Fim do Emprego
Por Fábio Luciano Violin
15/09/2003
É isto mesmo os empregos vão acabar. Não hoje nem amanhã, mas estão em
um futuro não tão distante, o conceito do que hoje chamamos de emprego,
esta com os dias contados.
Em algum momento da vida você já ouviu falar em empregabilidade?
Pois bem, este termo está sendo cada vez mais questionado e aplicado nas
empresas de pequeno, médio e grande porte, isto vem ocorrendo pelo fato
de que as mudanças em todos os sentidos e setores têm exigido
competências e habilidades sem precedentes. Mesmo em atividades
tradicionais e aparentemente sem muitos desafios a realidade começa a
mudar e sinalizar para o fim do emprego como conhecemos.
Estabilidade é palavrão.
Tranqüilidade só se for na lua.
Poucas coisas são certas e verdadeiras atualmente, no entanto, uma
“verdade” parece ganhar corpo: manter-se empregável - e isto significa,
manter-se atraente aos olhos do mercado – é um dos grandes desafios de
profissionais que almejam diferenciação.
Mas não se alarme (ou se alarme), ainda há espaços para os
incompetentes, encostados, preguiçosos e pouco produtivos.
Em que lugar?
Nas empresas que ainda não despertaram para a urgência do senso de
equipe, acostumadas a fórmulas prontas, que se recusam a qualificar e
aprimorar seus colaboradores, que não avaliam produtividade e
contribuição para a causa da empresa ou ainda nas que tem em seu quadro
os “deuses”, sim, os “deuses”. Aqueles que sabem de tudo, que acreditam
que a sua visão de mundo é a melhor, que fazem vista grossa para a
própria incompetência, aqueles que não se dignam a tirar os olhos do
próprio umbigo.
Para se ter uma noção da urgência de trabalhar com o conceito de
empregabilidade basta perceber que o computador vem tomando corpo no
dia-a-dia das empresas, e isto exige novas competências. A força bruta
esta sendo substituída pela criatividade, os conflitos vem dando lugar
as negociações e o medo ou métodos punitivos que assombram as pessoas
vem sendo trocado pela motivação.
Esta era maravilhosa, em que o ser vem antes do ter, ainda esta
engatinhando, no entanto, da mesma maneira vem exigindo mais e excluindo
de forma acintosa e contundente aqueles que não estão buscando
adequação.
O individualismo vem perdendo espaço, as equipes de uma única estrela
estão deixando de ganhar campeonatos, afinal, por melhor que você ou seu
departamento seja, existe sem sombra de dúvidas a interdependência e
inter-relacionamento com outros setores com outros departamentos.
No entanto, existe um fato alarmante, a maioria dos profissionais esta
obsoleto ou possuem um tempo de adequação bastante reduzido. Alguns
fatores exercem maior pressão ao nosso cotidiano, entre eles pode-se
destacar:
A tecnologia que tanto facilita e melhora nossas vidas, mas que em
contrapartida nos impõe a necessidade de rápida adequação, veja o
exemplo dos bancos, o quanto evoluíram em termos de tecnologia tanto
hard (máquinas e equipamentos) quanto soft (transferências eletrônicas,
serviços inteligentes).
Outro exemplo de como a tecnologia vem influenciando nossas vidas e por
conseqüência nossa capacidade de empregabilidade são as aplicações e
opções que a Internet nos oferece, atualmente se você quiser uma
dissertação de mestrado ou uma tese de doutorado já existem pessoas que
a desenvolvem.
Mas não é somente a tecnologia que influencia nossa capacidade de
adequação ao mercado, profissões como por exemplo o antigo contador vem
dando lugar a um gestor de informações, que pode atuar como um
“termômetro” das empresas.
O frentista de um posto hoje deve ter noções de mecânica, atendimento ao
consumidor, localização de pontos importantes da cidade, entendimento do
senso de pressa e urgência do cliente.
As secretárias, seguranças e boy’s das empresas são hoje uma espécie de
cartão de visita das empresas, precisam ter informações a respeito do
seu funcionamento, afinal em geral são as primeiras pessoas a terem
contato com os clientes.
Os vendedores precisam estar conectados com o que de novo existe na
profissão, dos preços, prazos, tipos de produtos e promoções não somente
da empresa mas dos principais concorrentes, e mais, devem possuir um
canal de comunicação com os seus gerentes para repassar informações em
tempo hábil para que se possa tomar decisões de adequação ao mercado,
principalmente em relação as ações dos concorrentes ou problemas e
necessidades dos clientes.
