Mais que um Líder - sendo um Coach
Por Sonia Jordão
20/10/2010
Sabemos que não existe um perfil ideal para um líder.
Precisamos obter o máximo de benefícios para todos, pessoas e organizações.
Liderança tem a ver com gestão de pessoas e com resultados. Com as atuais
transformações do padrão de comportamento das pessoas, em um ritmo muito mais
rápido do que no passado, surge a necessidade de uma nova habilidade. A
habilidade que denominamos de coaching.
O significado da palavra coach em inglês é: técnico, condutor, guia e instrutor
particular. Podemos dizer que o coach lidera pessoas em um processo de
planejamento global, de curto, médio e longo prazo, buscando os resultados para
a organização. Nessa realidade, pessoas e equipes se comunicam, desenvolvem-se e
comprometem-se com o seu trabalho, satisfazendo suas necessidades e a de seus
clientes.
O principal papel do coach é o de ser um educador/transformador. Ele irá atuar
no nível da atitude com as pessoas, envolvendo-as com a perfeição das coisas. O
coach precisa trabalhar com pessoas realmente motivadas e faz desse papel de
treinador a sua nova filosofia de liderança. Ele tem habilidades para
desenvolver pessoas, sobretudo seus colaboradores imediatos.
O coach sabe que cada um tem sua motivação interiormente. Portanto, ao agir,
voltará sua atenção para atitudes que não desmotivem; propiciará a liberação da
energia de cada um produtivamente, solucionando conflitos e lidando com as
emoções de cada pessoa com quem ele entra em contato no sentido de uma
transformação positiva e produtiva para a organização. Ele vai além do trabalho
de apoiar apenas sua equipe, é aquele que ajuda na transformação de seus pares
(líderes do mesmo nível hierárquico) e respectivas equipes.
No ambiente de trabalho é cada vez mais comum o profissional se comprometer com
a melhoria da performance e da capacidade de aprender dos seus colaboradores,
daqueles que fazem parte de sua equipe. Esse comprometimento tem um nome: coach.
“Ser coach é saber dar as ferramentas necessárias para que a sua equipe chegue
às próprias soluções” diz Dennis Matthies.
Ora, ter colaboradores que saibam tomar decisões é cada vez mais importante para
as organizações. É por isso que o coach não pode ensinar pessoas apenas dizendo
o que faria se estivesse naquela situação. Ele tem que ensinar seus
colaboradores a raciocinar, a analisar as situações, e tem que achar a melhor
saída para os problemas com base nos princípios de cada um deles. Mais do que
isso. O coach ajuda o seu “cliente” a detectar suas dificuldades e a superá-las.
Com isso, o desempenho dos colaboradores melhora e o resultado da organização
também.
O coach deve estar aberto para ouvir, reconhecer quais são as dificuldades das
pessoas que fazem parte de sua equipe e como resolvê-las, portanto é fundamental
que goste de lidar com pessoas. Deve observar o comportamento do seu “cliente”
sem fazer julgamentos e ainda precisa prestar contas dos resultados que estão
sendo obtidos – afinal, de que adianta dar uma orientação sem verificar se o
colaborador conseguiu atingir seu objetivo? Segundo Ane Araújo: “Coaching é o
exercício mais elevado de liderança e uma prática vigorosa para a formação de
líderes nas organizações”.
Ser um coach, portanto, é muito mais do que ser um chefe, ainda que se trate de
um chefe considerado bom. Veja a seguir as principais diferenças entre os dois:
CHEFE
|
COACH
|
Controla o
comportamento
|
Libera o potencial
|
Dá ordens
|
Motiva
|
Conduz as pessoas
|
Aconselha
|
Foca na execução da
tarefa
|
Foca no processo
|
Resolve problemas
|
Ouve e ensina a
resolver os problemas
|
Inspira medo
|
Inspira entusiasmo
|
Preocupa-se com as
coisas
|
Preocupa-se com as
pessoas
|
Diz "eu"
|
Diz "nós"
|
Assume a
responsabilidade
|
Compartilha a
responsabilidade
|
Dirige as pessoas
|
Serve às pessoas
|
Colhe os louros
|
Distribui os louros
|
Enxerga o hoje
|
Contempla o amanhã
|
Se tiver condições, procure ser o coach de alguém, nem que seja de somente uma
pessoa. Mas tal treinamento precisa ser feito todos os dias, em doses
homeopáticas. Não adianta marcar uma reunião, conversar sobre algum ponto
importante, ouvir o que o colaborador tem a dizer e nunca mais tocar no assunto.
Sonia Jordão é especialista em liderança, palestrante, consultora empresarial e escritora. Autora do livro “A Arte de liderar – Vivenciando mudanças num mundo globalizado”, e dos livros de bolso “E agora, Venceslau? Como deixar de ser um líder explosivo” e “E agora, Lívia? – Desafios da liderança”. e-mail: tecer@soniajordao.com.br - Sites: www.soniajordao.com.br, www.tecerlideranca.com.br, www.umnovoprofissional.com.br