A Geração Y e as IES
Por Luciana Palhete
10/02/2011
Nesses 10 anos trabalhando em departamentos de Comunicação e Marketing de
Instituições de Ensino Superior (IES), tornou-se mais do que usual realizar
e responder perguntas do tipo “quem é o seu (no caso, o nosso)
público-alvo?”. E, felizmente, essa questão vem sendo levantada com cada vez
mais frequência por gestores de todas as áreas das IES.
No entanto, atualmente, informações consideradas básicas sobre o aluno, como
onde mora, faixa salarial, onde trabalha etc, são fundamentais para que
possamos ter acesso a características desse público. Mas, é de extrema
importância saber como esse educando se comporta no ambiente familiar e
profissional, o que o estimula, o que ele gosta de fazer nas horas de folga,
como ele aprende e como se comunica. Vejo que muitos ainda não sabem
responder quem é de fato o público-alvo.
Sem possuir respostas para essas questões, os gestores de instituições de
ensino ficam a mercê do mercado avassalador que se constituiu nos tempos
atuais. Por isso, quero lançar um holofote sobre o perfil do público geração
Y, que está sentado aí, nas carteiras da mais diversificadas Instituições.
Não há outra forma, eles são a nossa realidade e vão ditar as regras em um
futuro não muito distante!
Se você gestor não sabe como se comporta, onde anda, o que gosta e o que faz
essa geração nascida na década de 80, seu negócio está fadado à diminuição
de número de alunos, pois, certamente, alguma outra Instituição próxima está
levantando esses dados.
Fique atento, o alunado não é mais como as gerações passadas. Agora, quem
está na sala de aula de sua Instituição é a Geração Y, que teve como
antecessora a Geração X e que gosta de trabalhar em equipe, não se submete a
realizar qualquer atividade que não tenha “sentido” à sua existência,
tampouco fazem coisas por fazer. São antenados em novas tecnologias e
desenvolvem várias atividades simultaneamente. E, tudo isso é importante,
pois você tem de saber, entender, aceitar e considerar em suas estratégias
institucionais, comerciais e mercadológicas esse perfil dentro da
Instituição.
A geração Y não tem medo de arriscar e por isso inovam e procuram sempre
novos caminhos. De certa forma, isso pode nos prejudicar e muito na retenção
de alunos também, pense nisso! Se muitos não se submetem a seguir carreira
em que tenha que ter horário de entrada e saída do emprego, imagine nessa
etapa, onde o horário de aulas engessado, maçante! Claro, não falo em termos
de libertinagem e bagunça, mas sim de uma flexibilidade maior, mesmo porque
acredito que os valores da geração Y não são muito diferentes dos valores
tradicionais, são apenas mais liberais em termos de cultura e de
acessibilidade.
Eles ainda valorizam a honestidade, criatividade, família e sucesso. O que
precisamos fazer é ver por uma perspectiva diferente, olhar pelos olhos
deles. Recentemente uma pesquisa da MTV Brasil, intitulada de “Dossiê
Jovem”, entrevistou 2.154 pessoas entre 12 e 30 anos em São Paulo, no
interior paulista, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador,
Recife e Porto Alegre, publicada na Revista Veja SP, edição de 08 de
dezembro de 2010, apontou que 90% dos jovens apontam a união familiar como o
principal valor, e que 61% moram na mesma residência com a mãe.
Como a geração Y precisa criar, experimentar e por isso não gosta de se
sentir presa (comportamento esse que já os qualificou como folgados,
indisciplinados e insubordinados, mas a realidade é que esses jovens
procuram fazer aquilo que lhes dá sentido), acredito que podemos pensar em
algumas questões, como: “O conteúdo programático de sua Instituição atende,
na medida permitida de nossa legislação, a essas características?” “O seu
planejamento de comunicação, contempla atividades e mídias de acordo com
esse perfil?” “Redes sociais, mobilidade, multiplicidade de focos,
interatividade fazem parte do dia-a-dia do seu alunado?”
É evidente, há que se mudar a forma de pensar e agir, conseguiremos caminhar
juntos com essa geração, para assim estimular a troca, o respeito e a
aprendizagem de maneira significativa. Mas já preparando o terreno, porque
em breve, quem estará sentando em nossos bancos escolares não será a tal
geração Y, mas sim a atual e recém saída do forno, geração Z.
Bem-vindo a onda da geração “sopa de letrinhas”!
* Luciana Palhete é Coordenadora de Comunicação e Marketing do UNISAL –
Centro Universitário Salesiano de São Paulo com Unidades em Americana,
Campinas, Lorena e São Paulo. Especialista em Administração em Marketing,
atua há mais de 10 anos no segmento educacional.