Errei ao promover, e agora?
Por Ivan Postigo
22/08/2011
Promoção é assunto muito sério, por isso deveria ser tratado com toda atenção,
mas não é isso o que acontece.
Uma observação cuidadosa nos mostrará a quantidade de erros que os gestores
cometem em suas empresas.
Todos querem promoção? Incautos, apressados, responderíamos: - Claro, lógico,
evidente, sem dúvida nenhuma!
A experiência de anos de trabalho e a soma de erros e acertos nos mostrarão que
essa não é a realidade.
Por que razão uma pessoa que não se sente confortável com uma indicação não
recusa uma promoção? Porque pegaria muito mal e deixaria de receber aumentos
salariais!
Já vi pessoas serem demitidas por recusarem e também deixarem a empresa depois
de um tempo, ainda que tenham voltado para a função anterior, por não se
sentirem confortáveis com o insucesso.
Antes de promover é possível realizar testes e experiências para nos
certificarmos do potencial da pessoa, sua vocação, habilidade, adaptabilidade,
disposição, comprometimento e visão de futuro.
Podemos pedir à pessoa que nos ajude em algumas tarefas, que substitua a pessoa
lotada naquela função em período de férias, em caso de afastamento ou mesmo em
um programa de reciclagem, que aplicamos para levantar outros possíveis
potenciais.
É importante em qualquer organização termos, em todas as áreas, colaboradores
com seus eventuais substitutos. Os backups como costumam ser chamados. Não
porque queiramos trocá-los, mas como desenvolver plano de carreira sem essa
mínima providência?
Bom, mas empresa não fez nada disso e um dos gestores, por se simpatizar com um
colaborador, o promoveu.
Não faltaram conversa, nem promessas quanto ao envolvimento e dedicação, mas a
motivação se foi com os dias de trabalho e o promovido não corresponde às
expectativas do promotor. Trágico? Não, muito comum.
Período para adaptação e avaliação, antes da efetivação, não houve. O
colaborador tão logo foi transferido teve o cargo e o aumento salarial
registrados em carteira.
Mantê-lo na função é impossível, pois não corresponde e os conflitos estão
acirrados. A contratação de um substituto já foi encaminhada, pois as perdas
precisam rapidamente ser estancadas.
Não há outra função que possa exercer, a não ser retornar ao antigo setor. A
volta carrega também um fator de conflito.
Seu salário, hoje superior aos demais, só vai mudar o local do desconforto. O
gestor fez a sondagem, mas não foi suficientemente cuidadoso, e sem querer já
acendeu o estopim da nova bomba.
A idéia de demiti-lo, depois de tantos anos de casa, além da alta indenização,
provocaria um desgaste do gestor. Seus pares o tem pressionado para que encontre
uma solução, sem essa medida drástica. Nenhum deles tem interesse em levar o
colaborador para suas áreas. Acham-no responsável, dedicado, prestativo, e
apesar de terem apoiado informalmente a promoção, não se comprometem com a
solução, mas criticam um processo de rescisão.
Defendem, como medida paliativa, a criação de um cargo intermediário, que possa
mantê-lo. Isso, além do custo que gerará para a empresa, não será possível na
área sem um descontentamento geral.
A equipe tem se recusado a uma participação maior, por conta dos desacertos do
promovido.
A frase que mais se ouve o gestor dizer nos últimos dias é: Errei ao promover, e
agora?
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
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