Implantação de banco de horas nas empresas
Por Sonia Jordão
07/09/2010
Atualmente, devido a grande concorrência, as empresas, para
conseguirem novos negócios, precisam buscar alternativas que reduzam custos
para, então, conseguirem baixar seus preços finais e ganhar mais pedidos. Uma
alternativa, para a redução dos custos, é o banco de horas.
Quando é necessário pagar horas extras o custo sobe, inviabilizando a venda.
Nesses casos, às vezes, é preferível perder o pedido. Não dá para fornecer com
prejuízo, nem se pode prometer entregar em um prazo no qual não se consegue
produzir e, assim, correr o risco de perder o cliente.
E, porque acontece dos pedidos chegarem todos de uma vez? Normalmente, no final
do ano, as empresas já programam os investimentos para o ano seguinte. Até que
se defina o projeto, a construção e a compra dos equipamentos, o primeiro
semestre já se foi. Por isso, geralmente, no segundo semestre há mais serviço
que no primeiro, principalmente para os fabricantes de equipamentos.
Um outro problema que acontece, às vezes, é de algumas empresas dependerem de
fenômenos da natureza. Por exemplo, só podem trabalhar em épocas de chuva ou de
seca. Outras ainda dependem da safra de algum produto que acontece só em
determinadas épocas do ano.
Visando melhorar a lucratividade e conseguir sobreviver, quando as empresas
ficam com pouco serviço elas aproveitam para dispensarem os funcionários menos
competentes, aqueles com personalidade difícil, os que não buscam melhorar seu
trabalho ou ainda os que se encontram desmotivados.
Nesses momentos, só ficam os funcionários que são as estrelas. Aqueles que as
empresas sabem que se perderem será difícil trazer de volta, uma vez que,
geralmente, bons profissionais não ficam sem trabalho. Aí, esses profissionais
que não foram demitidos, sem serviço, às vezes trabalham como ajudantes em
outras áreas que não têm nada a ver com suas profissões. O que é ruim para a
empresa, pois ela acaba pagando um salário muito maior do que a atividade
requer. É ruim, também, para o funcionário, pois ele deixa de exercer as funções
de que gosta e que escolheu como sua profissão.
Posteriormente, as empresas ficam com muito serviço e surge um dilema: contratar
ou fazer hora extra? Por exemplo, imaginem que em uma equipe exista necessidade
de se fazer 100 horas extras em um mês. Consideremos ainda que elas aconteçam de
segunda à sexta-feira com um adicional de 60%. Tomando por base um salário médio
de R$ 3,00 a hora, a empresa pagará pelas horas extras 100 x 3,00 x 1,60 = R$
480,00. Isso sem contar os impostos e as horas extras com adicional maior que
60%! Nesse caso compensa mais contratar um novo funcionário para ajudar a
equipe.
A contratação de um novo funcionário é boa para:
* A sociedade, pois gera mais emprego.
* Para a empresa, pois passa a poder escolher, no momento de dispensar, entre o
funcionário novo e o antigo que gera algum tipo de problema, ou tenha menos
capacidade.
* Para o sindicato, já que recebe mais no momento da contribuição, sindical, que
é por funcionário.
* Para o novo funcionário, porque conhece novas pessoas, adquire novos
conhecimentos e ainda se coloca no mercado de trabalho. Agora, veja algumas
vantagens de se ter um banco de horas.
Para as empresas é bom porque:
* Tem menor custo com contratação e treinamento.
* Conseguem ter menor rotatividade. Geralmente, funcionários com maior tempo de
casa conhecem melhor a rotina da empresa e conseguem uma maior produtividade.
* Diminui a preocupação dos patrões, principalmente, no momento que está sem
serviço, onde fica uma sensação muito ruim de ter que dispensar pessoas que
precisam trabalhar. Contudo, não dá para pagar aos funcionários para ficarem sem
serviço dentro das fábricas.
* Não precisam arcar com os custos de demitir funcionários em momentos de baixo
faturamento.
Para os funcionários é bom porque:
* Conseguem maior estabilidade.
* Aproveitam os momentos de folga, em dias úteis, para resolverem problemas
particulares.
* Podem curtir mais a família, quando estão de folga.
* Com horas no banco de horas ficam mais tranqüilos e podem se programar
financeiramente.
Enfim, acredito que com a implantação de um banco de horas nas empresas todos
podem sair ganhando, principalmente quando o pensamento é para um prazo maior e
não se olha somente o que se tem de horas extras a receber naquele mês.
Pense nisso!
Sonia Jordão é especialista em liderança, palestrante, consultora empresarial e escritora. Autora do livro “A Arte de liderar – Vivenciando mudanças num mundo globalizado”, e dos livros de bolso “E agora, Venceslau? Como deixar de ser um líder explosivo” e “E agora, Lívia? – Desafios da liderança”. e-mail: tecer@soniajordao.com.br - Sites: www.soniajordao.com.br, www.tecerlideranca.com.br, www.umnovoprofissional.com.br