Gigaser
Por Jorge Antonio Monteiro de Lima
17/07/2010
Ele pensa parado diante de seu computador. O que vou fazer agora? Tanta coisa
para ver, tantos sites interessantes para visitar. Tudo e o nada ao mesmo tempo.
O nada pela máquina depender de ações concretas, o tudo pelo infinito que se
abre diante dos olhos do rapaz. Um computador, uma banda larga, uma tela de lcd
e será seu todo reino, poder e a glória. O menino de 16 anos todo poderoso então
entra em choque com sua onipotência recém adquirida. O que vou fazer com toda
esta possibilidade infinita?
Alguns dos aspectos psicológicos interessantes que vem surgindo à medida que um
novo estilo de vida vem sendo introjetado pela psique estão diretamente
associados ao emprego da tecnologia especialmente da informática à vida
quotidiana: O aumento expressivo da ansiedade em crianças, jovens e adultos; o
aumento da queixa de indivíduos com problemas afetivos, especialmente a solidão;
a crise de identidade permeada pela possibilidade de se viver uma vida paralela
em Chats e games; a perda da energia, o sedentarismo, a apatia e o isolamento; a
dificuldade moderna do delimitar os limites da realidade e do mundo virtual seu
tempo e espaço.
Temos dedicado boa parte de nosso tempo estudando e observando na área da saúde
mental a relação direta entre as psicopatologias modernas e a inserção do
indivíduo neste mundo virtual.
Raros estudos hoje no mundo aprofundam tal questão até por seu contexto inovador
e pela atualidade do tema. Todavia o impacto da imersão da psique neste universo
virtual deve ser observado com clareza. Aqui, porém devo deixar claro que não
somos contra o uso do indivíduo para com a máquina. O problema é o abuso e o
excesso. Sou usuário da informática e como um deficiente visual se não fosse a
tecnologia não teria a facilidade da produção o que tornaria minha tarefa
rotineira mais difícil.
A informática hoje tem um apelo que mergulha em nossa consciência coletiva. Ela
pode dar ao ser humano o que ele sempre quis o dom de ser ilimitado. A
possibilidade de fazer de tudo, sem barreiras, sem fronteiras do imoral ao
pudico tudo. E sem culpa basta um quarto reservado. O tempo tornou se relativo e
para nós todo ele é pouco. Dois giga de memória Ram estão ultrapassados queremos
quatro embora só possamos utilizar um. Isto está associado diretamente ao desejo
de onipotência presente ao espírito.
O mundo virtual é o mundo do ão. Tudo demais, grande, forte, viril, ilimitado.
A consciência de temporalidade tornou se alterada com ela à consciência do
espaço. Hoje em dia é comum encontrarmos adolescentes que não sabem como viver a
rotina da vida, acham chato ter de ir a uma fazenda e curtir o clima de uma
praia fazendo absolutamente nada. Não sabem mais como conversar ou como viver na
coletividade sem uma máquina intermediando sua vontade.
O sentimento de onipotência gerado por este universo virtual é perigoso
ilusório, e pode deixar um indivíduo com seu ego inflado, com uma auto imagem
distorcida, achando se muito mais do que na realidade o é. O egoísmo, apatia e o
isolamento tornam se comuns neste tipo de imersão psíquica e as decorrentes
patologias serão apenas conseqüências deste estado absorvido pela personalidade.
A tendência social do problema é a inadequação do indivíduo ao meio em que vive.
O aumento do egoísmo, da solidão até a ruína afetiva total. Na prática a
enxurrada do aumento de casos de dependência química especialmente de drogas
sintéticas tem como pano de fundo esta mesma estrutura de personalidade.
O mesmo ocorre com jovens aficionados por esportes radicais de alto risco. A
adrenalina tão cultuada e edificada. Jovens que se acham onipotentes e
indestrutíveis e que um dia encontram a dor da realidade.
Este é o problema muitos tornam se inválidos e ou morrem atrás de um sonho de
onipotência.
Jorge Antônio Monteiro de Lima é pesquisador em saúde mental, Psicólogo e musico Consultor de Recursos Humanos Consultoria para projetos de acessibilidade para pessoas com necessidades especiais email: contato@olhosalma.com.br - site:www.olhosalma.com.br