Negociação e Influência em Vendas
Por Diego Berro
20/07/2010
Embora para a maioria das pessoas persuadir, convencer e influenciar sejam
sinônimos, há uma significativa diferença entre seus objetivos.
Persuadir
Temos a impressão de que a palavra persuasão é um termo novo, relacionado à
comunicação, aos negócios e as vendas. No entanto, a persuasão se remete aos
primórdios da mitologia grega a qual se relacionava à deusa Peithô -
conhecida como Peithô aos gregos e Suadela aos povos que falavam Latim - que
significa persuadir. O verbo peithein, portanto, era sinônimo “de discurso
convincente e persuasivo”.
A palavra persuadir vem do Latim “Persuadere”, que segundo o Dicionário
Michaelis, significa “levar a crer ou a aceitar; aconselhar, induzir”, ou
ainda “levar ou induzir a fazer, a aceitar ou a crer; aconselhar”.
O vendedor que busca persuadir o cliente, esta muito mais preocupado em
fazê-lo aceitar suas idéias do que entender quais são suas reais
necessidades e satisfazê-las.
Segundo Marcus Tullius Cícero, considerado o maior dos oradores e pensadores
políticos romanos da história, persuadir compreende a "Tria Officia", gênero
de três espécies ou modos de persuadir: convencer (lógica), comover
(afetiva) e agradar (estética).
Comover estaria relacionado à persuasão através do coração, na qual se
persuade mais pela excitação e emoção e menos pelo intelecto.
Agradar é persuadir pelo domínio afetivo, inspirar satisfação ao ser
agradável.
No entanto, gostaria de me deter mais profundamente no significado da
palavra “Convencer”.
Convencer
Segundo o Dicionário Michaelis, convencer procede do Latim “Convincere” que
significa “persuadir com argumentos, razões ou fatos, apresentando provas ou
argumentos”, ou ainda “vencer completamente”. Tecnicamente convencer é
persuadir por meio de provas lógicas: indutivas (exemplos) ou dedutivas
(argumentos). Está ligada, portanto, ao domínio intelectual, a capacidade do
vendedor ganhar do cliente em argumentos.
O professor emérito de psicologia da Universidade da Califórnia, Albert
Mehrabian, em sua pesquisa intitulada “Inference of attitudes from nonverbal
communication in two channels”, sobre as relações interpessoais e o impacto
da comunicação, chegou à conclusão que a palavra falada (os argumentos)
representa apenas 7% da eficácia da comunicação.
Por que então investir energias somente em convencer o cliente com
argumentos, se 93% do impacto da comunicação (influência) está relacionado a
outros fatores?
Neste sentido, denota-se a idéia de que o vendedor está em plena guerra com
seu cliente, disputando uma batalha para saber quem vence o duelo, se o
vendedor convence (vence em argumentos) o cliente a comprar, ou o cliente
vence o vendedor com suas objeções.
Você pode até convencer seu cliente a comprar, mas se fize-lo adquirir algo
de que ele não necessitada ou que não atenda suas reais expectativas,
certamente o cliente vai se sentir manipulado e não comprará novamente de
você ou de sua empresa. Ou seja, seu esforço em convencer o cliente pode
gerar um aparente lucro, mas que no fundo representará um grande prejuízo a
empresa à médio prazo, pela diminuição da fidelidade e perda dos clientes
para a concorrência.
De acordo com Philip Kotler, conquistar novos clientes custa pelo menos
cinco vezes mais do que manter os já existentes. Além da perda do cliente
insatisfeito, há a perda de outros que são influenciados negativamente pela
propaganda boca a boca.
Portanto, para obter resultados superiores em vendas é preciso influenciar
positivamente seu cliente.
Influenciar
A persuasão está relacionada à tentativa de manipular as atitudes ou crenças
do cliente, enquanto a influência está relacionada ao processo de mudança
comportamental do cliente de forma espontânea e natural.
De acordo com a fonoaudióloga Priscila Joelma Viana, especialista em
comunicação empresarial, a diferença entre influência e manipulação, está
justamente no contraponto entre ajudar o cliente a conquistar seu objetivo
(influência) ou induzir o cliente a comprar algo que não
necessitava/desejava (manipulação).
Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, “influência” vem do Latim
medieval “influentia”, palavra que servia para designar como os astros
afetavam o comportamento das pessoas.
De acordo com o Dicionário Michaelis, influenciar significa “ter ou exercer
influência sobre”. Influência é o poder ou ação que alguém exerce sobre
outro ou sobre certos fatos ou negócios e está ligada ao prestígio, poder ou
ação desencadeada através da autoridade moral.
A influência, portanto, é uma habilidade que pode ser desenvolvida.
Segundo uma das maiores autoridades no mundo em influência, Robert B.
Cialdini, PHD em Psicologia e professor no Arizona State University, existem
vários princípios da psicologia que funcionam como ferramentas da
influência.
