Organizações Felizes
Por Paulo Araújo
05/03/2014

Você é feliz? Sua empresa é feliz? Felicidade é um diferencial competitivo?
Perguntas como essa poderiam parecer tolas e utópicas há algum tempo, mas hoje na árdua tarefa de contratar e reter talentos, as respostas a essas perguntas deixam de ser reflexões meramente românticas.
Encontrar respostas e soluções para esse tema será o grande diferencial nos próximos anos, pelo simples fato de que, hoje, existem empresas cada vez mais enxutas e com maior pressão por resultados. O enredo dessa história não poderia ser outro: nunca em nenhum outro período houve tantos casos de afastamento do trabalho por caso de alto stress, esgotamento nervoso e estafa. Recentes pesquisas indicam que o grau de stress e infelicidade nas organizações já atinge patamares elevados.
O que fazer para criar um ambiente feliz, leve e transparente em sua empresa? Veja alguns pontos que, nesse novo desafio, não devem ser esquecidos:
O mito da mudança – chamo de mito da mudança o fato de pessoas e empresas acreditarem que estão mudando tudo o tempo todo e que mudar é a chave para a sua sobrevivência. Estão certas e erradas ao mesmo tempo. Explico: mudar não é fácil e a grande maioria das mudanças feitas na empresa são de cunho organizacional. Mas, e as mudanças de cunho cultural? Essas são muito mais difíceis de implantar. Apesar de serem as que fazem realmente a diferença, elas são as que mais sofrem retrocessos. A cultura, a missão, os valores realmente tem mudado na sua empresa? As pessoas ainda são consideradas mão-de-obra, recursos humanos, ou são tratadas efetivamente como talentos a serem desenvolvidos?
Mobilize as pessoas – sabe qual é o sentimento mais mobilizador que existe? O sentimento de justiça. E justiça tem a ver com integridade e coragem para fazer o que precisa ser feito, desde que com transparência e ética. A sua conduta é condizente com o seu discurso? A liderança é baseada no exemplo? A empresa discute e debate novas idéias ou no primeiro obstáculo impõe soluções de forma autoritária? Lembro que toda liderança por vezes será autoritária, isto depende do momento, mas a questão é o quanto autoritário se é e com que frequência e forma se exercem este poder. O cerne da questão aqui é descobrir o quanto irreal e distante se encontra a percepção entre o que é falado e realmente praticado.
Transparência e Respeito. O quesito mais importante para criar e manter uma empresa feliz, na qual as pessoas sintam prazer e queriam trabalhar, é transparência nas relações e respeito mútuo. Peque pelo excesso de comunicação não pela falta dela. Transparência na gestão do conhecimento, nas relações de poder, nas diretrizes a serem seguidas com a comunidade, fornecedores, colaboradores e clientes. A palavra-chave aqui é cumplicidade, pois promessas de parcerias é o que mais se ouve por aí.
E aí sim quem sabe um dia, você vai poder dizer com toda a certeza do mundo: “eu fui feliz em minha carreira, mas mais do que isso, ajudei a gerar felicidade com os meus talentos.

Paulo Araújo - palestrante e escritor. Autor de “Desperte seu Talento – dicas essenciais para a sua carreira” - Editora EKO, entre outros livros. Site: www.pauloaraujo.com.br