Fale Menos e Venda Mais
Por Diego Berro
20/07/2010
“Só se vê bem com o coração; o essencial é invisível aos olhos”
(Saint-Exupéry no livro O Pequeno Príncipe)
Uma pesquisa realizada pelo National Retail Merchants Association constatou
que 68% dos clientes fogem das empresas por problemas de postura no
atendimento. Portanto, o vendedor precisa desenvolver suas habilidades
comunicativas para criar um vínculo harmonioso e um relacionamento pautado
na confiança com o cliente, maximizando a chance de fidelizar clientes e
vender mais.
Muitos vendedores, no entanto, acreditam no paradigma que preconiza que o
bom profissional de vendas é aquele que fala muito, usando de todas as
técnicas de persuasão para convencer o cliente a comprar determinado produto
ou serviço. Os vendedores que agem assim, muitas vezes não conseguem criar
um vinculo baseado na segurança, honestidade e transparência com o cliente,
pois seu empenho em querer manipular o cliente à suas idéias gera receio,
desconfiança e um relacionamento superficial com o cliente.
Para que os vendedores desvencilhem-se do estigma “bom de papo”, é essencial
a diferenciação do falar bem x falar muito. De acordo com Roberta Medeiros,
fonoaudióloga especialista em comunicação empresarial, falar bem significa
entender, compreender as expectativas do cliente, saber escolher as palavras
certas e as abordagens discursivas apropriadas ao contexto e ao
interlocutor, sempre buscando ser objetivo, coerente e coeso. Neste momento,
tenha certeza, a comunicação será eficaz e gerará sintonia entre os
interlocutores por meio da empatia e compreensão mútua. O termo empatia
deriva da palavra grega EMPATHÉIA, que significa entrar no sentimento.
Portanto, EMPATIA é a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro,
procurando sempre entender as suas necessidades, os seus anseios e os seus
sentimentos.
É fundamental compreendermos que cada ser humano forma uma percepção única e
diferenciada do mundo em que vive, influenciados basicamente por suas
interpretações, sensações, experiências anteriores, preferências, valores,
crenças e critérios pessoais, baseados em sua própria experiência de vida.
No exato momento que compreendemos essa relação de subjetividade, passamos a
ter mais claro em nossa mente à importância de sermos empáticos com nossos
clientes, procurando compreender exatamente o que passa na cabeça do
cliente, suas necessidades, expectativas e como atende-las da melhor maneira
possível com ética e responsabilidade.
Muitos vendedores, ao falarem mais do que ouvem, acabam expondo em demasia
suas opiniões pessoais, suas preferências, em vez de ouvir mais o cliente
para poder entrar em sua realidade e satisfazer as suas necessidades. Em
muitos momentos os vendedores esquecem de que suas preferências podem ser
totalmente opostas as do cliente. Em muitos momentos parece que os
vendedores querem satisfazer suas próprias necessidades e não as do cliente.
Quando o vendedor apenas fala para o cliente e realiza a ação de ouvir,
haverá uma tendência a exposição em demasia de suas opiniões e preferências
pessoais, deixando cada vez mais distante a satisfação e fidelização do
cliente. Portanto, tenha sempre em mente que a comunicação do vendedor deve
se adequar a do cliente conforme as necessidades deste e não da sua.
"Cada um de nós vê nos outros aquilo que carregamos em nosso próprio
coração". Ralph Waldo Emerson
Para sermos empáticos, precisamos ser humildes a ponto de deixarmos de lado,
ao menos por um momento, nossos preconceitos e preferências, evitando julgar
o outro a partir de nossas referências e valores pessoais. Não basta apenas
conhecer bem o produto ou serviço, mas o mais importante é demonstrar
interesse genuíno em relação às necessidades dos clientes e atendê-las. O
cliente deseja se sentir importante e respeitado.
"Você pode fazer muito mais amigos em dois meses interessando-se pelas
pessoas do que conseguiria em dois anos tentando fazer as pessoas se
interessarem por você". Dale Carnegie
A melhor maneira de envolver o cliente e fazê-lo sentir compreendido, para
criar um conexão profunda com o cliente, é demonstrar interesse em
satisfazer suas necessidades através da habilidade de ouvir.
Muitas vezes “ouvimos” o cliente com nossa atenção voltada principalmente
para nós mesmos e não para a outra pessoa. Não prestamos atenção nas
palavras, no tom da sua voz, na aceleração ou não das palavras, tão pouco no
significado que estas ações podem representar. Não prestamos atenção nas
palavras nem no significado da mensagem do nosso cliente ou ouvimos as
palavras, mas não entendemos o seu sentido mais profundo. Quando ouvimos de
forma passiva e superficial, tendemos a deixar as pessoas com raiva porque
elas percebem que não estão sendo ouvidas e que seus sentimentos não estão
sendo compreendidos.
A situação piora quando se interrompe a fala do cliente, demonstrando
extrema ansiedade em expor suas idéias. Assim, imediatamente se passa a
imagem de que suas idéias são mais importantes do que a de seu cliente e de
que você não está interessando no que seu cliente pensa, nem ao menos em
satisfazer suas necessidades. Interromper a fala do cliente gerará uma
antipatia imediata.
É preciso estar totalmente envolvido no processo de comunicação, ouvindo
atentamente o cliente e buscando se colocar no lugar do outro, tentando ver
as coisas sob o ponto de vista dele. Quando ouvimos atentamente, não
tentamos avaliar a outra pessoa, mas sim elevar nossos pensamentos e
sentimentos para dar toda atenção a ela. Assim, ao sentir-se compreendido, o
cliente tende a confiar no vendedor, estabelecendo rapport (empatia,
confiança e credibilidade), fazendo com que, após esse acompanhamento, o
cliente fique sublinarmente mais susceptível a aceitar uma sugestão do
vendedor e mais aberto em seguir seus conselhos.
Diego Berro é palestrante de vendas. Co-autor dos livros: “Os 30 + em
Motivação no Brasil” e “Ser Mais em Vendas”. Graduação em Gestão Empresarial
pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação
Getúlio Vargas. Formação Profissional de Nível Tecnológico em RH e Marketing
pela FGV-RJ. Máster Practitioner em Programação Neurolinguística. Ministra
palestras, workshops e treinamentos de vendas, realizando convenções de
vendas e treinamentos in-company em todo Brasil.
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