Mitos do Telemarketing: Brasileiro odeia receber ligação do Telemarketing
Por Fernando Adas
12/07/2010
De todas as ferramentas de comunicação dirigida, o telemarketing é a que mais se
popularizou nos últimos dez anos. Confundido com uma mídia de massa e, em muitos
casos, praticado sem nenhuma segmentação de público e oferta, ele substitui
outras ações complementares, como a postal, a virtual e, muitas vezes, a própria
comunicação de massa, que tem como função a apresentação institucional da
empresa e seus produtos.
Dessa forma, os excessos cometidos com o uso da ferramenta promoveram uma
rejeição de impacto por parte dos consumidores. A falta de uma legislação
específica para normatizar o seu uso, aliada à organização de grupos de
consumidores junto ao Procon, promoveram movimentos organizados de opt out, ou
seja, de recusa voluntária às campanhas de telemarketing.
Atualmente, o termo telemarketing se mostra segmentado e banalizado. Segmentado
em função das diversas modalidades de operação que assumiu em vendas, como
cobranças, pesquisas, atualização cadastral, SAC e agendamento de visitas. E
banalizado porque o índice de rejeição do consumidor em relação a essa
modalidade de comunicação é crescente, o que motiva as empresas a adotarem
revisões e melhorias em suas práticas.
Dizem que ninguém mais aguenta receber ligações de telemarketing, mas não é bem
assim. O brasileiro valoriza atendimento e relacionamento. Mesmo as lojas de
conveniência, nas quais a atitude buy & go impera, capacitam seus atendentes
para o esclarecimento de dúvidas e sugestões de compras.
No telemarketing, as unidades receptivas automáticas causam insatisfação, pois
um bom "papo" resolve e motiva. Por isso, o desafio de uma comunicação
conquistadora está na adequação do chamado tripé estratégico do telemarketing, o
qual é composto de:
1. Mailing de contatos, ou seja, do cadastro, da lista de pessoas ou de empresas
com as quais queremos falar. Quanto mais segmentado for esse cadastro, melhor o
resultado da comunicação. Em geral, essa segmentação é composta de aspectos
socioeconômicos (sexo, idade, renda e escolaridade) e de outros mais
comportamentais (relação com a marca, produto e estilo de vida). Reflita: o que
você sabe sobre a pessoa com quem quer falar em sua próxima ligação? E por que
ela deveria atendê-lo?
2. Motivos pelos quais alguém deve atender uma ligação que estão contidos na
oferta. O que você tem a oferecer em sua chamada? Um lançamento? Um bom preço?
Uma solução de dúvida? Há projetos de pesquisa executados por nós, cujo tempo
médio da chamada ultrapassa os 30 minutos. Por que será que alguém se permite
ficar tanto tempo ao telefone? Porque o assunto é interessante a ele. Reflita:
não são as pessoas que estão sem tempo para a sua chamada, é a sua oferta que
está inadequada a elas.
3. Ofertas adequadas. O terceiro desafio do tripé está na forma como devemos
realizar a chamada, ou seja, o script ou o roteiro da abordagem. Transforme o
script em roteiro de relacionamento, evitando frases rígidas. Se necessário,
utilize o e-mail e a carta como ações complementares à ligação. Os resultados
são surpreendentes.
Analise tudo isso da próxima vez que receber uma ligação de telemarketing. Teste
o tripé da campanha e perceba o que ela tem de bom e o que ainda pode melhorar.
Afinal de contas, quem não gosta de um bom papo por telefone?
*Fernando Adas, diretor de planejamento e atendimento da FM – The Fine
Marketing, é um especialista em Treinamento de Vendas, Comunicação de Varejo e
em Projetos de Atendimento e Relacionamento em Marketing Direto.
E-mail: fernando@fmarketing.com.br
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