O conceito de empregabilidade esta intimamente ligado com a capacidade
de gerir informações, com a capacidade de tornar dados em ações
contundentes.
Com o final das taxas de inflação com mais de 2 dígitos, aliadas a
grande quantidade de novos produtos lançados quase que diariamente e
ainda acirramento mais contundente da concorrência, as empresas viram
suas margens de lucro decrescerem pois os consumidores também se
tornaram mais exigentes ao longo desta década que passou.
Com os consumidores mais informados e menos tolerantes a erros, deslizes
custam caro, ineficiência pode significar a perda definitiva dos
clientes reais e potenciais.
Estes fatos vêm impondo a urgência de meios e soluções para cortes de
custo e busca de lucratividade ao tempo que exige a criação de laços de
relacionamento com os consumidores.
Quando ocorre uma revolução seja ela tecnológica ou de qualquer outra
ordem - e não me refiro necessariamente a aquelas estrondosas e vistas a
olhos nus, na maioria das vezes é sutil e quase imperceptível - isto
muda toda a lógica do jogo.
Observe o seguinte exemplo:
Suponha uma pequena cidade com apenas duas lojas de conserto de pneu.
Sob o carro com o macaco, o borracheiro pula em cima da chave para
soltar a roda, briga com parafusos espanados e duas horas depois seu
carro tem o pneu trocado e alinhado (quase artesanalmente) ao custo de
100 reais. Um belo dia o concorrente investe em equipamentos mais
modernos, consegue te entregar seu carro em menos de 40 minutos e cobra
60 reais.
Pronto, mudou-se toda a lógica de funcionamento, mudou-se toda a forma
de competir e atender os clientes. Da noite para o dia. O pobre “jacaré”
vai ter que ser aposentado, pois os consumidores agora não querem mais
esperar duas horas e ainda pagar 100 reais. Resultado: acabou o
equilíbrio e igualdade entre os concorrentes, que antes disputavam os
clientes através dos descontos. Acabou-se aquele sujeito pulando em cima
da chave de rodas para soltar o pneu. Para que lugar vão agora os
borracheiros, antes tinha-se 10 e agora, quantos vão ficar?
Por isto que o conceito de empregabilidade vem ganhando corpo, afinal
hoje você pode ser um e ter diferencial, amanhã, quase que por “forças
ocultas” somos mais um em um milhão, e nos vemos obrigados a correr para
tentar reconquistar o espaço perdido.
Luta esta – para recuperar o espaço perdido – muitas vezes ingrata e
inglória, no qual o resultado pode ser um fruto amargo e espinhoso de
deglutir: o desemprego.
Adiante reclamar?
Adianta praguejar?
A mesma coisa acontece nas empresas. Praticamente todos os dias macacos
e chaves de roda têm que ser aposentados.
Preste atenção em alguns detalhes que são fundamentais para o ganho de
empregabilidade:
1. Saia da zona de comodidade.
2. Estude, estude, estude. Leia, leia, leia. Só quem se dedica a buscar
e aplicar novos conhecimentos é que pode se dar ao luxo de dizer que
esta fazendo algo por si.
3. Valorize, festeje cada vitória.Valorize mais ainda cada derrota, além
de seqüelas, elas também nos deixam valiosos ensinamentos.
4. Dê atenção a sua família e aos amigos. Reserve-se o direito de ter um
dia bom, um dia de tranqüilidade, e saiba aproveita-lo.
5. Veja o mundo com outros olhos, mas procure levantar a cabeça e ver o
que acontece ao redor, não necessariamente apenas em sua área de
atividade.
6. Busque uma atividade de lazer, tenha um hobby saudável e produtivo.
Que venha a te fazer uma pessoa melhor.
7. Trabalhe por prazer e não por obrigação. Tenha o objetivo de
construir algo em sua vida, para poder morrer com a certeza de que não
foi mais um entre tantos.
Lembre-se: Sucesso e fracasso são uma questão de hábito. E segundo um
ditado chinês “o plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória”.
FÁBIO
LUCIANO VIOLIN
Mestre
em Estratégias e Organizações _ UFPR
Especialista
em Planejamento e Gerenciamento Estratégico – PUC-PR
Professor
universitário, palestrante e consultor de empresas.