Louco Porque Ganho Pouco
Por Ivan Postigo
31/012012
Lembra da tal história de levar vantagem em tudo? Pois é, a gente já sabe
que não funciona.
Quer tentar? Continue, mas uma hora “azeda a
maionese”.
O mercado brasileiro, aquele que tinha gente “baratinha”,
sobrando, não existe mais.
No passado, muitos jovens deixavam de
frequentar uma universidade porque não tinham recursos financeiros, quer para
pagar a mensalidade ou mesmo para sair da sua cidade em busca do curso de seus
sonhos.
A realidade mudou. A quantidade de faculdades e vagas cresceu
muito. É verdade que não faltam críticas à qualidade, mas também não podemos
deixar de considerar que há uma abertura do mundo aos jovens com a carga de
informações que recebem, quer no mundo acadêmico, com seu complemento em
pós-graduação, e mesmo na internet.
Os formandos e os formados, com
seus cartuchos embaixo do braço, têm expectativas e querem realizá-las. Estas
estão ligadas aos trabalhos que possam desenvolver e aos valores que possam
receber.
Muitos, enquanto estudam, aceitam trabalhos sem expectativas
de crescimento e valores suficientes para pagar seus estudos, mas uma vez
concluídos os cursos, seguem em busca de condições mais interessantes.
Na outra ponta estão as empresas e seus gestores, lutando para que estas
cresçam ou no mínimo se mantenham vivas.
Qual o objetivo de ambos?
Realização técnica e financeira!
O profissional tem reclamado que ganha
pouco, e o empresário que o retorno do capital tem se mostrado irrisório.
O profissional está em busca de alguém que lhe pague um bom valor para que
faça o que sabe, e o empresário alguém que aceite o mínimo possível para que
desenvolva o trabalho que pede.
Dificilmente seus objetivos serão
coincidentes, não é verdade?
Esta semana ouvia um jovem recém-formado
dizendo a um profissional com mais de 30 anos de carreira que a sua
experiência não era suficiente para o cargo que buscavam preencher, e a razão
era o ramo de atividade!
Quando me interessei em saber com base em que ele
fazia a avaliação, descobri que era pelo que havia visto no CV.
Naquele
momento um filme passou pela minha cabeça: que conceitos teriam para aquele
selecionador Bill Gates, Steve Jobs, Thomas Edison, e tantos outros, gênios,
se colocassem, no inicio de carreira ou não, suas experiências apenas no
papel.
Bom, não podemos esquecer que Jobs foi demitido da empresa que
criou. É verdade que ele não era uma pessoa fácil. Mas, na sua volta, ficou
claro também que não era fácil lidar com pessoas difíceis.
Uma
diarista, cobrando R$ 80,00 por dia, em 20 dias de trabalho ganha R$ 1.600,00,
pergunto: qual o menor valor que um empresário pode esperar pagar para uma
pessoa com bacharelado?
Hoje, há uma série de trabalhos que podem ser
desenvolvidos sem necessidade de uma faculdade, que permite ao trabalhador um
ganho interessante. É necessário treinamento técnico e habilidade,
evidentemente.
Esse profissional, que tem possibilidades de ganhos
superiores, precisa corresponder, mas também tem expectativas que precisam ser
atendidas.
Ocorre que essa conversa entre contratante e contratado não
tem acontecido como deveria. A oportunidade surge no processo seletivo, depois
se estabelece uma relação de sobrevivência.
Com isso, o empreendimento
que precisa da sinergia e empenho de ambos, não os recebe, e não se
desenvolve, e ambos vivem loucos porque ganham pouco.
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
www.postigoconsultoria.com.br - ipostigo@terra.com.br