Os Contrastes Brasileiros
Por Julio Cesar S. Santos
24/04/2011
Qual o Tamanho da Economia Brasileira Atualmente? Qual a Nossa Posição
em Relação à Qualificação de Nossos Funcionários?
Após um inflamado discurso dos governistas no Senado brasileiro exaltando os
resultados alcançados recentemente pela Economia – “sétima posição entre as
potências econômicas mundiais” – o Senador Cristovam Buarque (PDT – DF) tomou a
palavra e, em contrapartida, afirmou: _ “É, mas em compensação somos o 88°
colocado em educação segundo a UNESCO e, além disso, não adiantaria muito
estarmos nessa posição se somos o 55° país do mundo no valor de renda per
capita” – completou.
Tem toda razão o senador da “oposição”, pois atualmente o Brasil é o 69° na
ordem dos países com ética na política em função da corrupção (nossa nota é 3,7
numa escala até 10) e, a conseqüência disso é que nos tornamos o 8° pior país do
mundo em termos de concentração de renda – na frente apenas da Guatemala,
Suazilândia, República Centro Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto e Namíbia.
Em seu artigo (“As Vergonhas Que Temos” – Jornal O Globo – 09/04/2011) Cristovam
Buarque aprofunda sua análise no perfil da produção industrial brasileira,
demonstrando que há décadas o Brasil exporta quase o mesmo tipo de bens e, o que
é pior, continua importando os produtos modernos – da área científica e
tecnológica. Isso ocorre porque produzimos um número insignificante de doutores
por ano; ou seja, pouquíssimos brasileiros conseguem completar o curso de
doutorado.
Esse é o reflexo de um enorme contraste entre a ponta da Economia (produção de
bens de consumo) e sua base de sustentação (escolaridade de seus funcionários),
pois ao mesmo tempo em que somos um dos maiores fabricantes mundiais de
automóveis e aviões, também temos uma grande população de “flanelinhas” fora da
escola.
Segundo a UNESCO, a maioria dos adultos analfabetos vive em apenas 10 países – o
Brasil é um deles, com 14 milhões – e, comparando-se com a época da República
(1889), temos hoje quase três vezes mais analfabetos do que naquela época, aos
quais ainda se somam mais de 40 milhões de “analfabetos funcionais” – não são
capazes de interpretar o que escreveram. Talvez seja por isso que nunca tivemos
um Prêmio Nobel.
O senador vai mais longe ao afirmar que existe uma dicotomia entre uma das
maiores economias do mundo e um mundo social real entre os mais pobres. Para
ele, essa realidade se explica porque nosso projeto de nação é:
A) Sem Lógica: porque não percebemos que um país rico é um país sem pobreza.
B) Sem Previsão: porque não percebemos que nossa grande, mas atrasada Economia é
incapaz de concorrer com as “economias do conhecimento” – implantadas em países
com menor riqueza, porém com mais futuro.
C) Sem Ética: porque comemoramos nossa posição na Economia, mas esquecemos
nossas “vergonhas sociais”.
Julio Cesar S. Santos é Professor, Consultor, Palestrante e Co-Autor do Livro:
"Trabalho e Vida Pessoal - 50 Contos Selecionados". Elaborou o curso de “Gestão
Empresarial” e atualmente ministra Palestras e Treinamentos Sobre Marketing,
Administração, Técnicas de Atendimento ao Cliente, Secretariado e Recursos
Humanos. Contatos: jcss_sc@yahoo.com.br (21) 2233-1762 / (21) 9423-9433 /
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