Futebol empresa limitada
Por Ivan Postigo
22/08/2011

Você já parou para pensar na riqueza que cerca o futebol no Brasil?

Não estou falando nas transações milionárias, não!

Pode considerar o pipoqueiro, o sorveteiro, o cortador de grama, os bilheteiros, o pessoal da manutenção, os médicos, comentaristas, equipes de TV, empresas ligadas à moda, atletas, técnicos, preparadores físicos, nutricionistas, agências de propaganda, lojas de material esportivo e toda a indústria e prestadores de serviços que atende esse segmento.

Sim, agora podemos falar em dinheiro. Pensemos no futebol como indústria e espetáculo.

Quanto vale isso?

O bebê nasce, pronto, lá está ele na foto, ostentando o símbolo do clube do pai, da mãe, do tio como provocação e tentativa de adição de mais um futuro torcedor.

Considere que num passe de mágica, a partir de amanhã, isso deixasse de existir. Qual seria o impacto no mercado?

Quantas pessoas seriam postas na rua, por conta do desaparecimento do segmento?

O assunto está desagradável? Que tal dar um tom mais colorido?

Vamos, então, organizar o segmento. A partir de agora chega de amadorismo, vamos tratar o assunto como merece. Gestão total, como se fosse uma empresa com ações na bolsa de valores. Caiu a cotação, caem os gestores!

Qual seria a riqueza gerada e principalmente empregos?

Gostou da idéia?

Eu também, mas fica uma pergunta: por que não fazemos isso?

Cultura, nosso jeitão, futebol sempre foi assim, falta qualificação, não temos expertise?

Se quiser pode ajudar na lista. Isso só contribui para a reflexão!

Hoje, com tantas transmissões ao vivo e com a qualidade das imagens, ficamos, literalmente, babando com os estádios e a organização que vemos no exterior, não é verdade?

Compramos camisas de times estrangeiros! Brasileiros, não poucos, não só torcem, mas são capazes de falar, sem qualquer erro, a escalação do seu time do coração, que está no além, mas muito além mar.

Seriam eles, lá fora, capazes de fazer o mesmo, com a mesma empolgação? - Lembrando sempre que nossos atletas são respeitados pela arte que desenvolvem.

Não, com certeza não contamos com esse privilégio.

Pois é, a próxima copa do mundo será no Brasil. Que ganhos teremos com isso?

Ah, queremos ganhar o “caneco”!

Ta, e depois?

Isso nos ajudará a exportar mais?

Passada a copa, o fluxo do turismo aumentará?

Tivessem que responder essa pergunta, muitos diriam: Claro!

E que tal, tentar responder estas três: o quê, onde e por quê?

Dois aspectos são fundamentais para que um país ganhe visibilidade: sua arte e sua cultura precisam ser absorvidas além de suas fronteiras.

O rock é brasileiro? Não, mas como o absorvemos, o consumimos e tudo que o cerca.

E que tal o café brasileiro? Olha lá, esse leva nossa cultura e nossa arte. Grande representante!

E a tequila? Essa consumimos.

Vem com cultura e arte? Lógico!

É verdade que alguns produtos já incorporamos, e nem nos damos conta que a palavra que o denomina é estrangeira. Ora, mas vá lá na raiz e veja se quando chegou não trouxe arte e cultura.

Quem sabe um dia mudamos o modelo de gestão do futebol, para que ele, como empresa, não tenha tantas limitações e possam gerar mais lucros e, claro, substanciais excedentes de caixa.

Nesse ínterim, só podemos lamentar ao ver o futebol como uma empresa limitada.

Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
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