Uma empresa não basta ter um projeto. Precisa ser um projeto
Por Ivan Postigo
18/09/2010
Após algumas décadas de trabalho com muito sucesso e tendo poupado o suficiente
para uma aposentadoria confortável o sócio de um empreendimento nos dizia: -
Continuo com o negócio por insistência de meu sócio, por mim já teria parado.
Conversando, seguia nos mostrando que por não ter se atualizado e investido na
modernização a empresa perdera 50% do faturamento.
Ao tratarmos do futuro, vi que este não o motivava.
A empresa durante esses anos não se valera de uma equipe de vendas, os contatos
com os clientes por iniciativa de seus gestores foram mínimos. Viviam em uma
confortável situação de serviços comprados. Sempre administrando a empresa de
costas para o mercado.
Qual fora a razão do contato conosco?
Receberam a visita de um fabricante de máquinas que lhes mostrara as vantagens
de um equipamento da nova geração. Essa nova tecnologia e a possibilidade de
agilizar operações os instigaram, mas havia um problema: onde encontrar
clientes?
Foi perguntando quem poderia lhes orientar que chegaram a nós.
Ora, então havia um projeto? Não, uma sondagem, mas que conflitava com a pouca
vontade de alçar novos vôos.
Algumas contas feitas mostraram que o pay back era baixíssimo. O equipamento
financiado com 12 meses de carência seria pago nesse período. O trabalho efetivo
era desenvolvimento comercial, não apenas como ação operacional, mas como
estrutura de gestão.
Horas de debate e a questão voltava para o pouco interesse no futuro.
Mudamos a pergunta: - Qual o destino desta empresa? Silêncio!
Os novos gestores irão assumi-la, a empresa será vendida ou fechada? O
empreendimento precisa de um destino.
Optando-se pelo fechamento que seja algo planejado para que o passivo não leve
embora as reservas obtidas.
Não sendo esse o caminho e a gestão sendo entregue aos herdeiros, então que seja
uma empresa sadia e moderna.
Escolhendo a venda, é melhor que a empresa esteja valorizada por seus ativos e,
principalmente, por seu potencial de exploração de mercado.
Facilmente observa-se que não importa o destino, todos demandam visão de futuro.
Qual a importância para a organização de se investir nesse equipamento que
analisavam?
Infinitamente menor que o desenvolvimento do mercado para aumento do
faturamento, geração de lucro e valorização da empresa.
Ninguém compraria a empresa pelo maquinário, pagando um preço diferenciado, isso
está muito claro, mas o fariam para ter uma boa fatia de mercado.
O que trouxe a empresa até este momento com uma gestão rentável não foi o fato
de terem um projeto, mas desta ser um projeto.
O que está fazendo com que percam faturamento e rentabilidade é o abandono deste
ideal, portanto não será a compra de um novo equipamento – um novo projeto- que
trará de volta os bons tempos.
A empresa está carente de uma nova visão, um novo conceito de gestão. Um modelo
de fora para dentro, que permita observar as oportunidades de mercado e
explorá-las, aprender sobre novos produtos e desenvolver-los, entender as novas
relações e consolidá-las.
Que destino terá a organização?
Ainda não sabemos, neste momento paira a sombra da deterioração!
Esperamos que não siga o caminho de tantas outras em que os sonhos se foram e
vieram os conflitos.
Você como gestor precisa estar atento para o fato de que o futuro de sua
organização não pode estar atrelado a um projeto, mas no fato de ser um projeto.
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
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