing e vendas, e não nas “cores do folheto” ou no slogan da “propaganda
engraçadinha”.
Coerência e consistência garantem a manutenção da personalidade de uma
marca. Pode- se até estabelecer um paralelo com o relacionamento humano. A
marca está viva e sofre, positiva ou negativamente, pelos estímulos
produzidos pelo mundo, assim como um ser vivo, bípede e falante. Estes
estímulos devem ser observados e controlados para que não haja um “desvio de
comportamento”.
No entanto, a marca vai muito além dos traços artísticos que envolvem a “logotipia
(logo)” e a “tipografia (letra)”. A marca tem uma função orgânica ou neural,
ou seja, deve recuperar na memória, que está em algum lugar do cérebro do
público-alvo, as sensações que a representam.
Na prática, a marca tem vida e voz próprias. Uma vez apresentada ao seu
público-alvo mediante sua expressão visual (logotipo), seguida normalmente
de um texto complementar que descreve de forma mais literal sua essência,
seus valores, suas atitudes e por fim sua personalidade.
Tudo isso vende! Vende muito ou pouco dependendo da COERÊNCIA E CONSISTÊNCIA
na sua construção e manutenção.
“O investimento na construção da marca deve ser dissociado da venda de
produtos ou da receita da empresa. Lembre-se que produtos vêm e vão, a marca
fica!”
O processo de construção da marca deve ser contínuo e resiliente diante das
pressões que vêm de todos os lados. Deve acompanhar atentamente o
amadurecimento do mercado e a evolução da própria empresa. A marca
certamente exigirá monitoramento intensivo e manutenção preventiva. O
desafio é não comprometer a “identidade da empresa” conforme se criam novos
produtos e serviços, penetra em novos mercados e também refina seu
posicionamento.
Se algum profissional aventureiro lhe propuser um “reposicionamento”, fuja
rápido antes que ele despersonalize completamente sua empresa. O risco é
seus clientes não mais reconhecê-lo! Mesmo que seus clientes o reconheçam,
vão olhar com desconfiança, neutralizando a antiga reputação construída ao
longo de tantos anos de suor.
“Vale reforçar que o RECONHECIMENTO da marca pelo cliente deve
transformar-se em VALOR na forma de faturamento. - Muitas empresas valem
muito, muito mais que seu patrimônio declarado no balanço.”
Nori Lucio Jr. é
fundador da brandMe, consultoria especializada em planejamento estratégico. - 20
anos de experiência na indústria de tecnologia, com passagens pela gerência de
marketing e comunicação na Intel® e Microsoft®. Formado em marketing, com
especializações no Brasil e exterior, respondeu pelo desenvolvimento de vários
projetos relacionados a construção de marca, marketing & comunicação e
desenvolvimento de canais de venda no Brasil, América Latina e Estados Unidos.