Experiência da Marca
Por Nori Lucio Jr.
01/05/2011
Estratégia de
comunicação - Nosso objetivo será juntar o que aprendemos e racionalizar o
posicionamento. A empresa deve ter a capacidade de articular fluentemente,
sem hesitar, O QUE, COMO, PARA QUEM e ONDE.
1. O QUE vende se refere aos seus fornecedores, produtos e tecnologias;
2. COMO VENDE está relacionado ao valor agregado de seus produtos,
previsibilidade na entrega, agilidade na transação comercial;
3. PARA QUEM concerne às suas revendas;
4. ONDE relaciona-se a como comprar "da Empresa" por exemplo, via central
telefônica, internet, pronta entrega, etc.
Para que a experiência da marca seja consistente com sua promessa, todos os
pontos de contato com os clientes devem ser mapeados. O plano de marketing e
comunicação deve ter como objetivo trazer o cliente para dentro da empresa e
aí, sim, é que a experiência do cliente tem início.
MARKETING E COMUNICAÇÃO DEVEM SER FIÉIS À ARQUITETURA DA MARCA
Quando o plano de marketing e comunicação está definido e o investimento
está alocado, é chegada a hora de executar. O cliente vai ligar ou entrar no
site conforme determinado no call-to-action de um anúncio ou e-mail
marketing.
Exemplo: Ligue já para 0800 e receba uma condição especial, ou visite nosso
site e confira promoções especiais até o fim do estoque.
Esse é o momento em que a maioria das empresas falha e compromete toda a
operação. Nesse instante, deve-se mostrar para o cliente que tudo aquilo que
foi prometido, descrito no tratado (arquitetura da marca) e materializado no
plano de comunicação e marketing está consistente e coerente. Negligenciar
esta fase significa jogar todo o investimento em marketing literalmente no
lixo.
Alguns exemplos de negligências que agem como anti-marketing:
* O cliente liga e o telefone só dá ocupado, ou ele fica escutando aquela
música típica de PABX barato por vários minutos;
* Entra na web e o site encontra-se em construção ou com links que não
funcionam;
* É atendido por vendedores despreparados para oferecer informações sobre a
promoção;
* O produto ofertado não tem no estoque e não tem previsão de chegada;
* A oferta não é bem o que estava descrita na promoção;
* O sistema interno ou web não consegue reproduzir a oferta levando o
representante de venda a demorar fechar o negócio.
A manutenção da ‘ Experiência do Cliente’ requer um xerife:
Assim como a marca tem que ter um xerife, a experiência do cliente também. A
busca pela excelência operacional não traz apenas produtividade, ela é
fundamental na retenção do cliente. Retenção é uma das principais métricas
de marketing a ser perseguida pela empresa.
Para cada "Ponto de Contato" com o cliente dentro do domínio da empresa deve
haver uma variável de controle que indique áreas que possam estar
comprometendo esta experiência, ou que possam antecipar potenciais
problemas.
* Mais ligações que o PABX pode suportar;
* Mais ligações que pessoal para atender;
* Gargalos na logística;
* Arquitetura de informação do site dificulta consulta e compra.
O "Tom de Voz" telegrafado nas peças de comunicação também deve ser
reproduzido internamente.
Quando o cliente liga motivado por um chamado (call-to-action) gerado por
uma atividade de marketing, a expectativa gerada que determinou a ligação
não pode virar frustração.
A manutenção no "Tom" no tratamento do cliente representa a Empresa e deve
manter-se coerente ao longo de toda a transação com o cliente.
A experiência positiva do cliente, além de reforçar a marca, promove a
RETENÇÃO que é uma das principais métricas de eficiência em marketing, uma
vez que adquirir novos clientes é bem mais dispendioso que mantê-los.
Veja um exemplo de como um profissional de vendas mal treinado pode
comprometer todo o plano.
Um vendedor fala com 20 clientes por dia, ou 100 clientes por semana ou 400
clientes por mês ou aproximadamente 6.000 clientes por ano. Vamos supor que
a Empresa tenha 30 vendedores. Faça as contas e calcule o tamanho do
estrago. Reproduza este exercício para sua telefonia, ou para sua área de
suporte a cliente ou ainda para os clientes que visitam o site. O resultado
do conjunto pode liquidar a operação.
É imperativo para o sucesso da Empresa que se determine um xerife tanto para
a Marca quanto para a Experiência do cliente. Ambos com autonomia e poder de
veto. É recomendado que parte do salário variável dos funcionários esteja
ligada a estes índices.
MEDINDO A EFICIÊNCIA DA ‘EXPERIÊNCIA DO CLIENTE’
As métricas devem seguir uma metodologia bem simples. O objetivo principal
não é mostrar para os executivos da Empresa um algoritmo esotérico, e sim
ajudá-los a:
a) Primeiro, entender de forma simples e clara que seus investimentos em
marketing estão protegidos pela "lupa" do gerente da operação que garante
que o cliente, quando chegar à Empresa, terá uma experiência previsível.
b) Segundo, que os problemas que devem ser resolvidos não são um amontoado
de "choradeiras" que recaem sobre o executivo, mas sim investimentos cujo
retorno é claro e seguem um critério de prioridade.
O sistema de métricas recomendado segue um critério que promove ação
imediata quando um problema é identificado ou, da mesma forma, promove a
manutenção de boas práticas operacionais.
Tanto para manutenção quanto para ações corretivas recomenda-se usar
ferramentas que auxiliam na identificação da causa do problema versus
efeito.
A seguir, veja o fluxo que mapeia a "Experiência do Cliente" dividido por
áreas. Este fluxo deve conter variáveis de controle bem definidas para cada
segmento. Os processos e variáveis devem ser acompanhados periodicamente com
disciplina. As variáveis apontam deficiências operacionais e antecipam
problemas.

IMPORTANTE aqui é identificar a causa do problema antes de aplicar uma
correção. Tomar uma ação no efeito do problema é ineficiente. O problema
reaparecerá provavelmente maior. A prática de se aplicarem ações corretivas
sem analisá-las com diligência transforma a operação numa bola de "band-aid"
que, inevitavelmente, em algum momento explodirá.
RECOMENDAÇÃO: para operações complexas a recomendação é aplicar "six-sigma",
treinando o pessoal de operações interno ou contratando uma consultoria
especializada nesta metodologia extremamente eficiente.
Este processo que exige uma certificação específica ajuda a:
1. Reconhecer o problema existente ou oportunidade de melhoria;
2. Definir formalmente o problema, oportunidade, objetivos, inclusive de
redução de custo e processo envolvido;
3. Medir os dados iniciais do processo focado;
4. Analisar e determinar as relações entre os efeitos e as causas;
5. Propor, testar e implementar melhorias;
6. Estabelecer controles nas causas críticas identificadas e monitorar seus
efeitos;
7. Validar os controles estabelecidos ao longo do tempo para garantir a
permanência da melhoria obtida e confirmá-la estatisticamente.

Nori Lucio Jr. é
fundador da brandMe, consultoria especializada em planejamento estratégico. - 20
anos de experiência na indústria de tecnologia, com passagens pela gerência de
marketing e comunicação na Intel® e Microsoft®. Formado em marketing, com
especializações no Brasil e exterior, respondeu pelo desenvolvimento de vários
projetos relacionados a construção de marca, marketing & comunicação e
desenvolvimento de canais de venda no Brasil, América Latina e Estados Unidos.