A saber, citamos dois destes princípios:
Princípio da Reciprocidade
Já dizia Cícero: "Não há nada mais gratificante do que o afeto
correspondido, nada mais perfeito do que a reciprocidade de gostos e a troca
de atenções."
Esta mesma regra de ouro nos foi ensinada nas Escrituras Sagradas em Mateus
7:12: “ Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho
também vós a eles...”
Aprendemos desde crianças à máxima: “Devemos tentar retribuir, na mesma
moeda, o que a outra pessoa nos proporcionou”. Crescemos com a crença de que
ficamos em dívida com alguém sempre que essa pessoa faz algo por nós.
No livro, “A Expressão Obrigatória dos Sentimentos”, Marcel Mauss comenta:
“O que cria uma obrigação no ato de presentear é o fato de que a coisa não é
inerte. Mesmo após a doação, ela ainda pertence ao doador”. Portanto,
psicologicamente, existe uma obrigação de dar, uma obrigação de receber e
uma obrigação de retribuir, comenta o autor.
O interessante é perceber que a sensação de dívida surge mesmo quando o
“favor” não foi solicitado e, portanto, geralmente, há uma retribuição ainda
maior, uma vez que é muito grande o desconforto psicológico em quem a dívida
foi gerada.
Os clientes sentem uma obrigação de dizer sim aos vendedores que lhes
geraram esse déficit na relação.
Para tirar proveito da reciprocidade em suas negociações, crie um senso de
obrigação em seu cliente, para tanto, sempre inicie a relação buscando se
doar mais a ele, oferecendo algo inesperado, seja fornecendo uma informação
privilegiada, fazendo alguma concessão que possa beneficiá-lo, etc. Seu
cliente certamente se sentirá confortável em aceitar um “favor” seu e,
portanto, a partir desse momento terá uma dívida emocional que poderá ser
muito útil na hora do fechamento de uma negociação.
Uma dica muito válida é: quando um cliente lhe agradecer pelo favor, faça-o
assinar um contrato psicológico contigo, dizendo: “Tenho certeza que você
faria o mesmo por mim, estou certo?” Afinal, assim como aquele que ganha
algo está sempre disposto a retribuir, quem faz um favor, espera sempre um
favor de volta.
Segundo, Joe Girard, considerado pelo Guinness World Records, o “Melhor
Vendedor Varejista do Mundo”, um “presente” oferecido a um cliente, pode
gerar um enorme poder de reciprocidade, mas para tanto é importante
considerar três critérios: eles devem ser significativos (que fará com que o
cliente aprecie e tenha estima pelo presente), inesperados (que sejam
oferecidos de forma espontânea e de surpresa) e que sejam personalizados
(para que o cliente se sinta especial e único).
Princípio da Escassez
A lei é universal, indiscutível e aceita sem restrições. Conforme disse o
economista francês Jean Baptist Say: “A oferta cria sua própria procura”.
Este é o principio da Lei dos Mercados, uma das bases de toda a Teoria
Econômica Clássica da Produção.
O cliente é muito mais sujeito a dizer sim se acreditar profundamente que
seu serviço ou produto é raro, exclusivo, único, disponível em poucas
quantidades, por um tempo limitado, etc.
Para que o princípio da escassez potencialize seu poder de influência, você
deve buscar destacar ao seu cliente, honestamente, quão difícil será obter
seu produto no futuro (destacar o que ele vai perder se não comprar hoje de
você em vez de dar ênfase somente no que ele vai ganhar). Desta maneira você
desperta em seu cliente o insight de que a maior vantagem é adquirir seu
produto hoje, AGORA.
Faça sempre um acordo condicional com seu cliente, buscando juntamente com
ele soluções para suas objeções. Para ressignificar uma objeção de seu
cliente, diga: “Senhor Ronaldo, caso nós dois juntos, acharmos uma solução
ideal para este problema (objeção), que o senhor concorde é claro, o senhor
teria interesse em prosseguir a negociação?
Pesquisas sugerem que essa técnica gera maior satisfação e comprometimento,
devido à sensação de responsabilidade pelo acordo final. Uma pessoa que
acredita ser responsável pelo acordo estará mais propensa a cumpri-lo.
Sobre a importância desse assunto, o megainvestidor americano Donald Trump,
em seu livro “Trump: como ficar rico”, aconselha: “Estude a arte da
influência; pratique-a; desenvolva e entenda o profundo valor que ela tem em
todos os aspectos da vida.”
Boas vendas!
Diego Berro é palestrante de vendas. Co-autor dos livros: “Os 30 + em
Motivação no Brasil” e “Ser Mais em Vendas”. Graduação em Gestão Empresarial
pela Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação
Getúlio Vargas. Formação Profissional de Nível Tecnológico em RH e Marketing
pela FGV-RJ. Máster Practitioner em Programação Neurolinguística. Ministra
palestras, workshops e treinamentos de vendas, realizando convenções de
vendas e treinamentos in-company em todo Brasil.
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