Ingredientes para o Sucesso - 10 Tópicos essenciais para o êxito nas corporações
Por Tom Coelho
26/10/2010
“Futuro é o período de tempo em que nossos negócios prosperam,
nossos amigos são verdadeiros e nossa felicidade está garantida."
(Ambrose Bierce)
Enquanto consultor, tenho tido a oportunidade de conhecer e
estudar a realidade de empresas diversas, seja no porte ou na atividade
econômica, concluindo que invariavelmente a distância entre o sucesso e o
fracasso é mensurada pela qualidade da gestão. Desta experiência, posso afirmar
que o êxito no mundo corporativo passa necessariamente pelos quesitos abaixo
relacionados.
1. Propósito definido. Toda organização deve ser capaz de responder à seguinte
questão: Qual é o seu negócio? Empresas de cosméticos vendem beleza, a
expectativa das mulheres de se tornarem mais belas e atraentes. Companhias de
transporte aéreo vendem economia de tempo, a promessa de fazer o usuário chegar
mais rapidamente ao seu destino. Indústrias de freios e pneus vendem segurança.
O que vende a empresa na qual você trabalha?
2. Valores e visão compartilhados. Os valores praticados (e não os meramente
declarados) por uma empresa expressam seu DNA e sua personalidade. Definem o
perfil de quem pode e deve vestir a camisa da corporação. E a visão, quando
comungada pelos colaboradores, indica a trajetória a ser seguida. Os valores
determinam o ponto de partida, e a visão, a estação de chegada.
3. Foco no cliente e na rentabilidade do negócio. O cliente é, há tempos, o fiel
da balança. Do alto de sua subjetividade e infidelidade, sentencia quem capitula
ou permanece no mercado, simplesmente decidindo onde e como gastar seus
recursos. Mas que não se perca de vista a obrigatoriedade de a empresa ser
lucrativa, e mais ainda, rentável. Este é o único caminho para a perenidade.
4. Metas factíveis, planejamento e monitoramento sistemáticos. Administrar uma
empresa não é fruto do acaso. É um processo que demanda a determinação de metas
específicas, quantificadas, ousadas e possíveis de serem alcançadas, traçadas
dentro de um planejamento estratégico e continuamente monitoradas.
5. Produtos, serviços e atendimento excepcionais. Produtos e serviços (e todo
produto é um serviço em última instância) estão comoditizados, cada vez mais
similares em forma, conteúdo, design e funcionalidade. Mas há um grande
diferencial competitivo: a qualidade do atendimento. Este é o único fator
possível de fidelização de clientes. E o primeiro a impor uma fronteira entre
preço e valor.
6. Equipe extraordinária e clima organizacional estimulante. Se a vantagem
comparativa advém de um atendimento primoroso, este só pode ser proporcionado
por pessoas. O segredo está em contratar, capacitar, educar, desenvolver e
aprimorar pessoas comprometidas, responsáveis e leais, além de íntegras e
éticas, ou seja, de bom caráter. E propiciar um ambiente de trabalho auspicioso,
aliando os interesses individuais aos corporativos, além de promover a
diversidade.
7. Marketing na veia. O marketing não pode ser entendido como responsabilidade
de um departamento da empresa. Marketing é tudo o que fazemos e deixamos de
fazer. Ou, como diria Peter Drucker, ele é o próprio negócio. Deve-se cuidar da
comunicação corporativa (no seio da empresa), mercadológica (para fora da
empresa) e institucional (perante a comunidade). O objetivo deve ser a
construção de uma marca sólida capaz de gerar um vínculo cognitivo e emocional
com o consumidor.
8. Finanças sob controle. Nenhuma organização progride com má administração
financeira. Vendas deficitárias, crédito irresponsável, cobrança inepta,
investimentos perdulários e endividamento galopante conduzem gradualmente
qualquer empresa à bancarrota. É preciso austeridade na gestão do caixa, combate
aos desperdícios e atenção com os custos, que crescem como unhas:
insistentemente.
9. Responsabilidade social e sustentabilidade. Toda empresa tem uma função
social que principia com a geração de emprego e renda e se amplia ao suprir as
deficiências do Estado no que tange à saúde, educação, transporte e segurança.
Associado a isso, surge a questão da sustentabilidade, mais do que um modismo,
uma tendência, ainda que incipiente como princípio valorativo. Num futuro
próximo, a percepção do consumidor da preocupação legítima das empresas com o
meio ambiente balizará suas decisões de compra.
10. Inovação e capacidade de se reinventar. Ao seguir um mesmo receituário,
ainda não se garante uma posição de destaque e diferenciação. O desafio é
evoluir sempre. Antever e traçar cenários. Criar novas maneiras de gerir o
negócio e as pessoas. O mais difícil não é atingir o topo, pois toda liderança é
transitória e situacional. Difícil é permanecer lá em cima.
Estes são ingredientes essenciais para o sucesso empresarial. Já a receita, cada
um faz a sua, mediante a combinação inclusive de outros temperos. Mas vale
salientar que a prosperidade deve contemplar uma melhor qualidade de vida. Este
é um objetivo final nobre e que vale a pena ser perseguido.
Tom Coelho, com graduação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP e especialização em Marketing pela MMS/SP, é empresário, consultor, escritor e palestrante, Diretor da Infinity Consulting, Diretor do Simb/Abrinq e Membro Executivo do NJE-Fiesp.