Marca Pessoal
Por Manuel Pereira
12/08/2014

“Como é que vocês querem ser lembrados quando morrerem? Como alguém que entregava sempre o trabalho a tempo e dentro do orçamento, ou como alguém que participou num projecto que mudou o mundo? Pensem mais em servir os clientes do que os patrões!”[1]

Esta estratégia enquadra-se no modo como cada pessoa julga a sua perspectiva de vida, a sua filosofia, a sua missão pessoal, a dedicação, contribuição no mundo que a rodeia. Neste sentido, cada pessoa constitui em si um cunho próprio, um carácter diferenciador que, poderá ser mais ou menos relevante para ele próprio ou para o todo social que a rodeia.

Assim, é fundamental que, em primeiro lugar, cada um faça uma reflexão e análise ao seu estilo de vida, da sua contribuição, quer no local de trabalho, quer ao nível do aperfeiçoamento humano, cívico e profissional e empatia que consegue estabelecer com os seus pares.

“Cada uma das nossas acções é importante – cada um de nós é poderoso. Quando todos os membros de um Santuário decidem envolver-se, a comunidade também começa a se curar.

…A mudança ocorre com uma pessoa de cada vez e acontece quando as pessoas resolverem tomar menos e dar mais.”[2]

Cada pessoa tem em si todo o potencial ou todo o seu fracasso, todas as suas ambições, todo o seu poder, todas as forças e fraquezas, todo o seu conhecimento. Todavia, o aspecto mais importante reside na capacidade pragmática de implementar e de coordenar os seguintes três saberes; saber ser, saber fazer, saber estar / ser.

Neste contexto cada pessoa deve, de forma eficiente, organizar os pontos fortes e os pontos fracos quanto às oportunidades e ameaças existentes no mundo que a rodeia, procurando demarcar-se pela diferença e arrastar consigo causas de grande utilidade pessoal para a comunidade.

Deve possuir flexibilidade de adaptação dos seus objectivos pessoais às alterações do ambiente, sem que nunca deixe de ser coerente com o seu passado, bem como consigo próprio.

No entanto, aqui reside a principal dificuldade, que é definida como a conciliação do seu ser pessoal e intransmissível com o mundo que o rodeia, ou seja, o grande desafio está na afirmação das características pessoais no mundo exterior e no qual é fundamental construir a verdadeira diferença.

“…viver a vida a partir de uma declaração descrevendo a pessoa que você escolheu ser, reinventando-se continuamente conforme progride. Quando você vive a partir da intenção de projectar sua vida, seus atos serão coerentes com a imagem que você faz de si mesmo. Quanto mais você cresce e se torna o que quer, mais ainda pode se tornar. Não há linha de chegada – apenas o processo constante de se tornar, a partir de sua declaração nova e fortalecedora que evolui constantemente.”[3]

Assim, e segundo o autor é necessário elaborar uma declaração onde seja possível fazer uma auto-análise, procurando ajustar-se de forma continuada a essa declaração. Pois, quando se vive com uma intenção previamente projectada e se cresce nesta filosofia, quanto mais se evolui, mais se torna naquilo que definiu ser.

A marca pessoal, a personalização característica e diferenciadora de uma pessoa são em si a reputação, a imagem que se solidifica nos restantes membros dessa sociedade e onde esta pode guardar um testemunho vivo e verdadeiro dessa pessoa enquanto viva.

Nesta perspectiva, mais importante que definir a missão pessoal ou uma declaração de intenção, é de extrema importância transpor para a experiência esta missão, ou seja, é fundamental transformar concepções, ideias, pensamentos em experiências observáveis na prática. É pois, a experiência prática que consolida a missão pessoal ou a intenção de prosseguir determinado objectivo, no sentido em que transforma intenções em acções fundamentais para o crescimento humano e para a realização pessoal do seu autor e da sociedade envolvente.

“O comportamento que revela uma ausência de compromisso e coerência deixa as pessoas nervosas. No trabalho da alma, é vital que sempre caminhemos como falamos. Por exemplo, é essencial cumprir as promessas feitas, enquanto se introduz o conceito de cumprimento de promessa. Tenho visto muitos programas fracassarem porque as palavras e a música não se alinharam.” [4]


Ser congruente significa ter um discurso coerente e de acordo com as acções a executar durante a vida, ou seja, é na sua essência estabelecer uma linha orientadora de unificação da comunicação pessoal e das respectivas acções ou atitudes que vão sendo tomadas ao longo da vida.

A credibilidade, a aceitação, a confiança residem no cumprimento dos compromissos, na defesa de ideias, de pensamentos que são postos em prática e nesta se revelam pressupostos válidos e credíveis perante o próprio indivíduo e a própria sociedade.

Nesta perspectiva, a solidificação da coerência pessoal, bem como a marca ou o cunho pessoal são o resultado da aplicabilidade, de ideias e ideais, atitudes e comportamentos postos na prática e do dia-a-dia.


[1] PETERS, Tom, “Marketing pessoal”, Executive Digest, Fevereiro, 1999, p.24.

[2] SECRETAN, Lance H. K, Um nível acima, Ed. Pensamento, Cultrix, ltda, São Paulo, p.221.

[3] RUBINO, Joe, O poder do sucesso, Ed. Market books, São Paulo, 2001, p. 72.

[4] SECRETAN, Lance H. K, Um nível acima, Ed. Pensamento, Cultrix, ltda, São Paulo, p. 243.

Manuel Pereira é Formador/Consultor de Marketing e Comunicação