A Influência das Gerações Y, Z e Alpha nas Empresas
Por Flávio Yukio Motonaga
29/09/2014

As gerações Y (nascidos entre 1978 e 1990), Z (nascidos entre 1990 e 2010) e Alpha (nascidos de 2010 em diante), têm tomado conta das rodas de discussão sobre a juventude nos últimos tempos. A influência desses jovens no modo de vida da sociedade tem gerado diversos debates sobre como será o futuro e a influência no âmbito profissional.

O corporativismo como bem conhecemos sofrerá muitas revisões nos próximos anos. As novas gerações – essas mesmas que saíram as ruas em 2013 de maneira caótica e que adquiriram consciência de existência por meio das redes sociais – não querem mais reconhecer seus superiores como “seres cristalizados e onipotentes”.

Curioso que as boas faculdades fazem profissionais jovens e preparados. Mas quem diz que eles se estabelecem e se enraízam sob o corporativismo? Isso não deve ser visto como falta de educação. É mudança comportamental (dentro e fora das empresas). Inevitável e autêntica.

Sinto que esse impacto de mudança das gerações se dá principalmente nos filhos das classes média e alta, pelo fato desses jovens terem acesso a um número maior de informações, de tecnologia e influência do próprio modelo familiar que dá mais liberdade e condições de escolha. Os jovens de classes mais baixas têm a necessidade de um vínculo empregatício e geração de renda muito mais latente, o que os preserva nos modelos das gerações anteriores (como nossos pais, que buscavam por estabilidade).

Esses indivíduos das gerações Y e Z que estudam em boas faculdades acabam tendo embasamento teórico e prático, mas não assumem o modelo hierárquico tradicional. Diante desse cenário, as empresas precisam se adaptar a essa nova realidade. Afinal, sem as novas gerações invadindo as salas e ocupando os cargos, quem é que vai perpetuar o próprio negócio?

geracoes

É importante também avaliarmos a situação sob o ponto de vista desse jovem: vamos imaginar um profissional da Geração Y que entra numa multinacional completamente hierarquizada e burocrática. Esse jovem, que tem condições de arriscar (e segurança para isso), vai se “aventurar” muito mais entre uma empresa e outra, vai querer trabalhar em ONG’s que lhe deem mais tempo, senso social e autonomia, vai encontrar um sentido em práticas de voluntariado, etc. Com isso, ele adquire um conhecimento de maneira mais horizontal, sem o intermédio evidente de um superior numa cadeia hierarquizada.

Mas será que essa transição do modelo centralizado das empresas para um “modelo orgânico” funciona no Brasil, onde predomina um certo autoritarismo? Na minha opinião, tem que funcionar! Não temos como remar contra essa maré. A fusão de valores é inevitável e temos que nos acostumar com a ideia de ver jovens de 22, 23 anos sendo gerentes nas organizações.

Minha agência, assim como muitas outras empresas no Brasil possui funcionários jovens que se encaixam nesse perfil, com personalidades empreendedoras e boas ideias. Em linhas gerais, o empresário que consegue se adaptar a essas gerações pode trabalhar as características visando o aumento de produtividade. Em contra partida, no pacote de atributos dessas gerações, vem inclusa uma certa ansiedade por resultados e reconhecimento, mas se administrada da maneira correta, essa peculiaridade pode gerar bons resultados para a empresa.

As novas gerações estão mudando a sociedade e a estrutura organizacional com a qual estamos acostumados tende a cair. Se não pode com eles, junte-se a eles, é o que eu digo!

*Flávio Yukio Motonaga é sócio diretor da líbero+, agência especializada em web marketing, criação de sites, SEO e redes sociais. Flávio também dá dicas sobre empreendedorismo em seu blog: Minha Microempresa www.minhamicroempresa.com (MME).