Uma nova fraternidade no mundo dos negócios é possível se desenvolvermos
uma gestão mais espiritualizada. Para isso, será necessário operar
algumas transformações na liderança empresarial. A Gestão
Espiritualizada das Relações Organizacionais situa-se numa dimensão para
além da esfera do entendimento intelectual, aportando uma prática
obrigatoriamente vivenciada ao nível das crenças, dos valores dos
funcionários e do inconsciente organizacional.
Só um centro de valores firme, repartido entre os apoios comuns dos
recursos humanos, da visão estratégica e das crenças derivadas de uma
adição onde o resultado é maior que a soma das partes (inconsciente
organizacional), permite compreender estatura da proposta que trago.
O processo de decisão no marketing de proximidade real - dharma
marketing - traz uma nova linha de horizonte para os seres humanos em
contexto empresarial, uma nova percepção que permite olhar para além das
aparências, dos sentidos ordinários.
A gestão de um inconsciente organizacional, o centro nas referências
interiores, a visão estratégica dos lideres organizacionais, quando
associados a uma disciplina ética firme, permitirão pensar que um novo
mundo para os negócios é possível.
A proposta em mãos é mais uma possibilidade de caminho, onde o marketing
de proximidade real - dharma marketing - se reafirma como o mais elevado
patamar do marketing relacional, este vem sendo já chamado por muitos de
“Quarta Vaga do Marketing de Relacionamentos”.
Uma liderança espiritualizada permite a total sintonia entre os valores
estratégicos da empresa representada e o nosso próprio centro de
valores, só assim o compromisso será incondicional e inegociável. Lembro
que Nietzsche afirmou que quem tem por que morrer pode suportar qualquer
como. Só um compromisso maior, acima de todas as questões mundanas,
perecíveis, poderá justificar uma liderança robusta centrada na
responsabilidade espiritual.
A espiritualidade será, quanto a mim, o principal benefício, o mais
importante ponto de medida de sucesso empresarial no futuro,
consequentemente todos os públicos relacionais terão a ganhar com a
sincronicidade trazida para a relação.
O principal ativo das empresas, nos dias que correm, é o talento, o
espírito intuitivo e livre, aquele que consegue imaginar para além da
consciência ordinária do ser humano.
Alguns exemplos práticos de espiritualidade no seio das organizações
serão a gestão ao serviço inspirada pela gratidão; um elevado grau de
consciência de si mesmo; a aproximação ao Eu mais profundo; o uso e a
transcendência das dificuldades; o ser espiritualmente inteligente; o
aceitar a incerteza como princípio da inspiração criadora; a
espontaneidade profunda e responsável; o ativismo comunitário, etc.
Os exemplos de relações de baixa espiritualidade são mais fáceis de
diagnosticar; pessoas sem alegria, desmotivadas, insatisfeitas,
reclamantes, isto ao contrário das relações espiritualizadas onde as
pessoas vêem para além das dificuldades, utilizando formas criativas,
solidárias, bem humoradas, tendo orgulho no que fazem, possibilitando o
crescimento, o desenvolvimento e a interdependência.
Estas propostas se refletem na busca do entendimento pacificador,
profundo de sentido na transformação pessoal e, consequentemente, no
inconsciente organizacional.
Formação dedicada ao inconsciente organizacional
A espiritualidade autoriza o reformar de velhas competências -
simplesmente - na forma como estas deverão ser operacionalizadas,
permitindo um profundo alinhamento de estratégias entre os valores
pessoais e dos da organização. Este efeito introduz-nos,
complementarmente, num ambiente de elevada proximidade e confiança,
garantindo relações mais amplas, transparentes, e consequentemente de
maior prazo.
A relação de proximidade entre o indivíduo e a auto-realização revela a
sua espiritualidade. Relembro que para a requalificação dos nossos
recursos humanos necessitamos complementar os planos de formação das
organizações abrigados por curricular que estejam muito para além do
discurso; ou seja mind-sets.
A formação com vista no inconsciente organizacional é complementar de
todas as formas convencionais de ensino. A importância da formação
baseada no conhecimento é marcante, contudo terá que ser acompanhada com
o desenvolvimento da auto-realização e cuja dimensão mais intima é a
espiritualidade. O conhecimento pode-se conseguir através da prática
discursiva, da leitura, através da linguagem sempre encantadora,
enquanto os mind-sets são a ferramenta ideal para ultrapassar as
barreiras da erudição, do auto-conhecimento, atingindo a experimentação
do que é ser – verdadeiramente – humano: a auto-realização.
Para que tudo isto seja possível deveremos conciliar a nossa vocação
pelo serviço e as componentes visionárias da organização, em especial no
tocante ao inconsciente organizacional. Só assim poderemos alinhar o
querer individual com a motivação de um coletivo. Mas, mesmo nas
organizações, a transformação será sempre pessoal, mas lembre-se a
revolução é que é coletiva. Tudo depende afinal só de si.
Paulo
Vieira de Castro é mentor do modelo “Marketing de Proximidade Real”, consultor
de empresas, Diretor do Centro de Estudos Aplicados em Marketing do Instituto
Superior de Administração e Gestão do Porto – Portugal. E-mail geral@paulovieiradecastro.com