O Curriculum Vitae
Por Jorge Antonio Monteiro de Lima
17/07/2010
Dias atrás eu fazia uma contratação para uma vaga na área administrativa
financeira para uma instituição. Trabalho para ser realizado na capital, com
salário superior a R$ 6 mil mensais, além de benefícios.
Para uma vaga, aparecem mais de 400 candidatos com o curriculum vitae. Porém, em
uma avaliação mais detalhada, quantos ficam para um processo seletivo? No máximo
doze, se o selecionador for generoso.
A contratação de um profissional, um administrador especialista na área
financeira exige de um candidato algumas atribuições básicas: organização,
metodologia operacional (tanto institucional quanto de mercado), equilíbrio
emocional (especialmente por se tratar de uma das áreas mais estressantes do
mercado corporativo), honestidade, nome limpo.
Muitos indivíduos são descartados de uma entrevista inicial por causa de seu
curriculum vitae. Erros grosseiros de português, falta de coerência nas
informações apresentadas, informações que geram dúvidas (ex:altos cargos sem
formação específica), informações desnecessárias (ex: campeã de balé clássico em
1978 no Educandário Joinville). O curriculum vitae, que deveria ser um eficiente
cartão de visitas, é transformado na causa básica do insucesso de um candidato.
O mercado é exigente. Um pretendente a uma vaga de trabalho deve ter, no mínimo,
boa apresentação, que não vai mensurar o perfil técnico ou as habilidades, mas,
como um cartão de visitas, pode ou não gerar uma boa impressão.
A falta de conteúdo (indivíduos vazios), de auto-cuidado, de esmero e seriedade
com a própria formação profissional, de coerência com a vida aparecem no
curriculum vitae, que é um retrato autobiográfico de um candidato, seu histórico
profissional. E, se for mal apresentado, estiver sujo, amarrotado, tenderemos a
questionar: “É assim que você cuida de sua própria vida?”
A falta de seriedade de muita gente com a carreira é evidente no curriculum
vitae. A bagunça criada por indivíduos na própria vida, que não é levada a
sério, é facilmente detectada, especialmente quando escolhem péssimos cursos de
formação (tipo pague um e leve dois) ou na escora de titulações que não
sustentam a prática profissional nem a experiência. Resumindo: tem muita gente
dando tiro para todo lado.
Por fim, existe ainda os que acreditam que "enchendo lingüiça", como em muitos
concursos públicos, vão conseguir enrolar um selecionador. Bons profissionais
têm seu curriculum vitae enxuto, com no máximo duas laudas corridas, o
suficiente para ser claro, objetivo e repassar um perfil técnico ligado ao
destino específico da vaga pleiteada.
Quem enrola no curriculum vitae, enrola na vida.
Jorge Antônio Monteiro de Lima é pesquisador em saúde mental, Psicólogo e musico Consultor de Recursos Humanos Consultoria para projetos de acessibilidade para pessoas com necessidades especiais email: contato@olhosalma.com.br - site:www.olhosalma.com.br