Mundo Empresarial, alienígenas e alienados
Por Ivan Postigo
27/01/2012
O ambiente empresarial, borbulhante e efervescente, sempre foi pano
de fundo de livros, novelas, filmes, peças de teatro e cartoons.
Empresas sempre serviram como argumentos de conquistas e exercício
de poder, pela riqueza gerada e pela dependência criada.
Um ambiente do qual não se participa sem ser atingido e sofrer as
consequências. Seja pelas recompensas das vitórias ou pelos ônus das
derrotas.
Quanto mais desenvolvida a sociedade, mais poderosas são as
empresas, objeto de organização para exploração de oportunidades e
produção de valor.
Nas regiões subdesenvolvidas onde a empresa é base do sustento do
seu criador, esta é alavancada, quase em sua totalidade, com
limitados recursos próprios. Neste caso, os sócios são em número
reduzido, pois alienígenas não são bem vistos e tolerados.
Tratemos a palavra alienígena em seu sentido original: estrangeiro,
estranho ou desconhecido. Ainda que esta tenha uso para designar ser
de outro planeta, assim poderão ser encaradas algumas propostas
vindas de elementos externos à organização e que não encontrem
identidade no ambiente.
Essa é uma visão e um costume diferente do que ocorre em áreas
desenvolvidas, cujos empreendedores são capazes de reunir ideias,
capital e competência de trabalho. Divido em cotas e tarefas, os
projetos recebem o impulso da alavanca que move o mundo: cooperação.
Grande parte criada por alienígenas, detentores de recursos e
expertise que permitem evolução e quebra de paradigmas.
Ninguém é totalmente evoluído a ponto de não descartar o futuro. O
automóvel, no passado, foi contestado, assim como o televisor e os
microcomputadores. Em anos recentes, a internet colocou à prova a
visão de um gênio da informática, que com ela não havia se
entusiasmado!
O empreendedor se debate com o futuro da ideia, o visionário com a
ideia do futuro. Assim também nasce um alienígena. Algumas vezes
pelo modo, outras pela moda!
Profissionalizado, o mundo empresarial avalia os empreendimentos
pelos resultados. Lucros, bottom line, são termos que mostram o
alvo.
A participação do trabalhador nos ganhos do empreendimento pode
torná-lo colaborador e sócio, reduzindo os alienados.
Isso não significa a eliminação dos conflitos entre alienígenas e
alienados, mas permite a potencialização da aproximação e aumento da
capacidade geradora de valor.
A globalização traz oportunidades e riscos ao emprego. O sucesso de
uma empresa e sua marca podem ser fatais para o trabalhador, não
apenas o fracasso.
Cisões, fusões e incorporações de empresas podem levar o parque
fabril para novas áreas, por questões estratégicas e tecnológicas.
Nesse sentido, o mercado acionário permite aos trabalhadores
excluídos do processo laboral, continuar participando do
empreendimento como alienígena capitalista.
Suas ideias, seus conhecimentos e, claro, seu capital, ainda que
reduzido, em locais desenvolvidos, se somam a outros e integram a
alavanca cooperativa que move o mundo.
Que destinos terão as empresas e os empreendedores alienados, em um
planeta movido por seres alienígenas que competem e cooperam?
Certamente para os que crêem e participam da construção do futuro
são grandes as chances de encontrarem gestores verdes analisando os
resultados de balanços azuis no planeta vermelho.
Ivan Postigo é Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em
controladoria pela USP. Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação
de carreira na área de vendas e diretor da Postigo Consultoria de Gestão
Empresarial - Fones (11) 4526 1197 / ( 11 ) 9645 4652
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