Não Menospreze o Poder da Rede
Por Sandra Turchi
14/06/2010
Não há a menor dúvida que a “bola da vez”, na internet são as “redes sociais”.
Só se fala nisso. É a tal web 2.0 com seus ícones de sucesso como o MySpace, o
Facebook, o Orkut, e agora, mais do que nunca, o Twitter.
Ainda é difícil dizer o que é moda e o que realmente deverá permanecer por algum
tempo. Por falar nisso, lembram-se daquele site, como é mesmo o nome dele?
Aquele jogo, ahh… o Second Life? Pois é, esse é um exemplo de que algumas febres
passam logo.
Sobre o Twitter – serviço que permite que as pessoas acompanhem mensagens de no
máximo 140 caracteres, ou “tweets”, de amigos ou celebridades – uma recente
pesquisa da Nielsen Online indica que aproximadamente 60% dos usuários declinam
após o primeiro mês de uso, o que torna o crescimento dessa rede bastante
limitado. Existe há mais de três anos e hoje ele tem por volta de 10 milhões de
usuários no mundo todo, mas pode-se dizer que só cresceu depois que celebridades
começaram a utilizá-lo e divulgá-lo, como o então candidato Barak Obama e a
apresentadora americana Oprah Winfrey.
Além dessa questão do modismo, há outro ponto a ser analisado com muito cuidado
pelas empresas que se preocupam em aprender a utilizar as redes sociais. É
importante identificar a melhor forma de fazê-lo, por exemplo, buscando estar
próximas dos seus consumidores e do seu público formador de opinião, mas por
outro lado, também é fundamental orientar sua própria equipe acerca dos perigos
que a rede pode causar quando utilizada de forma ingênua ou por má fé, pelos
próprios funcionários, ou, quem sabe, por seus concorrentes…
Vejam o exemplo de uma ocorrência recente com a rede americana Domino’s Pizza,
quando dois de seus funcionários foram filmados produzindo sanduíches de forma
pouco higiênica e o vídeo foi postado no YouTube. Após poucos dias o mesmo já
havia sido visto por mais de um milhão de pessoas e embora esses dois
funcionários tenham sido demitidos dessa loja, toda a rede foi seriamente
afetada, perdendo clientes que eram fiéis há mais de 10 anos! Ou seja, o
prejuízo foi enorme e será muito difícil revertê-lo, mesmo que a empresa invista
milhares de dólares com renomadas assessorias em relações públicas. Isso tudo
porque o alcance da rede é I M P R E V I S Í V E L!
Há empresas que fizeram sua incursão de forma bastante saudável, como o exemplo
da Nike, com o lançamento do Nike Plus que, embora não seja um fato novo, é
sempre bom citá-lo como caso, bem-sucedido, de criação de comunidade. Há ainda
exemplos mais próximos, como a loja de esportes Centauro, que recentemente
lançou sua comunidade oficial no MySpace como plataforma para divulgar seu
projeto “Ritmos”, e quem sabe, fortalecer sua marca.
Estudos apontam que 57% dos varejistas listados na ‘Top 500 Internet Retailer’
estão no Facebook e que 41% desses estão presentes, ou foram pesquisados, no
YouTube, além de centenas deles no MySpace, entre outros..
Enfim, mesmo que a empresa prefira não se manifestar sobre o assunto é
importante que ela saiba que algo já deve estar acontecendo com sua marca na
rede, independentemente da sua vontade. É como aquela história: eu não acredito
em bruxas, mas que elas existem, existem!
Sandra Turchi é graduada pela FEA-USP, pós-graduada pela FGV-EAESP e MBA pela Business School São Paulo
com especialização pela Toronto University e em empreendedorismo pelo Babson College em Boston.É
superintendente de Marketing da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) instituição que administra o SCPC
(Serviço Central de Proteção ao Crédito). Site: www.sandraturchi.com.br - Twitter: http://twitter.com/SandraTurchi