Marketing para a baixa renda
Por Sandra Turchi
19/07/2010
Muito se tem falado sobre esse assunto, mas não resisto a abordá-lo de tempos em
tempos, pois é um dos meus temas favoritos. A expansão das classes de baixa
renda e sua representatividade na economia, trouxeram uma necessidade de
reflexão. Nesse artigo abordo como os profissionais de marketing devem se
atentar para a adequação da linguagem no tratamento a esse público. Seja pelos
canais físicos ou digitais ainda há um bom caminho a ser percorrido para atender
a essa camada que não está acostumada com certos anglicismos e neologismos
utilizados e que acabam desistindo de interagir com aqueles que não se preocupam
em entendê-la.
Com o intuito não apenas de entendê-la, mas de aproveitar oportunidades, muitas
empresas têm buscado institutos especializados para compreender como essa
população vive, pensa, age e consome. Para isso, contratam pesquisas em que seus
gerentes passam dias na casa de famílias de baixa renda para poder “assimilar”
as diferenças entre o “seu” e “aquele” cotidiano.
Isso é ótimo, mas é fundamental que seja revertido em ações de adequação de
produtos e serviços, bem como em novas formas de pagamento. Um bom exemplo é a
aceitação de cheques pré-datados para vôos, feito pela Azul Linhas Aéreas.
Por falar nisso, esse público ainda está se familiarizando com o uso de cartões
de crédito, pois muitas pessoas, no início da popularização desse meio de
pagamento, foram pouco ou mal instruídas e acabaram por se endividar, porque
entendiam que bastava pagar a parcela mínima que constava na sua fatura e, com
isso, seu saldo devedor crescia a uma taxa “módica” de 15% ao mês, cobrada por
aquele banco que lhe concedeu o tal cartão. Depois desse susto inicial eles
passaram a compreender melhor esses mecanismos financeiros e têm se adaptado.
Também nessa área estamos observando casos interessantes de orientação ao
consumidor, como o recém lançado site da “Febraban”, “www.meubolsoemdia.com.br”,
criado pela agência de Comunicação Fábrica, com base em pesquisas feitas pelo
Instituto DataPopular, que traz informações sobre o funcionamento dos bancos, as
modalidades financeiras, investimentos, dívidas, etc.
Na divulgação destinada a impactar essa parcela da população indica-se aos
publicitários que mantenham sua criatividade, mas não abram mão da clareza e
objetividade, visto que esse público não compreende a linguagem muitas vezes
utilizada em campanhas mais complexas, ou que tentam ser muito divertidas, mas
acabam fazendo com que ele rejeite essa comunicação, ou seja, ela terá o efeito
exatamente inverso ao que se propunha.
Sandra Turchi é graduada pela FEA-USP, pós-graduada pela FGV-EAESP e MBA pela Business School São Paulo
com especialização pela Toronto University e em empreendedorismo pelo Babson College em Boston.É
superintendente de Marketing da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) instituição que administra o SCPC
(Serviço Central de Proteção ao Crédito). Site: www.sandraturchi.com.br - Twitter: http://twitter.com/SandraTurchi