Eficiência e Eficácia nas Empresas e no Futebol
Por Julio Cesar S. Santos
230/07/2011
Qual a Diferença Entre Eficiência e Eficácia Empresarial? O Que o
Futebol Tem a Ver Com Esse Assunto?
Na tentativa de explicar aos meus alunos do curso de Gestão Empresarial as
diferenças entre eficiência e eficácia muitas vezes recorro à metáfora do médico
tipo “mauricinho”, o qual bem vestido e apresentável tentou justificar a morte
de um paciente aos seus parentes.
Ele alegou que a operação transcorrera na mais absoluta tranquilidade e os
equipamentos funcionaram perfeitamente, mas, infelizmente, o paciente não
resistiu. Trata-se de um médico eficiente; ou seja, fez tudo certinho, embora
não tenha alcançado o resultado (recuperação do paciente).
Nesse momento, outro médico acaba de sair do centro cirúrgico com o guarda-pó
completamente manchado de sangue, com o estetoscópio pendurado apenas de um
lado, todo suado e totalmente descabelado.
Ao observar sua aparência, os familiares do paciente que estava sendo operado
por ele se desesperaram. Porém, o médico desalinhado informou-os que o paciente
se recuperava e estava em perfeitas condições. Trata-se de um médico eficaz; ou
seja, faz a coisa certa e obteve o resultado.
Seria ótimo para as organizações que seus funcionários fossem eficientes e
eficazes ao mesmo tempo, pois assim eles fariam as coisas certinhas e obteriam
os resultados esperados pela empresa. Porém, essa não é a realidade empresarial
brasileira no momento.
Talvez fosse a hora de mudar minha explicação metafórica, pois na noite de 27 de
julho presenciei uma das melhores partidas de futebol dos últimos tempos, onde
ambos os times (Santos e Flamengo) demonstraram aos telespectadores a essência
do que é ser eficiente e ser eficaz.
A eficiente equipe do Santos já vencia o jogo de três a zero aos vinte minutos
do primeiro tempo e, diante disso, alguns flamenguistas já temiam pelo pior.
Ocorre que, dois minutos após, a eficácia rubro-negra entrou em ação através do
jovem estreante Luis Antonio que presenteou Ronaldinho Gaúcho com um cruzamento
tão eficaz que o deixou “debaixo do gol”.
Aos trinta minutos, novamente pela direita o ataque do Flamengo foi extremamente
eficaz, quando Léo Moura cruzou para Thiago Neves que diminuiu para 3 a 2. No
final do primeiro tempo, Ronaldinho cobrou escanteio e o pouco eficiente Deivid
empatou de cabeça. Até aquele momento, o Flamengo deu três ataques e fez três
gols; ou seja, um show de eficácia. Enquanto isso, o Santos dava seu show de
eficiência com Neymar, fazendo tudo certinho contra a ineficiente defesa
rubro-negra.
Começou o segundo tempo e o Santos continuava bem “treinadinho”. E novamente o
eficiente Neymar deixou a defesa do Flamengo completamente enlouquecida ao fazer
– com eficiência – o 4°gol santista.
Mas Ronaldinho mostrou porque é eficaz e, após sofrer falta em jogada de
habilidade, cobrou rasteiro por baixo da barreira e colocou a bola no fundo da
rede, empatando o jogo. E aos 36 minutos, mais um do craque eficaz, em chute
cruzado depois da assistência de Thiago Neves, fechando o placar de um jogo
épico que deve fazer história no futebol mundial.
Seria ótimo para as equipes que seus atletas fossem eficientes e eficazes ao
mesmo tempo, pois assim teríamos jogos bem jogados e eletrizantes como esse.
Mas, assim como as empresas brasileiras essa não é a realidade atual.
Julio Cesar S. Santos é Professor, Consultor, Palestrante e Co-Autor do Livro: "Trabalho e Vida Pessoal - 50 Contos Selecionados". Elaborou o curso de “Gestão Empresarial” e atualmente ministra Palestras e Treinamentos Sobre Marketing, Administração, Técnicas de Atendimento ao Cliente, Secretariado e Recursos Humanos. Contatos: jcss_sc@yahoo.com.br (21) 2233-1762 / (21) 9423-9433 / www.profigestao.blogspot.com