Intolerância com o velho, Relutância com o novo
Por Ivan Postigo
19/09/2010
Não importa o tipo de trabalho que você desenvolva, plantando hortaliças ou
criando softwares, todos os dias novidades estarão sendo colocadas à sua
disposição para ajudá-lo. Algumas de fácil assimilação, outras mais complexas.
O uso das inovações tecnológicas e o envolvimento com as novas tendências
dependerão de muitos e particulares fatores. Implicarão desde o interesse pela
inovação até a disponibilidade financeira.
Todo processo de reestruturação empresarial enfrenta em maior ou menor grau a
questão complexa da inovação.
Os softwares de gestão, cada vez mais poderosos e ágeis, oferecem todos os anos
versões atualizadas que demandam treinamento, up grade dos computadores com
aumento de memória, espaço em disco e muitas vezes a sua efetiva troca.
Esses avanços e facilidades, que demandam investimentos, trazem à luz do
processo de gestão debates sobre as necessidades efetivas dessas implementações,
que geram desembolsos e, nem sempre, trazem resultados facilmente observáveis.
Em gestão todos querem informações rápidas e confiáveis, contudo nem todos
entendem a demanda em equipamento, softwares e metodologia para que isso seja
obtido.
Tratando de inovação podemos, por vício, nos restringirmos a debater sempre os
aspectos ligados às informações, relatórios de produção, balanços, resumos
financeiros, contudo a realidade é bem mais complexa.
Equipamentos para fabricação de produtos têxteis que no passado um técnico
gastava de três dias a uma semana para trocar um desenho, hoje o trabalho é
feito em minutos. A situação é complexa porque em muitos casos não há como
adaptar um computador à máquina, a solução é a efetiva troca e isso demanda o
comprometimento de valores significativos.
Um equipamento mecânico é robusto e tem enorme durabilidade, para muitos
empresários o seu sucateamento, sem um valor efetivo de venda, parece um
absurdo. Quanto mais antigo o equipamento menos possibilidades de negócios são
encontradas, uma vez que este pouco pode servir como peça de reposição.
As novas tecnologias trazem uma nova cultura e um novo jeito de fazer as coisas,
gerando choques e muitas vezes embaraços e dificuldades de adaptação.
Considerando que algo tão visível a palpável como a evolução dos equipamentos já
gera desconforto para sua adaptação o que dizer então das idéias e conceitos de
gestão?
Vamos considerar um exemplo simples, corriqueiro, mas que dá uma exata noção do
choque que o processo gera.
Os apontamentos de produção, onde uma pessoa ou operador anota num formulário a
quantidade de produtos fabricados e depois estes dados são resumidos em outros
quadros, manualmente ou via planilha eletrônica, cada vez mais estão sendo
substituídos por leitores adaptados na própria máquina, onde as informações,
quadros e relatórios independem do auxiliares.
O operador ou os técnicos apenas tem que garantir o correto funcionamento do
equipamento, ficando a cargo do usuário final, tomador de decisões, a adequação
dos dados coletados aos formatos que gostaria de ter.
Simples, perfeito, esse processo atende aos sonhos de todos os gestores?
Nem sempre verdade!
O usuário recebia um relatório com uma estreita visão do processo, quando queria
algo mais abrangente pedia a algum subordinado que o fizesse, com a nova
tecnologia tem à sua disposição infinitas formas de análise, onde ele mesmo pode
desenvolver o modelo.
Tudo o que era sonhado hoje traz alguns agentes complicadores: Estudar a
tecnologia e seus recursos, envolver-se pessoalmente com o processo, ter a sua
disposição uma infinidade de dados e possibilidades de cruzamentos e a obrigação
de estabelecimento de uma rotina.
Sem essa nova tecnologia uma máquina quando parava avisava o operador com um
sinal sonoro ou uma luz que acendia, com os novos recursos pode avisar a quem
for necessário, dentro de padrões pré-estabelecidos.
Num desses processos um empreendedor, que sempre reclamava estar desinformado
pela lentidão dos apontamentos, nos dizia após alguns dias de testes: “Não quero
esse programa no meu computador, são muitas informações e não tenho paciência
para lidar com isso. Quando quiser saber se as máquinas estão funcionando ou não
vou à fábrica, se eu ficar olhando isso o dia todo vou ficar louco”.
Todo processo de mudanças traz desconforto, contudo maior será para aquele que
tem intolerância com velhas formas e relutância com as novas.
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
www.postigoconsultoria.com.br - ipostigo@terra.com.br