A mente negou o que os olhos viram para que a boca não falasse
Por Ivan Postigo
07/10/2010
Estamos próximos de mais uma eleição. Momento de escolha.
Não gosto do que vejo. Apatia, desinteresse, desconhecimento, falta de
propósito.
Dos candidatos? Não, esses têm lá seus planos, quaisquer que sejam. Bons ou
maus, que atendam o povo ou interesses próprios, mas me refiro ao nosso
comportamento.
Poderíamos considerar que isso se dá por falta de exercício de escolha ou por
falta de oportunidade para debates sobre política? Não depois de já termos
voltado a votar.
Que tal reduzir a área em foco para debate? Nossa empresa, um mundo ao nosso
alcance todos os dias. Questões que podemos resolver, dúvidas que podemos
levantar, pontos de vista que podemos debater, decisões que podemos questionar,
soluções que podemos sugerir, caminhos que podemos escolher.
Toda ação pode provocar uma reação contrária? Sim, afinal interesses podem ser
divergentes. Muitos costumam ser.
Uma questão controversa deve ler levada a debate, afinal duas cabeças pensam
melhor que uma. Havendo mais, melhor ainda.
É verdade, desde que a motivação para o debate não seja confundida com
disposição para discussão e os projetos pessoais possam ser deixados de lado por
alguns momentos.
Todos os dias, em todos os lugares, encontraremos situações carentes de soluções
simples, mas que permanecem negligenciadas.
Ao se surpreender com esse fato e procurar encaminhá-lo você também tentará
entender por que nada foi feito. É importante verificar se a solução que dará à
questão já foi tentada. Isso facilitara seu trabalho, reduzirá o tempo e evitará
que cometa o mesmo erro de outras pessoas.
Vai descobrir que em muitos casos o problema não está na sugestão ou no modelo
proposto, mas no conforto da omissão. Solucionar problemas, normalmente, demanda
questionar a ordem instalada, isso pode gerar oposição.
Já vi pessoas fabricarem peças erradas sabendo que o desenho que receberam não
era correto. O intuito era prejudicar o desafeto que lhe enviou a ordem de
serviço, infelizmente com desenho trocado.
Estive em reunião na qual o diretor comercial foi despedido devido os maus
resultados e não apresentou qualquer plano, embora em sua gaveta tivesse um
elaborado a quatro mãos. Fora voto vencido em grande parte dos debates na
preparação do projeto, por isso não aceitava as soluções.
Pude ver o fracasso de um diretor financeiro que foi à uma reunião de
planejamento na matriz, no exterior, sem levar seu material, por não ter se
preparado, acreditando não teria que fazer a apresentação e sairia incólume. Foi
enviado imediatamente de volta sem emprego.
Assisti um consultor perder seu contrato por causa de sua agressividade com a
equipe de vendas em uma convenção, sem que pudesse sequer permanecer no local.
Interessante, se as pessoas são capazes de atos tão radicais, porque poucas são
abertas ao debate, à reflexão e uma profunda averiguação da ordem instalada?
Ao questionar você poderá ouvir:- Não vou arrumar confusão, não gosto de
discutir, não quero ficar mal com as pessoas, não vou arriscar minha carreira,
entre tantas outras escusas.
A mania da acomodação faz com que as pessoas que questionam sejam vistas como
encrenqueiras. Lembre-se que só quem dá valor ao que faz e que se importa
realmente com o que ocorre à sua volta tem a disposição, ou coragem, se assim
você preferir, de questionar.
Tudo o que acontece na sua empresa afetará sua vida, por isso é importante que
você faça suas escolhas.
O mesmo ocorre no processo político, onde os candidatos, representantes do povo,
precisam ser bem escolhidos, para que uma vez no exercício das suas funções
tomem as decisões que você gostaria.
A vida é um exercício constante de comprometimento. Não dá para viver sob o lema
“deixe como está para ver como é que fica” sem pagar um alto preço pela omissão.
Por que tantas coisas erradas e sabidas não são combatidas, ainda que
informações tenham sido solicitadas?
Simplesmente por que nesses momentos a mente negou o que os olhos viram para que
a boca não falasse.
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
www.postigoconsultoria.com.br - ipostigo@terra.com.br