A Culpa Sufocando Líderes
Por Irlei Wiesel
25/02/2010
Eu venho de um lugar onde a vida sempre foi sinônimo obrigatório de
sofrimento. A glória total estava diante da dor, da escassez de recursos
financeiros, da limitação e da precariedade.
Onde o sol era visto como ameaça, sinal evidente que com ele viria uma
tempestade. Um lugar onde o sol, Deus da luz, era prelúdio de uma pesadelo.
A lua, quando muito iluminada, era uma aviso para reconhecermos uma possível
culpa. A culpa era um sentimento oficial e unânime. A lua sempre tinha uma
mensagem oculta:
- Reconheçam suas culpas, pois se não o fizerem, o brilho da lua dará lugar
a uma longa escuridão.
A vida era movida pelos eternos ensinamentos da CULPA. Parecia não haver
mais nada pelo qual esperar. A própria possibilidade da espera não era digna
de alguém que vivesse naquele lugar.
Os olhos só viam rostos amargurados, tristes e enrugados pelo efeito da
culpa que os consumia interiormente.
De algum outro lugar, de outro ponto do universo surgia, timidamente, uma
versão nova, ou melhor, oposta. Era defendida em frases simples o que
aumentava sua verdade.
Dizia:
- Jogue fora a culpa e vá ser feliz !
Naquele lugar, esta frase sacudiu o sentido da vida de cada um, pois
entendia-se que a culpa era fonte de vida e que tirá-la representaria um
vazio impossível de ser substituído.
- Jogar fora uma coisa que nos pertence?
- Como deixar de sentir culpa ?
Este foi o maior paradoxo de uma geração inteira.
Quem já conseguiu realizar este exercício interno, já entende a força do
brilho da lua e o poder do calor do sol.
Já entende, sim, pois sua força realmente sintetiza uma grande homenagem e
uma intensa celebração à vida.
Viver é um grande ato de amor e libertação. A cada nova respiração,
inspiramos a força da energia da vida!
Pensando assim, consegui sair, me projetar para a conquista de novos
lugares…
E este processo é opção de cada um. Pois, hoje olho para aquele lugar e
ainda vejo, ouço e sinto os limites dos que ficaram.
Quando se inicia o crescimento interior, é impossível retroceder.
A própria corrente da vida nos envolve, ajuda a expandir-nos e nos impede de
cair novamente.
A iluminação interior é como um sol nascente.
Depois que começa a brotar no amanhecer, com sua luz brilhante e viva, o
destino será AS ALTURAS.
Irlei Wiesel blog: http://irleiwiesel.blogspot.com