Mundo Esportivo e Corporativo
Por Maria Inês Felippe
22/01/2012
Recentemente, participei do programa Roda Viva, entrevistando o técnico
do time de vôlei masculino “Bernardinho”. Várias pessoas assistiram;
outras, não, e gostariam de informações a respeito do programa e desta
minha experiência.
Inicialmente, senti-me feliz, por ter sido convidada pelo responsável do
programa. Sua escolha foi baseada na minha experiência de 20 anos no
mundo corporativo, especificamente em Recursos Humanos. Senti-me honrada
e reconhecida pelo trabalho que tenho feito. Muitas vezes, trabalhamos
como formiguinhas, mas, por outro lado, as pessoas percebem o que está
sendo realizado, passamos a contribuir e nos convidam para ser cigarra.
Vou tentar relatar, bem resumidamente, alguns tópicos do debate, que
valem a pena serem destacados.
“Cabe ressaltar que irei resumir as perguntas e respostas. A gravação é
comercializada pela da TV Cultura. Trata-se de um programa de
aproximadamente uma hora e meia e Bernardinho explicou com detalhes toda
a sua trajetória familiar, pessoal, profissional e suas preocupações, em
geral, quanto à sua formação do esportista e sua relação com a
sociedade. Ele é formado em economia e, no início da carreira de
jogador, ouviu alguns comentários de que ele deveria desistir, que seria
melhor seguir a carreira de economista, mas sempre gostou de esporte e
decidiu seguir em frente na busca do seu sonho. Considera que os
princípios e valores pessoais são atribuídos, como importantes, pelas
famílias e que devem ser preservados.
Os questionamentos foram assim propostos:
Maria Inês: No mundo corporativo, percebo a dificuldade, cada vez maior,
nas lideranças, por isso trabalhamos intensamente com elas. Tenho alguns
clientes que chegam a expressar: “Quando vou negociar com uma mulher, já
sei que vou perder”. Você sente isso também? Como foi, para você, a
experiência ao liderar mulheres e homens?
Bernardinho: (um pequeno riso) Realmente, a mulher tem uma forma de agir
e pensar diferente, exigindo uma estratégia de liderança diferente. As
mulheres expressam mais as emoções, enquanto que o homem não. Elas são
mais intuitivas. Elas sentem logo quando uma delas será excluída,
enquanto que os homens não. Elas parecem-me mais atentas. Ele mencionou
uma situação que havia perdido o jogo e muito bravo foi ao vestiário.
Chegando lá, as jogadoras resolveram cada uma se trocar em vestiários
distintos. Isso como estratégia para acalmá-lo porque sabiam que a
bronca seria grande. Relata diversas sutilezas femininas, comparando-as
com às masculinas.
Maria Inês: Em relação ao progresso profissional, as pessoas iniciam a
carreira timidamente, humildemente e vão conquistando postos de
destaques. Às vezes, iniciam como estagiários e chegam ao cargo de
diretores, etc., assim acontece no esporte, conforme você mencionou. Os
jogadores começam com muito esforço, com simplicidade, com dificuldades
e vão conquistando espaço, notoriedade e se tornam arrogantes. Como você
lida com a arrogância no grupo de esportistas?
Bernardinho: Eu não dou espaço para isso e se houver desavença entre os
jogadores, elas são resolvidas entre eles, como o ditado “roupa suja
lava-se em casa”. Trata-se de uma equipe que deve vencer e que são
interdependentes, portanto, todos são esportistas com certo destaque e
não há espaço para arrogância, todos são importantes na sua posição.
Maria Inês: Sabemos que, no mundo empresarial, as pessoas competem entre
si, por mais que possam assistir a palestras motivacionais, suas
palestras reforçam o senso de equipe, de liderança, etc. As pessoas saem
alegres por tê-lo conhecido, dizendo que foi legal, que fazem parte de
um time de trabalho, que são unidos, etc. só que quando entram para
trabalhar a competição começa, um querendo “comer o fígado do outro”.
Bernardinho, vamos aprofundar este assunto: Como você vê esta questão e
certamente encontra este procedimento em seu time de esportistas
Bernardinho: Concordo que a competição existe e que as palestras
motivacionais só dão resultados quando o assunto é tratado como uma
gestão e não isoladamente. Eu tenho trabalhado muito com seus atletas em
relação a esse assunto, porque todos querem destacar-se em uma
competição. Mas não é fácil trabalhar este aspecto em função das
diferenças individuais, mas trabalho intensamente essa questão.
Maria Inês: Bernardinho, desculpe-me insistir, ou mesmo, direcionar ao
mundo corporativo, porque é o meu mundo e não sei fazer outra coisa a
não ser atuar nas empresas. Neste cenário, existe uma fala de que o
poder é solitário, você concorda?
Bernardinho: Concordo, mas costumo cercar-me de muitas pessoas quando
irei decidir, são decisões difíceis, mas costumo ouvir as pessoas que
estão ao meu redor: são profissionais mais experientes. Aí, sim, decido,
mas mesmo assim, sinto o poder como solitário.”
Bom, meu caro leitor, tentei, sinteticamente, relatar parte da
entrevista. Acredito que seja o suficiente para percebermos que os
ensinamentos unem todas as artes e ciências. Assim como vejo que a arte
poderá ser uma ferramenta para o desenvolvimento de competências, o
esporte também, formando cidadãos. Claro que teremos resultado, quando
for tratado tendo como base uma gestão, e não isoladamente. As
experiências, os pensamentos, todos se completam, por vezes
interdependentemente. Faz-me lembrar um principio básico da
criatividade: “Para ela, não existe cinza no cinzeiro e sapato na
sapateira; não existe isto ou aquilo e, sim, isto e aquilo; não existe o
certo, o melhor, e, sim, o diferente do que estamos acostumados.”
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