Excelência em gestão empresarial não é ação, mas comportamento
Por Ivan Postigo
27/07/2010
Não faltam teses para a condução dos negócios, resolução de dificuldades e
superação de barreiras.
Algumas têm caráter inovador, várias retornam com novas roupagens e outras
apenas com a denominação mais atraente.
A promessa, sempre, é de geração de resultados, tornando as empresas mais
seguras, ágeis, reduzindo custos, melhorando a qualidade, tornando-a atual e
competitiva.
As ondas vêm e vão, trazendo e levando consigo crédulos, incrédulos,
aventureiros e oportunistas. Poucos são os que realmente as aplicam e
consolidam.
Para todas, é possível encontrar provas de suas efetividades. Estas podem ser
observadas no concorrente, na empresa vizinha, além fronteira e, principalmente,
no nascedouro.
Nas nossas escolas ainda ensinamos Taylor e Fayol, dedicando pouca atenção às
teses e propostas mais recentes. Seria por vício de ensino, falta de
conhecimento ou distanciamento da realidade? Não cabe crítica, mas reflexão.
No mundo empresarial seus nomes são apenas lembranças. Neste ambiente as ondas
são mais fugazes. Todas são carregadas de informações e conhecimentos.
Experimentá-los não basta. O processo, normalmente, se dissolve. A expressão que
configura bem este fato é “Solução de Continuidade”.
Solução de continuidade não significa resolução, mas dissolução do processo.
Demonstrando bem como os fatos ocorrem.
Para obter resultados é necessário reter conhecimentos e aplicá-los com
consistência, sem dissolução, consolidando-o.
A história da medicina é rica em exemplos. Ainda que os conhecimentos tenham
sido transmitidos oralmente, foram testados, observados e preservados por
curandeiros.
Nas nossas empresas não só as ondas renovam as tendências, a troca de gestores
provoca, também, profundas mudanças. Algumas bastante interessantes e produtivas
outras desastrosas.
Onde está, então, o aspecto mais importante para que essas propostas, testadas e
validadas, gerem resultados se não for não com ação?
Observe que o teste e aplicação são ações, e mais, a desistência e o abandono
também.
Comportar que dizer ser capaz de conter, proceder, portar-se.
Comportamento é a maneira de se comportar, fruto de retenção, portanto aceitando
e incorporando nas atitudes a aplicação daqueles conhecimentos.
A aplicação e repetição são necessários para que qualquer conhecimento se
consolide e gere resultado. A falta, deste, leva ao descrédito e abandono de
idéias, ainda que válidas.
Como profissional, independente do campo e área em que atua, você já deve ter
ouvido muitas vezes a expressão ”Isso não funciona aqui!”.
Realmente não funciona e dificilmente funcionará. Não porque falte ou possa ter
faltado ação, mas por comportamento inadequado.
Nós temos vícios de linguagem, quando uma pessoa do seu convívio procura,
naquele momento, falar corretamente, aplicando todas as regras, soa falso. Não é
o comportamento desta e não é o que você esperava. Porém, se, dia após dia, ela
continuar agindo dessa forma estará estabelecendo um comportamento, que não só
será aceito como provocará mudanças nas pessoas que a cercam.
Vícios serão eliminados e uma nova forma de comunicação será estabelecida.
O que motivou o fato, efetivamente a ação?
Não, o comportamento aceito!
Aos gestores cabe uma recomendação: É importante proporcionar aos seus
colaboradores a oportunidade de ter acesso ao conhecimento, lembrando-se sempre
que é fundamental trabalhar o comportamento.
A sua área de recursos humanos tem papel importantíssimo a realizar, pois a
retenção de conhecimento, sua aplicação, o estabelecimento de um comportamento
determina a cultura da sua organização.
Integrando-a está a cultura de sucesso!
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
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