Lucros: Causa em um sistema ou efeito de um processo?
Por Ivan Postigo
29/08/2010
A primeira questão a ser abordada quando tratamos dos lucros é entender o que é
como se forma.
Ao entrar na sala para entregar uma pasta o estagiário ouviu a seguinte pergunta
de um consultor que, brincando, o provocara:- O que é lucro - singular?
Este não titubeou e disparou: - É o resultado de tudo que entra menos tudo que
sai.
Entram as receitas, saem os custos e as despesas, pronto, desvendado o mistério.
Lucro então é efeito de um processo. Simples!
Por que razão, então, há essa necessidade tão grande de gerar lucros - plural,
com tantos tratados e debates? É só apurar o resultado do processo...
Parece que a razão é simples, contudo é fundamental observar que o lucro
-singular- reinvestido, aplicado em máquinas, pesquisas, na produção, em
prospecção, gera mais e novos lucros - plural. Sendo assim a importância não
está no processo, mas no sistema!
Bom, com esse entendimento não podemos tratar a geração do lucro de forma tão
simples como ensinaram nosso estagiário.
Descobrimos que o reinvestimento do lucro provoca uma alavancagem no processo,
criando um sistema.
Sendo isso verdade por que o tratamento dos lucros recebe tão pouca atenção?
Falta no nosso mercado um direcionamento educativo para poupança e,
principalmente, investimentos. Esse assunto deveria começar cedo nas nossas
escolas, ensinando as nossas crianças e adolescentes os conceitos não só de
gestão financeira, mas econômica.
Alguns diriam isso é muito chato! Não se for tratado de forma lúdica e os alunos
conseguirem observar e obter benefícios. A questão é interessante porque, entre
outras razões, levará nossos pupilos a aprender o valor das “coisas”.
A análise econômica, usando os dados contábeis, deveria ser a base para cálculo
e avaliação dos lucros, contudo não faltam empresas administradas pelo fluxo de
caixa. Os dados contábeis acabam sendo utilizados puramente para atendimento às
exigências legais. Não fosse a insistência dos contadores sequer seriam vistos.
Ocorre que o fluxo de caixa não é a ferramenta adequada para cálculo dos lucros.
Esta pode apenas mostrar os movimentos financeiros de entrada e saída de
recursos, mostrando no período o superávit ou o déficit.
Agora sim, podemos ter uma idéia do que levou nosso estagiário a considerar o
cálculo do lucro como um raciocínio de entrada e saída.
Os lucros sendo um fator alavancador não podem ser considerados efeito de um
processo, mas a própria causa de um sistema.
Trabalhar pelo desenvolvimento, crescimento, é diferente de trabalhar pela
sobrevivência. Sobreviventes são educados pelas circunstâncias a observar o
imediatismo, a urgência, sem a disposição para tratamentos a médio e longo
prazos.
Lucros podem gerar reservas ou poupanças como agentes de segurança, e ter o fim
como do velho senhor que guardou o dinheiro no colchão e foi comido pelas
traças, ou podem servir como recursos para investimento e desenvolvimento
empresarial e econômico.
Gestores buscam mais orientações em épocas em que passam dificuldades e
enfrentam prejuízos do que quando estão bem e gerando lucros. Com isso perdem
excelentes oportunidades para sua multiplicação. Simplesmente foram educados e
aprenderam que estes são efeitos de um processo e não a causa de um sistema.
Ainda não concorda?
Você entraria em um negócio que não gerasse lucros continuamente?
Ora, não é um belo argumento para defender a causa e não o efeito?
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
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